Vista aerea de Alfeizerão
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Leiria · CULTURA

Alfeizerão: terra de estufa, pêra e trabalho agrícola

Freguesia de Alcobaça onde a Pêra Rocha amadurece entre campos hortícolas e pomares certificados

3669 hab.
62.1 m alt.

O que ver e fazer em Alfeizerão

Património classificado

  • IIPPelourinho de Alfeizerão
  • SIPCastelo de Alfeizerão

Produtos com Denominação de Origem

Áreas protegidas

Festas e romarias em Alcobaça

Maio
Romaria de Nossa Senhora do Pé da Cruz Último domingo de maio romaria
Novembro
Festas da Cidade de Alcobaça Segundo fim de semana de novembro festa popular
Festival Internacional de Chocolate Seguda quinzena de novembro feira
ARTIGO

Artigo completo sobre Alfeizerão: terra de estufa, pêra e trabalho agrícola

Freguesia de Alcobaça onde a Pêra Rocha amadurece entre campos hortícolas e pomares certificados

Ocultar artigo Ler artigo completo

O cheiro da terra não é metafórico — é o composto de fertirrigação que se agarra à roupa quando o vento muda para nascente. A estufa do Sr. Joaquim, a primeira à esquerda na estrada para o Juncal, tem o plástico rasgado desde o temporal de outubro. De dentro vêm os gritos das trabalhadoras que cortam alface ao ritmo de uma música brasileira da RFM, os joelhos molhados de orvalho, os dedos dormentes de tanto frio. Alfeizerão acorda antes das seis, mas quem acorda são elas — as brasileiras, as ucranianas, as mulheres de Vestiaria que apanham o jipe às cinco e meia na rotunda. A estrada nacional não é cicatriz nenhuma; é o que há. De um lado os campos do Coelho (os que o pai herdou ao avô), do outro o pomar novo plantado em 2019 com fundos europeus — a Pêra Rocha ainda está a crescer, tem troncos finos como canas de pesca.

A geografia do cultivo

Os 438 jovens não estão aqui. Estão em Lisboa, em Leiria, no exército, no call-center. Os 1136 idosos é que continuam a marcar passo: o Zé Mário com as costas partidas de tanto carregar caixotes, a dona Albertina que ainda vai ao campo de xadrez mas já não consegue curvar-se para amarrar os tomates. A Maçã de Alcobaça que se fala nos papéis é a mesma que a Elisabete vende no Facebook Marketplace — 5 euros o saco de 5 quilos, entrega em mão na bomba da BP. A ginja vem de uma tiria que o pai da Paula plantou quando ela nasceu; agora é ela que engarrafa o licor aos sábados, entre uma mamada do bebé e o jantar dos miúdos. O azeite é de facto do Ribatejo — o marido da Paula é de lá, trouxe as oliveiras como dote.

O calcário não é influência geológica nenhuma. É o que se arranca sempre que se abre um buraco para plantar uma cova — pedras brancas que partem as pás, que o tractor atira para o lado da estrada, que depois aparecem nos muros das casas novas como decoração de quem não tem dinheiro para reboco.

Passagem e permanência

O Caminho de Torres passa aqui sim, mas ninguém lhe chama isso. É o "caminho dos espanhóis" — uns quantos gajos com mochilas coloridas que aparecem em maio, pedem água à porta da casa da Glória, fazem xixi no canto do pomar. Não há albergue, não há café — há a máquina de vendas da Coca-Cola na estação de servício, mas está desligada desde 2018. Os 47 alojamentos são quartos que as pessois arranjaram para pagar o crédito da casa — um deles é o sótão da Céu, tem ar condicionado e um colchão novo, 30 euros no Booking. O Mosteiro é o que é: fica a 8 quilómetros, custa 10 euros para entrar, tem WC público limpo.

O património classificado é a fonte da Carrasca — não tem estatuto nenhum, mas é o que há. Pedras de granito encostadas umas às outras, água que corre o ano todo, onde as raparigas iam lavar a roupa quando ainda não havade máquinas. Agora é onde os cães bebem e onde os miúdos atiram pedras aos sapos.

O sabor da certificação

A gastronomia é o que sobra. A pêra que cai no chão e não serve para exportar — essa é que é doce, com buraquinhos da mosca, que escorre pelo queixo quando morde. A ginja vem em garrafas de água de 2 litros, com o rótulo impresso em casa, colado com cola branca. O azeite é o que se vai buscar à cooperativa de Benedita, no bidão de 5 litros que depois se vai repondo nas garrafinhas de vidro de compota. A certificação DOP serve para o cliente de Lisboa pagar mais 50 cêntimos — aqui é tudo "pêra do pé" e "azeite nosso".

Ao fim da tarde, quando as brasileiras apanham o jipe de regresso a Vestiaria, quando o trator do Zé Mário finalmente para, Alfeizerão fica com o silêncio dos cães cansados. O plástico da estufa rasgada faz barulho de bandeira quando o vento vira. Amanhã há que estar às seis na rotunda — a Elisabete já tem 15 sacos de pêra encomendados.

Dados de interesse

Distrito
Leiria
Concelho
Alcobaça
DICOFRE
100102
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~1274 €/m² compra · 5.45 €/m² renda
Clima15.9°C média anual · 836 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

40
Romance
65
Familia
55
Fotogenia
45
Gastronomia
55
Natureza
45
Historia

Descubra mais freguesias

Explore todas as freguesias de Alcobaça, no distrito de Leiria.

Ver Alcobaça

Perguntas frequentes sobre Alfeizerão

Onde fica Alfeizerão?

Alfeizerão é uma freguesia do concelho de Alcobaça, distrito de Leiria, Portugal. Coordenadas: 39.4887°N, -9.0906°W.

Quantos habitantes tem Alfeizerão?

Alfeizerão tem 3669 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Alfeizerão?

Em Alfeizerão pode visitar Pelourinho de Alfeizerão, Castelo de Alfeizerão. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Alfeizerão?

Alfeizerão situa-se a uma altitude média de 62.1 metros acima do nível do mar, no distrito de Leiria.

Ver concelho Ler artigo