Buddha Eden Garden - Carvalhal - Portugal
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Leiria · CULTURA

Carvalhal: onde os pomares ditam o calendário do Oeste

Freguesia do Bombarral vive ao ritmo da Pêra Rocha DOP entre colinas de fruta e olivais centenários

2393 hab.
82.1 m alt.

O que ver e fazer em Carvalhal

Património classificado

  • IIPCapela do Carvalhal
  • IIPErmida de Nossa Senhora do Socorro
  • IIPTorre do Carvalhal, também denominada «dos Lafetas ou Lafeitas»

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Bombarral

Junho
Festa de São João 24 de junho festa popular
Julho
Romaria de Nossa Senhora do Carmo 16 de julho romaria
Setembro
Festa das Vindimas Segundo fim de semana de setembro festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Carvalhal: onde os pomares ditam o calendário do Oeste

Freguesia do Bombarral vive ao ritmo da Pêra Rocha DOP entre colinas de fruta e olivais centenários

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O granito da eira ainda queima os pés descalços quando o sol se deita atrás do Monte do Carvalhal. Aqui não há colinas — há montes pequenos, aqueles que as crianças sobem de olhos fechados para não ver o cemitério no cimo. Os pomares organizam-se como sempre: primeiro as pereiras das Eiras, depois as macieiras do Chão da Venda, tudo em patamares que o avô dizia ser "terra de vinho se lhe déssemos guarida". A 82 metros, dizem as cartas. Mas o que importa é que se vê a Serra de Aire ao longe quando a atmosfera está límpida — e isso acontece depois da chuva, quando o céu fica lavado e até se cheira o mar que não está lá.

O peso das peras

A Pêra Rocha nasceu aqui antes da DOP. O meu tio dizia que era "a fruta que partia os galhos" — e partia, literalmente. Em Agosto, os ramos faziam um estalo seco que se ouvia na noite quieta. Hoje é tudo diferentes: rede por baixo, toldos por cima, e os tractores da Cooperativa do Cadaval passam às sete da manhã com as caixas verdes já empilhadas. Mas o cheiro continua o mesmo: aquele doce adstringente que se agarra à roupa quando se passa com a janela aberta, entre as 17h30 e as 18h00, antes das máquinas de refrigeração começarem a rugir.

Dos 2393 habitantes, 768 têm mais de 65 anos. São números que não dizem nada até se ir à missa das 11h de domingo e se ver o padre a improvisar com três coros de velhas que se sentam sempre no mesmo banco. Mas há vida: os quartos que se alugam no Airbnb — 32, segundo a Câmara — estão cheios em Maio, quando os alemães vêm ver as orchideas selvagens nos muros de pedra. Pagam 80 euros por noite e perguntam onde se pode comer coelho à caçador. Responde-se que no Café Central, mas é preciso encomendar com antecedência porque a D. Lurdes só faz para quatro pessoas no mínimo.

Pedra que fala

O cruzeiro da Pedreira não está classificado — mas devia estar. Foi ali que o meu bisavô jurou que via a alma da mulher que morreu no parto, e até hoje ninguém passa lá à meia-noite sem se persignar. A pedra é granito de Martinchel, aquele que fica escuro quando chove. Nas ombreiras das portas, o granito vem de outro lugar — dizem que vinha de barca pela Ribeira de Cadima, quando ainda havia água para levar pedra. Hoje é um regacho seco onde os putos vão fumar os primeiros cigarros.

Ginja caseira

A ginjeira é árvore de quintal. A minha avó tinha duas: uma dava fruta para o licor, outra para as crianças comerem com sal (ficavam com a boca mais vermelha que depois de morderem um lápis de cor). O licor faz-se com aguardente da Lourinhã e açúcar mascavado. Deixa-se na talha de barro que foi da bisavó, na cave, durante seis luas. Não há receita escrita — vai-se sentindo. O copo é de plástico duro, daqueles que vinham com o leite em pó, e bebe-se de um trago só, antes do jantar, para "abrir o estômago".

Terra que se parte

Faz parte do Geopark, sim senhor. Mas o que isso quer dizer é que se pode encontrar amonites no meio da vinha — aquelas pedras com caracol dentro que os miúdos partem com pedras maiores. O calcário está em todo o lado: nas mãos das mulheres que trabalham a terra, no sabor da água da cisterna, na maneira como as couves crescem rápidas demais. À hora em que as luzes se acendem — primeiro a do Zé Manel, depois a da D. Graça, sempre em sequência — o ar fica com um cheiro a lenha de sobreiro que se mistura com o fermento das peras que caíram e ninguém apanhou. É nessa altura que se ouve o cão do Ti Silva a ladrar para o campo vazio, e se sabe que o dia acabou.

Dados de interesse

Distrito
Leiria
Concelho
Bombarral
DICOFRE
100502
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeCentro de saúde
Educação6 escolas no concelho
Habitação~1115 €/m² compra · 4.44 €/m² renda
Clima15.9°C média anual · 836 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

40
Romance
55
Familia
35
Fotogenia
40
Gastronomia
35
Natureza
30
Historia

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Perguntas frequentes sobre Carvalhal

Onde fica Carvalhal?

Carvalhal é uma freguesia do concelho de Bombarral, distrito de Leiria, Portugal. Coordenadas: 39.2900°N, -9.1306°W.

Quantos habitantes tem Carvalhal?

Carvalhal tem 2393 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Carvalhal?

Em Carvalhal pode visitar Capela do Carvalhal, Ermida de Nossa Senhora do Socorro, Torre do Carvalhal, também denominada «dos Lafetas ou Lafeitas». A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Carvalhal?

Carvalhal situa-se a uma altitude média de 82.1 metros acima do nível do mar, no distrito de Leiria.

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