Vista aerea de Ansiães
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Porto · CULTURA

Ansiães: Onde a Altitude Molda a Vida na Serra

797 metros de altitude, gado maronês e mel das Terras Altas definem esta freguesia de Amarante

516 hab.
796.8 m alt.

O que ver e fazer em Ansiães

Património classificado

  • IIPPousada de São Gonçalo

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Amarante

Janeiro
Romaria de São Gonçalo 10 de janeiro romaria
Junho
Festas de São Gonçalo Primeiro fim de semana de junho festa popular
Setembro
Festa das Vindimas Segundo fim de semana de setembro festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Ansiães: Onde a Altitude Molda a Vida na Serra

797 metros de altitude, gado maronês e mel das Terras Altas definem esta freguesia de Amarante

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A névoa não cai, sobe do Tâmega como se o rio tivesse memória. A 797 metros, o ar corta os pulmões mesmo em plena manhã de São João — quem vem do Porto nota-o logo, o mesmo ar que faz as crianças daqui tossirem ao acordar. O granito das paredes antiga-se a cada inverno; nas casas abandonadas, o reboco cai em lascas que parecem pele de serpente. Ansiães não é um punhado: é uma teia de casas que se agarram à serra como quem tem medo do vento.

Onde o gado marca a hora

As maronesas descem às nove da manhã, sobem ao cair da noça. Não é poesia — é o ritmo que conheço desde miúda, quando ia buscar o leite à casa do Sr. António. As vacas de pelagem de noite de outono pastam onde o meu avô semeava centeio; agora só o centeio-bravo cresce entre as pedras. Em Dezembro, quando a estrada nacional corta, os estábulos fumegam e o cheiro a feno molhado entranha-se nos casacos. A carne — sim, tem aquela gordura entretecida que se derrete na frigideira — sabe ao que a serra deixa crescer devagar.

O mel é outra história. O meu tio mantém colmeias no lameiro de baixo — onde as raparigas da aldeia iam fazer ginástica no verão (sim, é verdade). O mel de urze é tão escuro que parece café, e amargo que nem todos gostam. Quem o prova no estrangeiro escreve a pedir mais: "envia-me daquele que sabe a pinho e a terra molhada".

O peso do vazio

Dezoito pessoas por quilómetro quadrado significa que posso ir buscar pão à padaria do Carvalho e não cruzar com ninguém. Significa que a casa da Dona Rosa — aquela com a figueira que esmagava o telhado — agora é só figueira e telhado. Dos 516, conheço 400 pelos apelidos: há mais Fernandes do que dias de chuva. As crianças — essas 33 — são netos que ficaram. A escola fechou no ano em que o Simão partiu para França; agora a sala serve para junta de freguesia e para guardar os enxertos que ninguém planta.

Mas o vazio tem peso. Os javalis vêm comer as batatas da minha mãe em Outubro. As águias-d'asa-redonda sobrevoam o adro da igreja como se fossem de casa. E há manhãs — especialmente depois da primeira neve — em que o silêncio é tão completo que oiço o sangue a bater-me nos ouvidos.

Pedra que fala

A Igreja de São Mamede tem uma pedra com uma marca de bala — dizem que foi no 28, mas o meu avô dizia que foi o seu avô a brincar com a espingarda. O granito é o mesmo de sempre: cinzento-azulado, com veias de quartzo que brilham ao sol da tarde. As capelas brancas — há três — cheiram a cera de vela e a tochas de festa. Na romaria, o padre ainda vai de carro até ao Marco porque as senhoras não conseguem descer a encosta de salto alto.

Vinho que magoa

As vinhas do Sr. Jaime ficam no alto do Caramanchão — onde o vento norte te faz chorar. São uvas de loureiro, mas o vinho não tem nada daqueles verdes doces do Minho. É ácido que corta, com um travo de xisto que fica na língua. Bebe-se em copos pequenos, com tremoços e conversa de tacho. Quem vem de fora torce o nariz; nós chamamos-lhe "vinho de homem".

Há duas casas para turistas — uma é a casa onde nasci, agora com aqueles chineses de Lisboa que vieram "viver da terra". Não há sinais, não há rotas. Há o silêncio que pesa às quatro da tarde, o cheiro a lenha que se queima mal o sol se põe, e a certeza — que ninguém diz em voz alta — de que isto vai acabar quando as máquinas deixarem de pegar e os últimos cães morrerem.

Dados de interesse

Distrito
Porto
Concelho
Amarante
DICOFRE
130103
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 11.2 km
SaúdeHospital no concelho
Educação38 escolas no concelho
Habitação~861 €/m² compra · 3.88 €/m² rendaAcessível
Clima15.4°C média anual · 1400 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

60
Romance
35
Familia
40
Fotogenia
55
Gastronomia
40
Natureza
25
Historia

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Perguntas frequentes sobre Ansiães

Onde fica Ansiães?

Ansiães é uma freguesia do concelho de Amarante, distrito de Porto, Portugal. Coordenadas: 41.2485°N, -7.9322°W.

Quantos habitantes tem Ansiães?

Ansiães tem 516 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Ansiães?

Em Ansiães pode visitar Pousada de São Gonçalo. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Ansiães?

Ansiães situa-se a uma altitude média de 796.8 metros acima do nível do mar, no distrito de Porto.

59 km de Porto

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