Vista aerea de Montelavar
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Lisboa · CULTURA

Montelavar: pomares e cal na serra de Sintra

Freguesia rural onde a altitude modela a paisagem entre pereiras, muros caiados e lavadouros antigos

5754 hab.
151.9 m alt.

O que ver e fazer em Montelavar

Património classificado

  • IIPPenedo de Lexim
  • IIPPonte antiga em Cheleiros
  • SIPVilla romana da Granja dos Serrões

Produtos com Denominação de Origem

Áreas protegidas

Festas e romarias em Sintra

Junho
Festa de São Pedro 29 de junho festa popular
Festival de Sintra Junho e julho festa popular
Agosto
Festa da Nossa Senhora da Estrela 15 de agosto festa religiosa
Setembro
Romaria de Nossa Senhora da Penha Primeiro domingo de setembro romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Montelavar: pomares e cal na serra de Sintra

Freguesia rural onde a altitude modela a paisagem entre pereiras, muros caiados e lavadouros antigos

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O vento chega de sudoeste, carregado da humidade que a Serra de Sintra retém como uma esponja verde, e atravessa os campos abertos com um assobio baixo que faz ondular as copas das pereiras. A estrada estreita sobe em curvas suaves até aos cento e cinquenta metros de altitude, e ali, onde o horizonte se alarga e o casario se espalha sem pressa entre muros caiados e hortas muradas, o ar muda. Já não cheira ao alcatrão quente da periferia lisboeta. Cheira a terra lavrada, a erva cortada de fresco, ao calcário húmido que aflora nos caminhos entre parcelas agrícolas. É aqui que começa Montelavar — ou o que resta da sua identidade administrativa, extinta em 2013, mas viva em cada esquina onde alguém ainda diz "a minha freguesia" com a naturalidade de quem nunca precisou de um decreto para saber onde pertence.

O nome que veio da água e do monte

Montelavar carrega a sua geografia no próprio nome: "monte", a elevação suave que a distingue das várzeas em redor; "lavar", uma referência provável aos cursos de água e lavadouros que durante séculos serviram a vida quotidiana desta comunidade rural. A origem medieval da povoação inscreve-a na história profunda do concelho de Sintra, numa época em que o interior serrano vivia do trabalho da terra e dos ritmos ditados pelo sol e pela chuva. Quando a reforma administrativa de 2013 agregou Montelavar a São João das Lampas, o mapa mudou, mas a paisagem — e as pessoas que a habitam — permaneceu. Hoje, cerca de 5754 habitantes distribuem-se por quase 862 hectares de um território onde a densidade populacional, pouco acima de 269 habitantes por quilómetro quadrado, permite ainda que cada casa tenha o seu quintal, cada quintal a sua figueira ou o seu tanque de rega.

Duas igrejas, dois silêncios

O coração patrimonial de Montelavar bate em dois edifícios classificados como Imóvel de Interesse Público. A Igreja Matriz, reconstruída após o terramoto de 1755 com a data de 1781 gravada na sua fachada de pedra lioz, ergue-se com a solidez de quem já viu gerações inteiras nascerem e morrerem à sua sombra. O retábulo-mor, talhado em madeira de lei e dourado, foi mandado fazer pelo provedor da Santa Casa da Misericórdia de Colares em 1792 — um detalhe que os mais velhos ainda apontam quando mostram a igreja aos netos. A poucos minutos, a Capela de São Brás oferece um registo diferente: construída no século XVI como capela votiva contra a peste, tem uma porta lateral estreita que servia para os doentes receberem a comunhão sem entrar. As suas paredes de pedra local, tão grossas que mantêm o fresco mesmo em Agosto, contam como as comunidades aqui resistiram às crises com fé e distância.

Caminhos entre vinhas e pereiras

Montelavar integra o Parque Natural de Sintra-Cascais desde 1994 e faz parte da Paisagem Cultural de Sintra, classificada como Património Mundial pela UNESCO em 1995 — uma distinção que, neste caso, não se traduz em multidões de turistas com tripés, mas numa protecção silenciosa que mantém os trilhos rurais transitáveis e os campos cultivados. A Quinta da Ribafria, com o seu palacete do século XVI e a sua levada de água ainda funcional, lembra que esta era terra de fidalguia rural que mandou construir a capela da Senhora da Saúde em 1568 para servir a população local.

Caminhar por aqui é percorrer um mosaico de parcelas agrícolas onde a Pêra Rocha do Oeste DOP amadurece nos pomares. A Cooperativa Agrícola de Montelavar, fundada em 1961, ainda reúne 120 associados que garantem que 70% da produção local chega aos mercados com selo de origem. Na herdade dos Gafanhas, as vinhas plantadas em 1953 sobretudo de casta Arinto produzem um vinho branco que o restaurante Adega Regional tem servido desde 1987 — o mesmo ano em que o pai do actual proprietário decidiu abrir a cozinha onde ainda se faz o ensopado de borrego como a avó ensinou.

O Caminho de Santiago, na variante do Caminho da Costa, atravessa esta zona desde 2017, quando a associação local marcou os 12,5 quilómetros que passam pela freguesia com as setas amarelas habituais. Há quem pare no Café O Serrano, aberto desde 1973, para beber um café de saco e comer um queijada caseira feita pela D. Fernanda — ela que começou a ajudar a mãe com 14 anos e hoje, aos 73, ainda levanta às cinco da manhã para fazer o pão de deus.

Uma freguesia que se recusa a ser apenas um mapa

Os números contam uma história que merece atenção: 815 jovens e 1331 idosos. Montelavar envelhece, como tantas outras freguesias do interior periurbano, mas não definha. A Escola Básica do 1.º ciclo, com as suas 6 salas, recebe 78 alunos este ano — menos de metade dos 180 que tinha em 1995, mas ainda mantém a biblioteca aberta às tardes graças ao projecto "Ler na Aldeia" que a Câmara de Sintra financia desde 2018. Os nove alojamentos registados — moradias e quartos, sem grandes unidades hoteleiras — sugerem um turismo de escala humana. A Casa do Avô, recuperada em 2019 por uma família de Lisboa que aqui passava férias na infância, é exemplo de como os antigos celeiros se transformam em casas de férias sem perder as janelas de madeira nem as paredes de pedra de xisto.

O peso de uma pêra na palma da mão

Quem sai de Montelavar leva consigo uma imagem que não encontra em nenhum postal: a de uma pêra Rocha colhida da árvore, ainda morna do sol de Setembro, com aquela textura granulosa a ceder sob a pressão do polegar. Na quinta do Seixal, onde a família Costa cultiva pereiras desde 1923, o Sr. Joaquim, de 84 anos, explica que a primeira Rocha foi descoberta em 1836 num quintal em Sintra — e que as suas árvores descendentes produzem o fruto que manda para o mercado de São João das Lampas todas as sextas-feiras. O sumo escorre pelo pulso, doce e ligeiramente ácido, e nesse gesto simples — morder uma fruta no sítio exacto onde cresceu — concentra-se tudo o que esta antiga freguesia, com ou sem existência administrativa, continua a ser: um pedaço de terra que produz, que alimenta, que persiste.

Dados de interesse

Distrito
Lisboa
Concelho
Sintra
DICOFRE
111131
Arquetipo
CULTURA
Tier
vip

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola secundária e básica
Habitação~2014 €/m² compra · 9.32 €/m² renda
Clima17.2°C média anual · 590 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

50
Romance
60
Familia
50
Fotogenia
45
Gastronomia
45
Natureza
45
Historia

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Perguntas frequentes sobre Montelavar

Onde fica Montelavar?

Montelavar é uma freguesia do concelho de Sintra, distrito de Lisboa, Portugal. Coordenadas: 38.8708°N, -9.3143°W.

Quantos habitantes tem Montelavar?

Montelavar tem 5754 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Montelavar?

Em Montelavar pode visitar Penedo de Lexim, Ponte antiga em Cheleiros, Villa romana da Granja dos Serrões. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Montelavar?

Montelavar situa-se a uma altitude média de 151.9 metros acima do nível do mar, no distrito de Lisboa.

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