Artigo completo sobre São Mateus da Calheta: entre fortes e o Atlântico
Freguesia de pescadores na Terceira com a maior igreja rural da ilha
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A luz do fim de tarde bate na fachada do Cais de São Mateus quando os barcos entram na Baía do Negrito. Os pescadores amarram as embarcações às 17h30, hora certa. No cais, o peixe vende-se ao quilo, sem intermediários: chicharro a 4-5€, pargo a 8-12€, depende do dia. O diesel dos motores mistura-se com o sal e o cheiro fresco da captura.
A sentinela da costa sul
Quem navegava da Índia via primeiro a Igreja Velha, entre as baías do Terreiro e do Negrito. O furacão de 28 de agosto de 1893 destruiu o templo. Levantaram a atual Igreja de São Mateus em 1911 — 820 m², sete altares, o maior templo rural da ilha. Custou caro a uma comunidade de pescadores, mas lá está, em pedra e cal.
A costa tem dois fortes de pedra vulcânica. O Forte Grande, considerado "o melhor da costa" em 1776. O Forte do Negrito, de 1581, ainda tem muralhas intactas. Ambos abertos ao público, acesso livre.
Ermidas como constelação
Sete capelas marcam a freguesia, cada uma num bairro. Nossa Senhora da Candelária, São Tomás da Vila Nova, Santo António dos Milagres, São João Baptista, São Diogo, São Francisco das Almas, São Vicente. A da Luz, na Canada da Luz, construída em 1888. Dois Impérios do Espírito Santo mantêm as festas anuais: o do Cantinho (1860) e o do Terreiro (1873).
Peixe do dia seguinte
No Cais de São Mateus, compra-se peixe quando os barcos chegam. Não há lota, há pessoas. Chicharro, cavala, pargo — o que vier na rede. Nos restaurantes da vila, o peixe na mesa foi ontem no mar. Preço médio: 12-15€ por pessoa, inclui vinho da casa.
Água salgada e pedra negra
A Prainha tem piscinas naturais no basalto. Água a 18-20°C no verão, acesso gratuito. Estacionamento limitado: chegar antes das 11h ou depois das 16h. A costa segue com mais pequenas baías, mas são de acesso difícil — requerem bom calçado e cuidado com o mar.
Quando o sino da igreja toca às 19h, o som percorre a vila. No porto, mistura-se com as gaivotas e o mar. É este som que marca o fim do dia em São Mateus — o bronze, as aves, a água.