Vista aerea de União das freguesias de Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Porto · CULTURA

Vinhas e Granito em Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga

União de freguesias em Lousada onde a vinha molda a paisagem e os nomes contam a história do lugar

6594 hab.
274.5 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Lousada

Fevereiro
Festa de Santa Águeda Dia 5 festa popular
Julho
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ARTIGO

Artigo completo sobre Vinhas e Granito em Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga

União de freguesias em Lousada onde a vinha molda a paisagem e os nomes contam a história do lugar

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O cheiro a terra revolvida chega primeiro que qualquer placa de sinalização. Depois, a vinha — fileiras de ramada baixa que trepam por encostas suaves, os cachos ainda verdes em Junho, já translúcidos e gordos em Setembro. A estrada que entra por Silvares serpia entre muros de granito cobertos de líquenes e, nos quintais que ladeiam o caminho, há sempre roupa a secar ao sol e um cão que ladra por obrigação mais do que por alarme. Estamos a 274 metros de altitude, no coração do concelho de Lousada, distrito do Porto, numa união de quatro lugares — Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga — que em 2013 se juntaram no papel, mas que há séculos partilham o mesmo chão, o mesmo granito, o mesmo vinho.

Quatro nomes, uma paisagem

Os nomes dizem quase tudo sobre o que se encontra aqui. Silvares vem de silva, a mata densa que ainda cobre os pontos mais altos; Nogueira ecoa as nogueiras que pontilham os caminhos rurais, as suas folhas largas a projectar sombra nos dias quentes de Agosto; Pias evoca as depressões escavadas na rocha, daquelas que acumulam água da chuva e servem de bebedouro involuntário a pássaros e gatos vadios; e Alvarenga carrega consigo um nome pessoal germânico, vestígio remoto de uma villa que ali se implantou quando esta terra já era cultivada e habitada. São 6 594 pessoas distribuídas por 10,15 km² — uma densidade de 650 hab./km² que se nota na proximidade das casas, nos quintais que quase se tocam, na conversa que salta de janela para janela ao fim da tarde.

O equilíbrio demográfico é curioso: 945 jovens até aos 14 anos e 995 idosos acima dos 65. Dois mundos que se cruzam à porta das mercearias e nos adros das igrejas — os primeiros de telemóvel na mão, os segundos de boina e mãos calosas que ainda sabem podar uma videira sem consultar nenhum manual.

A festa que pára o concelho

A Festa Grande do concelho em honra do Senhor dos Aflitos não é apenas um evento paroquial — é o momento em que Lousada inteiro converge para aqui. Realiza-se na primeira semana de Setembro, desde 1954, e atrai cerca de 50 000 visitantes. As procissões percorrem ruas estreitas onde o cheiro a cera derretida se mistura com o de sardinha assada nos fogareiros improvisados. Há andores pesados aos ombros de homens em mangas de camisa branca, há foguetes que estouram num céu ainda claro de Verão, há o som arrastado da concertina que não compete com as colunas de som mas que insiste, teimosa, num canto qualquer do arraial. A Festa de Santa Águeda, a 5 de Fevereiro, mantém o mesmo esqueleto — missa solene, procissão, comes e bebes — mas com uma escala que permite ouvir melhor a voz do pároco e sentir o peso do silêncio que antecede o repique dos sinos.

Vinho verde e lume brando

A vinha é omnipresente. Estamos em plena região demarcada dos Vinhos Verdes, criada em 1908, e aqui a produção não é apenas industrial — é doméstica, familiar, quase íntima. Há 1 200 produtores na freguesia, com uma média de 0,5 ha por exploração. O vinho que dali sai tem aquela acidez fresca, quase eléctrica na língua, que pede comida forte ao lado. E comida forte não falta. O cabrito assado no forno a lenha, com a pele estaladiça e o interior rosado, é prato de dias grandes. Os rojões à minhota, cortados em cubos grossos e fritos até dourarem, servem-se com batata a murro e tripas de porco enroladas. O cozido à portuguesa aparece nas mesas de Inverno, fumegante e generoso, com todos os enchidos e couves que a horta e o fumeiro da casa produzem. E antes de tudo isto, sempre, o caldo verde — aquela sopa de cor intensa, com o azeite a brilhar à superfície e a rodela de chouriça a boiar como uma pequena bóia de sabor. Os doces são caseiros, de receita passada de mão em mão, sem nome de pastelaria nem rótulo.

Caminhar entre muros e ramadas

Não há aqui a espectacularidade das falésias ou dos miradouros vertiginosos. A paisagem opera por acumulação: a repetição das vinhas em ramada, o granito que aparece em muros, em cruzeiros, em soleiras de porta gastas pelo uso, o verde intenso que só o Minho consegue — um verde que parece molhado mesmo quando não chove. Os caminhos rurais que ligam as quatro antigas freguesias são percursos de meia manhã, como o PR2 "Trilho das Vinhas e da Água" (8 km, 2h30), com subidas suaves e descidas onde se ouve o escorrer de água na levada de Pias ou o zumbido constante de abelhas junto às silvas carregadas de amoras em finais de Verão. A logística é simples: Lousada está a 38 minutos do Porto (A3, saída 14), e a freguesia dispõe de 15 alojamentos turísticos — desde o Casa de Silvares (casas de granito do séc. XVIII) ao Quinta da Timpeira (apartamentos com piscina).

O peso da amora na mão

Há um gesto que resume este lugar. No caminho de terra batida entre Silvares e Pias, ao km 3,2 do trilho, alguém pára, estende a mão para uma silva à beira do muro e colhe uma amora. Está quente do sol, quase negra, e mancha os dedos com um roxo escuro que não sai à primeira lavagem. É um gesto sem pressa, sem audiência, sem fotografia. E é nessa mancha nos dedos — teimosa, doce, concreta — que fica a marca desta terra onde a mata, a rocha, as nogueiras e o nome antigo de um germânico esquecido ainda se encontram vivos, não como relíquia, mas como chão que se pisa todos os dias.

Dados de interesse

Distrito
Porto
Concelho
Lousada
DICOFRE
130532
Arquetipo
CULTURA
Tier
vip

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola secundária e básica
Habitação~1000 €/m² compra · 3.65 €/m² rendaAcessível
Clima15.4°C média anual · 1400 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
55
Familia
30
Fotogenia
35
Gastronomia
25
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga

Onde fica União das freguesias de Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga?

União das freguesias de Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga é uma freguesia do concelho de Lousada, distrito de Porto, Portugal. Coordenadas: 41.2854°N, -8.2715°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga?

União das freguesias de Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga tem 6594 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de União das freguesias de Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga?

União das freguesias de Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga situa-se a uma altitude média de 274.5 metros acima do nível do mar, no distrito de Porto.

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