Artigo completo sobre Valadares: Moinhos, Teares e Feiras de Gado no Douro
Freguesia de Baião onde o granito, o linho e a tradição resistem a 595 metros de altitude
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O granito da ponte ressoa oco sob os passos, a água do Ovil corre cinco metros abaixo. É sábado, o moinho acorda: roda de madeira a ranger, cheiro a farinha fresca. Valadares fica a 595 metros, tem 733 habitantes e 992 hectares de soutos e terra cultivada.
Onde o vale dá
Nome vem do latim vallis dare. Deu milho, linho, batata, castanha durante séculos. Primeira referência nos forais de Baião em 1514. Igreja Matriz ergue-se sobre capela medieval, azulejos do século XIX. Retábulo barroco dentro, cruzeiros de granito lá fora.
Carvalho de 400 anos junto ao Cruzeiro do Lameiro. Árvore de Interesse Público. Primeiro sábado de cada mês: feira de gado no adro da igreja. Gado, estrume, vinho verde. Continua desde o foral de 1514.
Teares, mel e pão
Maria da Conceição Valadares morreu em 2003. Teares dela ainda funcionam em casas da freguesia. Linho cultivado aqui, fiado aqui, tecido aqui. Atelier abre sábados.
Casa do Mel de Valadares. Abelhas nas serranias. Mel DOP das Terras Altas do Minho, premiado em Barcelos. Serve-se com broa de milho e centeio do forno comunitário.
Cabrito, rojões e fogueiras
Cabrito assado no forno de lenha, marinado em vinho branco, alho e louro. Rojões confitam na banha de porco com orégãos. Inverno: sopa de nabos com feijoca. Agosto: Festa de São Bartolomeu, pães benzidos, fogueiras, caldo em tigelas de barro.
Trilho, rio e céu escuro
Trilho dos Moinhos: 8 km, 3 moinhos de água, 2 pontes de pedra. Praia da Ribeira: piscina natural no Ovil, água gelada. Serra de Valadares: miradouro sobre o vale, milhafres ao amanhecer.
Noite sem poluição luminosa: Via Láctea visível.
Terceiro domingo de maio: procissão à Capela de Nossa Senhora do Pé da Cruz, século XVII. Silêncio lá dentro, vento a carqueja lá fora, sino da Matriz ao longe.