Vista aerea de União das freguesias de Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Porto · CULTURA

Santa Cruz e São Tomé: onde o Douro encontra a pedra

Socalcos de vinha, regos romanos e igrejas centenárias entre o rio e a montanha de Baião

1654 hab.
271 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas

Património classificado

  • MIPCasa de Agrelos, incluindo Capela, terraço com balustrada e jardim de buxo

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Baião

Julho
Festa da Senhora de ao Pé da Cruz Segundo domingo festa popular
Agosto
Festa de São Bartolomeu Dias 23 e 24 festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Santa Cruz e São Tomé: onde o Douro encontra a pedra

Socalcos de vinha, regos romanos e igrejas centenárias entre o rio e a montanha de Baião

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O sol rasante da tarde acende o xisto dos muros em tons de bronze e cobre. Nos socalcos que descem em degraus irregulares até ao Douro, a videira enrola-se em arames tensos, e o vento traz o cheiro a terra seca misturado com o aroma adocicado de esteva. Ao longe, o sino da Igreja Paroquial de Santa Cruz marca as cinco badaladas — som que se perde na curva do rio antes de chegar a Covelas, onde o vento já não o leva. É aqui, entre Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas, que a montanha e o Douro se encontram sem pressa, tecendo uma paisagem de pedra, água e costelas partidas.

Duas aldeias, uma história comum

A união formal destas duas freguesias aconteceu em 2013, mas quem cá vive sabe que sempre foram vizinhas de sempre — separadas por um vale e umas quantas curvas, unidas pelos mesmos caminhos de terra batida. Santa Cruz do Douro deve o nome a uma antiga capela erguida no cimo da ladeira, onde as mulheres iam rezar para o parto correr bem. O cruzeiro de pedra do século XVI, junto à estrada, tem uma inscrição latina que ninguém lê há gerações — mas os mais velhos dizem que foi mandado fazer por um homem que sobreviveu à queda de um cavalo. Em São Tomé, a Igreja Matriz foi reconstruída no século XIX com pedras da antiga, mantendo o campanário sineiro que soa desafinado quando está frio.

Água que corre em regos antigos

Caminhar pelos trilhos é descobrir que a água tem memória. Os regatos — canais de pedra aberta que os avós chamavam de "levadas" — ainda trazem água das nascentes para as hortas em dias alternados, segundo a tabela que ninguém ousa alterar. A ribeira de São Tomé, que desce a saltos entre carvalhais, guarda nas poças o reflexo dos moinhos abandonados: três no total, o do Penedo ainda tem a roda presa ao eixo, mas o telhado caiu no ano passado. O Caminho dos Socalcos, que começa atrás da taberna do Sr. António, sobe por entre muros onde crescem figos silvestres — quem os prova fica com os dentes presos. No miradouro do Carril, o Douro aparece em pleno serpenteamento, mas é o cheiro a urze queimar no outro lado da encosta que marca o fim de tarde.

Festas que acordam a aldeia

Em maio, a procissão da Senhora de Ao Pé da Cruz sobe a ladeira com velas de cera de abelha que gotejam nas mãos das crianças. As cantigas ao desafio já não são como antigamente — agora há uma senhora de Viseu que vem de microfone — mas o bolo doce ainda se faz no forno do Zé Manel, com canela da horta e açúcar mascavado. Em agosto, São Bartolomeu traz gente que já não cá mora: os emigrantes que voltam para mostrar os netos, os filhos dos filhos que não sabem o nome das ruas. No concurso de pão, ganha sempre a D. Rosa, mas ninguém se importa porque ela traz manteiga caseira para toda a gente. O Cortejo do Ramo, no Domingo de Pentecostes, aguenta-se por quatro velhas que ainda sabem fazer as coroas de louro — as crianças querem é os rebuçados que a farmácia oferece. Em novembro, há quem deixe ainda o pão na mesa para as almas, mas é mais por hábito que por crença.

Sabor a lenha e pedra quente

A cozinha nasce do forno que o pai do Zé construiu em 72, com tijolos da antiga escola. O cozido leva chouriça de porco preto que o vizinho troca por vinho, e a couve vem da horta onde a neta plantou sementes que trouxe de França. O bacalhau vai ao forno com batatas ao quadrado — "nem muito grossas nem muito finas", como a mãe ensinou — e a broa é da Padaria Central, que ainda vai às 4 da manhã. O cabrito é do Sr. Joaquim, que os cria atrás da casa e mata-os no outono; leva alho da terra e louro da moita junto à estrada. Os bolinhos de São Tomé são mistério: cada casa tem a sua receita, mas ninguém revela se leva mais batata-doce ou mais farinha. O mel é do Celestino, que tem colmeias na serra e vende em potes de vidro que guarda o ano todo — tem gosto de esteva quando chove, de rosmaninho nos anos de seca.

Onde o xisto guarda o calor do dia

Ao cair da noite, os muros ainda queimam as costas de quem se senta. O silêncio é denso, mas não é total: há o cão do Abílio que ladra para o nada, o trator do Zé que aquece antes de ir para casa, a televisão da D. Amélia que se ouve pela janela aberta. O cheiro a lenha mistura-se com o fumo das folhas que queimam nos jardins — é tempo de limpar as vinhas. O Douro, lá em baixo, torna-se uma faixa sem luz onde se perde o olhar. É este cheiro a terra quente e a fumo verde que fica na roupa, lembrança de um lugar onde as pedras sabem os nomes de quem as colocou.

Dados de interesse

Distrito
Porto
Concelho
Baião
DICOFRE
130225
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola básica
Habitação~568 €/m² compra · 2.63 €/m² rendaAcessível
Clima15.4°C média anual · 1400 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
55
Familia
35
Fotogenia
30
Gastronomia
25
Natureza
25
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas

Onde fica União das freguesias de Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas?

União das freguesias de Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas é uma freguesia do concelho de Baião, distrito de Porto, Portugal. Coordenadas: 41.1242°N, -7.9955°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas?

União das freguesias de Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas tem 1654 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em União das freguesias de Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas?

Em União das freguesias de Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas pode visitar Casa de Agrelos, incluindo Capela, terraço com balustrada e jardim de buxo. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de União das freguesias de Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas?

União das freguesias de Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas situa-se a uma altitude média de 271 metros acima do nível do mar, no distrito de Porto.

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