Vista aerea de União das freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Lisboa · CULTURA

Abrigada e Cabanas: vinhas e peras no sopé da Serra

Duas aldeias unidas pela vinha DOC Alenquer e pela tradição frutícola no coração rural de Lisboa

4157 hab.
98.6 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Alenquer

Maio
Festa do Divino Espírito Santo Pentecostes festa religiosa
Junho
Feira Franca de São João 25 de junho feira
Festa de São João 24 de junho festa popular
ARTIGO

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Duas aldeias unidas pela vinha DOC Alenquer e pela tradição frutícola no coração rural de Lisboa

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O sol da tarreirinha escorre pela Serra de Montejunto como azeite num prato e, quando chega às vinhas, pára. Fica ali, a espreguiçar-se entre os carreiros, enquanto o pessoal da Adega da Labrugeira despacha os últimos baldes antes de ir para casa jantar. Dizem que são 85 sócios, mas conta-se que pelo menos metade já assinou a reforma — agora deixam os netos conduzir o tractor e limitam-se a apontar com o indicador: “aquela vinha é minha, a do lado é do Zé Manel”.

A fusão Abrigada-Cabanas de Torres foi em 2013. Ninguém liga muito: quando se vai ao café pede-se “um imperial” e pronto. Abrigada tem o talho onde ainda se corta à faca e se fala do tempo; Cabanas tem o cruzamento para Torres Vedras onde a GNR gosta de se esconder atrás do muro. Entre uma coisa e outra cabem 46 km², duas escolas básicas, um centro de saúde que abre quando abre e 4157 almas que, no censo, dizem viver cá mas metade só cá dorme ao fim-de-semana.

Vinhas que pagam contas

A vinha é o que restou quando a cereja, o amendoim e o feijão-frade deixaram de dar lucro. O calário da terra dá aquele toque mineral que os enólogos de Lisboa descrevem como “elegante”; o pessoal da terra chama-lhe “água com giz” e segue em frente. O vinho sai bem, sobretudo o branco que o restaurante de Benfica do Pato compra a granel e serve a 4€/garrafa. Para ver as vinhas de perto vá de manhã cedo, antes do calor apertar — leve água, porque o café da Labrugeira só abre às nove e meia e não tem pacote de bolachas desde 2019.

Pêra Rocha — o filho que ninguém quer apresentar

A Pêra Rocha existe, mas em quantidades que cabem num citrino. Os pomares estão espalhados atrás das casas, onde se plantou “para aproveitar o terreno”. Em Março cheira bem; em Agosto sobra tanto que se deixa na porta dos vizinhos com um bilhete: “se quiser, leve”. A DOP orgulha-se; cá orgulha-se quem consegue vendê-la ao fruteiro de Alenquer sem levar puxão de orelhas pelo tamanho.

Caminhar sem pressa

O Caminho de Santiago passa aqui, mas não espere albergues nem setas luminosas. Há umas marcas amarelas que o João Zé Pintou com tinta da sucata e já vão desbotadas. Quem vem é espanhol perdido ou francês que confundiu o GPS. Levem pão e fiambre — não há cafés no meio do caminho e o único fontanário que funciona é o da Fonte Santa, onde as senhoras vão buscar água para a sopa. O Geopark diz que as pedras são fósseis; o que se vê são muros de pedra seca que o pai do Adelino fez para o gado não fugir e que hoje servem para os alemães tirarem fotos.

Domingo ao meio-dia

Nos parques de merenda acontece o que interessa: churrasco de espetada de borrego, garrafão de tinto e o rádio no máximo. Chegue antes das treze senão fica sem mesa — os miúdos já tomaram conta dos baloiços e os avis gritam “salta, mas não te partas!” A densidade populacional é de 90 hab./km², o que quer dizer que há sítio para estacionar a carrinha ao lado do balcão sem pagar estacionamento.

Quem fica, quem sai

São 504 crianças, 1127 reformados e um punhado de gente que trabalha fora e regressa às sete para jantar sopa de tomate. A escola de Abrigada ainda tem três turmas; a de Cabanas fundiu-se e agora leva-se o miúdo de carro, reclamando do gasóleo. O médico vem três vezes por semana — marque o dia antes, senão fica para a semana seguinte. A farmácia tem de tudo, menos atendimento aos sábados à tarde, que é quando a ressaca da espetada aperta.

Último copo

Às oito e meia o sol desce atrás da serra e as vinhas parecem moedas de cobre. O café encerra às nove, mas o Sr. António fica até às nove e um quarto se pedir “mais um” com jeitinho. Não há espetáculo, nem música ambiente — só o rádio da cozinha a dar “Pimba” e o som do vinho a cair no copo. É isso. Quando o copo acaba sabe a terra, a uva e a cal — e sabe sempre ao mesmo, o que, por cá, é sinal de que está tudo bem.

Dados de interesse

Distrito
Lisboa
Concelho
Alenquer
DICOFRE
110117
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 13.6 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~1389 €/m² compra · 6.39 €/m² renda
Clima17.2°C média anual · 590 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

40
Romance
40
Familia
30
Fotogenia
45
Gastronomia
45
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres

Onde fica União das freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres?

União das freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres é uma freguesia do concelho de Alenquer, distrito de Lisboa, Portugal. Coordenadas: 39.1371°N, -9.0357°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres?

União das freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres tem 4157 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de União das freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres?

União das freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres situa-se a uma altitude média de 98.6 metros acima do nível do mar, no distrito de Lisboa.

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