Peniche - Portugal 🇵🇹
Portuguese_eyes · CC BY-SA 2.0
Leiria · COSTA

Ferrel: Entre Pomares e o Atlântico de Peniche

Freguesia a 19 metros de altitude onde a agricultura e o mar definem o território e a vida local

2759 hab.
19.4 m alt.

O que ver e fazer em Ferrel

Património classificado

  • MNPraça-forte de Peniche
  • IIPCapela do Ferrel
  • IIPIgreja da Misericórdia de Peniche
  • IIPIgreja de Nossa Senhora da Ajuda
  • IIPIgreja de Nossa Senhora da Conceição (ou antiga Ermida de São Sebastião das Arieiras)

E mais 1 monumentos

Produtos com Denominação de Origem

Áreas protegidas

Festas e romarias em Peniche

Maio
Festa de Nossa Senhora de Fátima em Peniche 13 de maio festa religiosa
Agosto
Festival Maré de Agosto Último fim-de-semana de agosto festa popular
Romaria de Nossa Senhora da Boa Viagem 15 de agosto romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Ferrel: Entre Pomares e o Atlântico de Peniche

Freguesia a 19 metros de altitude onde a agricultura e o mar definem o território e a vida local

Ocultar artigo Ler artigo completo

A estrada desengata da península e baixa o pé no planalto. À esquerda, o matagal de searas queimadas pelo verão; à direita, a primeira cancela onde uma mula baça mastiga sem pressa. Ferrel começa assim: no cruzamento onde o cartaz “Vende-se” já perdeu metade das letras. Não se vê o mar, mas ele está — entra pela goela abaixo em cada golada de ar que sabe a maresia e a esterco de galinha.

São 2759 moradores, mas na prática são menos. Contam-se nos dedos os miúdos que ainda apanham o autocarro escolar às sete e meia; nas esquinas, os velhos de boné desfiado jogam sueca com baralho gasto. A geração do meio foi toda trabalhar para a Continental, para o turismo de Peniche ou para a construção que rebentou em 2008 e nunca mais voltou. Sobraram casas por acabar e terrenos que o tempo transformou em pasto.

Igreja, moinho e cisterna

A Igreja de São Pedro é do século XVIII, dizem. O que interessa é que a pedra está quente ao fim da tarde e serve de banco a quem espera pela boleia para o Baleal. Ao lado, o moinho perdeu as velas mas ainda tem o eixo de madeira onde as crianças engraxam os joelhos a deslizar. Mais acima, a cisterna romana é só um buraco com degraus escorregadios e uma placa que ninguém lê. O monumento nacional mesmo é a padaria da Dona Amélia: abre às seis, fecha às dez, e o pão de trigo custa setenta cêntimos. Se chegar tarde, leva broa doce e não reclame.

Ferrel faz parte do Geopark porque sim. No café, o pessoal ri-se: “Geopark é o que? Temos é pedra para o muro todo.” A verdade é que a arriba come-se aos poucos: cada inverno leva um bocado mais da falésia e deixa as casas de férias com o coração aos saltos. Das Berlengas vê-se só o reflexo branco no céu limpo; o que se sente é o dinheiro que os barcos deixam em Peniche e que aqui não chega.

Maçã que cai, pera que fica

Os pomares são retangulos de estacas de pinho que rangem quando o vento é de leste. A maçã é gala, a pera é rocha e ambas levam uma sova de caldo bordalês que deixa os frutos com sabor a ferro. Agosto é mês de estufa: dezenas de brasileiros subidos em escadas, sacos ao ombro, que cantam em portunhol para afastar o tédio. Em outubro, sobram as fraturadas — as que caíram no chão — e o caseiro vende ao público em caixas de 5 kg: 3 euros, leve mais duas peras de brinde. Não há prova gastronómica, há é marmelada feita pela mulher do Zé Manel que azeda se não comer no mês.

O alojamento local multiplicou-se nos quintais: garagens transformadas em estúdios, anexos com varanda de madeira plástica, nomes tipo “Sunset Ferrel” escritos com spray na parede. No verão, chega gente de mochila e prancha que enche o intermarché de cuecas molhadas. No inverno, fecha-se tudo e fica o silêncio — só o gerador da casa da esquina a roncar como velho asmático.

A hora em que o dia desce

Aqui o sol não se põe, foge. Rasga o horizonte às sete e meia, tinge as fachadas de laranja queimado e faz das pedras da igreja uma lareira viva. A sombra do cruzeiro alonga-se até ao campo de futebol onde o relvado é terra batida e a baliza não tem redes. O vento é o mesmo de sempre: levanta o pó da estrada, leva o fato de banho do estendal e bate na chapa do Opel Kadett que ninguém arranca desde 1997.

Quando escurece, apagam-se as candeeiros do campo de ténis e sobra apenas a luz da mercearia, aberta até às dez para vender cerveja aos peregrinos. O cão do Celestino ladra três vezes, depois cala-se: já sabe de cor o barulho de cada carro. E quando as janelas se fecham, entra pela rendilha do quarto aquele odor que é metade mijo de vaca, metade espuma de mar — o cheiro exacto de quem vive no ponto onde a terra acaba e o medo de afogar começa.

Dados de interesse

Distrito
Leiria
Concelho
Peniche
DICOFRE
101406
Arquetipo
COSTA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 13.3 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola secundária e básica
Habitação~1683 €/m² compra · 5.95 €/m² renda
Clima15.9°C média anual · 836 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

50
Romance
65
Familia
40
Fotogenia
35
Gastronomia
55
Natureza
45
Historia

Descubra mais freguesias

Explore todas as freguesias de Peniche, no distrito de Leiria.

Ver Peniche

Perguntas frequentes sobre Ferrel

Onde fica Ferrel?

Ferrel é uma freguesia do concelho de Peniche, distrito de Leiria, Portugal. Coordenadas: 39.3653°N, -9.3242°W.

Quantos habitantes tem Ferrel?

Ferrel tem 2759 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Ferrel?

Em Ferrel pode visitar Praça-forte de Peniche, Capela do Ferrel, Igreja da Misericórdia de Peniche e mais 3 monumentos classificados. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Ferrel?

Ferrel situa-se a uma altitude média de 19.4 metros acima do nível do mar, no distrito de Leiria.

Ver concelho Ler artigo