Vista aerea de Capelo
ESRI World Imagery · Esri Attribution
Ilha do Faial · CULTURA

Capelo: onde a terra ainda fuma e o mar reclama vulcões

A freguesia açoriana que nasceu das cinzas do Capelinhos e guarda vinhas muradas contra o Atlântico

528 hab.
272.5 m alt.

O que ver e fazer em Capelo

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Horta

Agosto
Festival Maré de Agosto Terceira semana de agosto festa popular
Semana do Mar Primeira semana de agosto festa popular
Dezembro
Festa de Nossa Senhora da Conceição 8 de dezembro festa religiosa
ARTIGO

Artigo completo sobre Capelo: onde a terra ainda fuma e o mar reclama vulcões

A freguesia açoriana que nasceu das cinzas do Capelinhos e guarda vinhas muradas contra o Atlântico

Ocultar artigo Ler artigo completo

A cinza preta range sob os pés — é aquela areia que não é areia, pó que se agarra à sola das sapatilhas e só sai com escova de roupa. Parece que estamos noutro planeta, mas é mesmo ali ao lado do café do Peter. O vento vem do mar, como sempre, e traz aquela bruma fina que nos entranha nos ossos. Em frente, o farol dos Capelinhos mete-se na paisagem como quem não quer nada, com a torre meio enterrada a lembrar-nos que a terra cá por baixo não é propriamente dona disto tudo.

Quando a terra resolveu esticar

Lembra-se daquele filme em que o mar ferve? Pois foi aqui. Treze meses a ver a terra a crescer, as casas a desaparecer sob cinza, os vizinhos a despacharem-se para o Canadá com uma mala de cartão. Hoje, o Centro de Interpretação conta a história com fotografias de família e pedras que ainda estão quentes. Desce as escadas e parece que entraste numa cave onde o tempo ficou preso. Não é preciso muita imaginação: basta olhar para a janela e ver o mar a bater na lava que ainda não percebeu que já é terra firme.

O trilho da Costa da Nau é daqueles que fazemos quando a família vem de fora. Começa no parque de estacionimento, passa por umas pedras que parecem bolos mal cozidos, e acaba numa falésia onde o mar mostra quem manda. Não há árvores — só musgo e umas plantas teimosas que decidiram vencer o desgosto. Leve água. E leve também um casaco, porque o vento não está para brincadeiras.

Vinhas dentro de muros

Mas Capelo não é só coisa de vulcão. Suba um bocado pela estrada e encontra as curraletas — aqueles círculos de pedra que parecem ovelhas petrificadas. Dentro, as vinhas agarram-se à terra como quem se agarra à vida, fazendo um vinho que o meu tio diz ser "para homens de bem". É branco, mas tem cor de chá, e dá um arroz de marisco que é uma loucura. Pergunte na mercearia da Glória — ela guarda umas garrafas debaixo do balcão, para quem sabe pedir.

Pelos caminhos, os moinhos ficam ali como postais virados ao contrário. Alguns foram arranjados por alemães com mochila, outros estão a cair de podre, mas todos têm vista para o mar. A igreja de Nossa Senhora da Graça é do séc. XVIII, mas o que interessa é que as missas das 11h ainda acabam com pastelinhos no adro. Mais acima, a capela de São Vicente é pequena como um guarda-chuva, mas aguenta-se lá desde que o meu bisavô era menino.

O que se come quando o mar está perto

Se chegar antes das 13h, experimente o caldo de nabos na Tia Lurdes — é aquele sítio com a porta azul, ao lado do cão amarelo. O ensopado de molho de fava parece coisa de sobrevivência, mas no dia de São João faz-se luto se não houver. As queijadas da Dona Alice acabam às 10h, é ir cedo ou chorar depois. Em setembro, quando a freguesia se enche de gente que só vem aos domingos, há bolo de véspera em todas as mesas. É doce que nem perdão, e serve-se em fatias que o padre diz que não pecam.

O que fica

Cá moram 528 pessoas, contadas ao domingo depois do jantar. São 26 km² onde o silêncio é tão grande que se ouve a vaca da vizinha a mastigar. Percorrer Capelo é andar entre o que foi e o que é — entre a lava que ainda está a esfriar e o pão que ainda está a aquecer. Quando o nevoeiro desce e o farol some, fica só o som das ondas e o cheiro a maresia misturado com fumo de lenha. É nestas horas que percebemos: a terra pode ter tremido, mas nós ficámos. E ficamos para contar.

Dados de interesse

Distrito
Ilha do Faial
Concelho
Horta
DICOFRE
470101
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteSem serviço ferroviário
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola básica
Habitação~1189 €/m² compra · 4.07 €/m² renda
Clima16.3°C média anual · 1658 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

50
Romance
30
Familia
35
Fotogenia
35
Gastronomia
45
Natureza
20
Historia

Descubra mais freguesias

Explore todas as freguesias de Horta, no distrito de Ilha do Faial.

Ver Horta

Perguntas frequentes sobre Capelo

Onde fica Capelo?

Capelo é uma freguesia do concelho de Horta, distrito de Ilha do Faial, Portugal. Coordenadas: 38.5861°N, -28.7956°W.

Quantos habitantes tem Capelo?

Capelo tem 528 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Capelo?

Capelo situa-se a uma altitude média de 272.5 metros acima do nível do mar, no distrito de Ilha do Faial.

Ver concelho Ler artigo