Artigo completo sobre Figueiró: onde o granito encontra os vinhedos do Tâmega
União de Santiago e Santa Cristina preserva vinhas em socalcos e tradição da Carne Maronesa DOP
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O granito escurece com a humidade. A 370 metros, vinhedos em socalcos usam ainda os pergolados tradicionais - madeira que suporta a videira, não arame. Entre casas dispersas, o ribeiro Correia desce ao Tâmega. O cheiro a lenha queima é constante.
A geometria da vinha e da pedra
Oito quilómetros quadrados, 3634 habitantes. Mas os números mentem: são 1850 na vila, o resto espalhado por 30 lugares. As casas de granito viram-se a sul, protegidas do norte. Nas eiras, milho seque até Outubro. Nos lagares comunitários, o vinho verde fermenta em cubas de cimento - bebe-se nos primeiros seis meses, acompanha rojões ou o bacalhau que se compra no Continente de Amarante.
739 têm mais de 65 anos. 453 crianças. As duas escolas primárias fecharam em 2012. As mercearias resistem duas: uma em Figueiró, outra em Santiago. O café da praça abre às 7h, serve bicas a 60 cêntimos. Às quartas há mercado - três bancas de legumes, uma de peixe.
O território do sabor
Carne Maronesa DOP: gado castanho que sobe os pastos até 800 metros. Mata-se entre Setembro e Dezembro, vende-se em Amarante a 12-14 euros/kg. O talho Silva, aberto desde 1978, mantém a lista de espera.
Mel das Terras Altas do Minho DOP: 12 produtores na freguesia. Cor âmbar, textura densa. Vende-se na mercearia de Santiago a 8 euros/kg ou no mercado de sábado em Amarante.
O quotidiano sem pressa
Não há posto de turismo. Nem sequer um mapa na estrada.
Caminhar: seguir o CM1077 até Santiago, virar na estrada de terra depois do cemitério. São 4 km até à capela de São Bento, passando por cinco quintas e duas fontes de água potável. O tractor do Sr. António passa às 8h e às 18h - acene, ele para.
As festas: São Tiago (25 de Julho) - procissão às 16h, arraial na praça com sardinha a 2 euros. Santa Cristina (24 de Julho) - missa às 11h, almoço coletivo no campo de futebol (inscrição na junta, 10 euros).
Às 18h, o sino toca. O fumo sobe direito. Não é silêncio - é o tractor do Zé que desce a quinta, o cão do Sr. Manuel que ladra, a lenha a estalar. Um lugar que mede o tempo pela vindima e pela matança, não pelo relógio.