Artigo completo sobre Arega: xisto, minas de ferro e procissões de agosto
Aldeia serrana de 721 habitantes entre pinhal e ribeiro, com moinhos desativados e memória mineira
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O xisto escuro da encosta aquece ao sol de agosto. O ribeiro passa por baixo da ponte e, no verão, forma tanques naturais onde os miúdos se atiram de cabeça. Arega tem 721 habitantes, 25 por km², e sobe até aos 310 m entre a serra da Lousã e a bacia do Zêzere.
Topónimo sem certezas: pode vir do latim arrica, pode ser anterior aos romanos. Serviu-se da água e do pinhal, pouco mais.
Igreja, minas e moinhos
A igreja matriz é setecentista, remodelada no século XIX. Retábulo dourado, azulejos de santos. Na freguesia há ainda a Capela de São Pedro, em Ferrarias da Foz de Alge, e dois moinhos de água desativados em ruínas.
Nas encostas a norte, as minas de ferro de Quinchosos e Mina à Fontinha deram trabalho até aos anos 50. Os buracos ainda se veem; o minério ia a burro até Figueiró dos Vinhos.
15 de Agosto e 6 de Janeiro
Na noite de 15 de agosto, a procissão de Nossa Senhora da Assunção leva tochas e trajes agrícolas pela rua principal. Depois há sardinhas, vinho tinto leve e pão de ló de Arega — fica húmido se não comer no dia.
Às 6 de janeiro, os grupos saem às 6 h para cantar as Janeiras. Oferecem-se bolachas, fruta e aguardente de medronho a quem abrir a porta.
Cabrito, feijão-negro e mel
O cabrito vai ao forno de lenha durante três horas; a pele tem de estalar. Serve-se com batatas e grelos salteados. O ensopado de borrego leva alecrim e segurelha. Acaba-se com bolinhos de noz e mel de rosmaninho — cola aos dedos.
Trilho dos Moinhos
Rota circular de 4 km: igreja → ruínas dos moinhos → Ferrarias → igreja. Marcagem amarela e branca. No outono, o chão fica tapado de ouriços. Levar água; não há café no percurso. Javalis são comuns ao entardecer; mantenha distância.