Vista aerea de União das freguesias de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Lisboa · COSTA

Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa: terra de sal e rio

Duas localidades unidas pelo Tejo, entre fábricas, flamingos e o primeiro voo motorizado português

40 871 hab.
49 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa

Património classificado

  • IIPDois obeliscos ladeando a EN 12-1ª, ao km 13,895
  • IIPIgreja de Nossa Senhora da Piedade
  • IIPQuinta de Valflores
  • IIPQuinta e Palácio de Nossa Senhora da Piedade

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Artigo completo sobre Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa: terra de sal e rio

Duas localidades unidas pelo Tejo, entre fábricas, flamingos e o primeiro voo motorizado português

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O vento que desce do estuário traz um travo que nem é sal, nem é lama, é aquela coisa que cola à pele e faz o casaco cheirar a sábado passado. É o mesmo cheiro que os miúdos da Póvoa aprendem a reconhecer antes de saberem escrever o nome da rua — uma espécie de bússola olfativa que diz “estamos em casa”. A luz da manhã bate nos prédios como quem acorda um gato: devagar, para não levantar mau humor. Estamos na Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, duas aldeias que o papel oficial juntou em 2013 mas que o rio já tinha casado há séculos.

O forte, a fábrica e o aeroplano

Forte da Casa tem aquele nome de quem não quer iludir ninguém: há um forte, há casas, pronto. O forte é do século XV, construído quando o Tejo era a A1 da época — quem controlava o rio, controlava o país. Hoje é um monte de pedra com vista para a estação de comboios, mas ainda assim dá jeito para explicar aos visitantes por que razão aquela rotunda tem um nome tão pomposo.

A Póvoa cresceu ao lado, mais devagar, a olhar para o sal que o estuário deixava nas lagoas. Depois veio a fábrica da Solvay em 1934 e o sal deixou de ser notícia — passou a ser o cloro, o cabo-do-fogo, o cheiro a ovo estragado que as avós diziam “fazer bem aos brônquios”. Entre uma coisa e outra, lá para 1912, um tal Alberto Sanches de Castro meteu um motor numa caixa de latas e voou. Foi o primeiro voo motorizado do país, aí ao lado do mouchão, onde hoje os pescadores fingem que não estão a ver os flamingos.

Quarenta mil vizinhos entre a planície e a maré

São 40 871 habitantes, diz o papel. Na prática, são 40 871 especialistas em linhas de comboio: sabem que o 16270 tem atraso crónico e que o 16278 só serve para inglês ver. Vivem empilhados em 9 km² — é tão denso que os vizinhos do 3ºD sabem o que o pessoal do 5ºE janta às sextas. Mas ninguém se queixa muito: há um continente aberto até às 22h, um café onde o galão ainda custa menos de um euro e um hostel para quando a cunhada de Cascais vem visitar e não quer dormir no sofá.

Arroz das lezírias, pêra dos pomares

O arroz carolino é como o Ronaldo: nasceu aqui perto, mas é de todos. Coza-o comum suficiente, deixe-o lá a abrir durante meia hora e verá porque é que os velhos dizem que “o arroz da Póvoa não é comido, é abraçado”. Junte uma pera rocha bem madura — aquela que faz um som seco quando a parte ao meio — e tem o jantar perfeito para quando a RTP1 tem filme português. Beba o que quiser: há branco da região que não engorda nem magra, serve só para acompanhar.

O estuário como catedral

A verdadeira igreja aqui é o estuário. Não tem campas, tem flamingos; não tem padre, tem garças. No Inverno, os pássaros descem em bandos como turistas alemães — organizados, barulhentos, com roteiro marcado. O chão é tão plano que o céio parece tampa de panela: quando está cinzento, aperta-nos a respiração; quando está azul, até o gato se esquece de siesta e vai espreitar o rio. Leve binóculos, leve água, leve um pão com chouriço para comer no fim — não há melhor altar.

O primeiro fim-de-semana de Setembro

É quando a Póvoa vesti a camisola de futebol: Nossa Senhora da Piedade. Há quem diga que é a padroeira, há quem diga que é a desculpa para a festa. Importa é que as bifanas são grandes, as roscas são quentes e o zucol atrasa a vida a quem ousa atravessar a rua. A manjedoura é no Largo do Coreto, mas a procissão é na Avenida da Liberdade — sim, aquela com o continente e o semáforo que nunca está verde. É a única altura do ano em que o estuário fica em segundo plano: o cheiro a sardinha queimada sobrepõe-se ao sal, e até os flamingos parecem perceber que é melhor não aparecer.

O que fica depois da maré

Quando se vai embora, leva-se na sola dos sapatos uma areia fina que não sai nem com aspirador. É a Póvoa a dizer “volte quando quiser”. E a gente volta — se não for pela língua de calçada que ainda guarda o sal, será pelo 16270 que, apesar de tudo, lá vai chegando a horas.

Dados de interesse

Distrito
Lisboa
DICOFRE
111415
Arquetipo
COSTA
Tier
vip

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola secundária e básica
Habitação~1897 €/m² compra · 8.94 €/m² renda
Clima17.2°C média anual · 590 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

50
Romance
65
Familia
40
Fotogenia
55
Gastronomia
45
Natureza
30
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa

Onde fica União das freguesias de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa?

União das freguesias de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa é uma freguesia do concelho de Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa, Portugal. Coordenadas: 38.8686°N, -9.0657°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa?

União das freguesias de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa tem 40 871 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em União das freguesias de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa?

Em União das freguesias de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa pode visitar Dois obeliscos ladeando a EN 12-1ª, ao km 13,895, Igreja de Nossa Senhora da Piedade, Quinta de Valflores e mais 1 monumentos classificados. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de União das freguesias de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa?

União das freguesias de Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa situa-se a uma altitude média de 49 metros acima do nível do mar, no distrito de Lisboa.

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