Artigo completo sobre Baltar: Mel DOP e Capão entre Vinhas dos Verdes
Baltar, Paredes: terra de Mel das Terras Altas do Minho DOP e Capão de Freamunde IGP, com vinhas de Vinho Verde e festas que marcam o calendário anual.
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O cheiro a lenha queimada - aquele que te lembra as manhãs de inverno na casa dos avós - ainda paira nos arredores de Baltar quando o primeiro apiário desperta. São sete quilómetros quadrados de terra que sobe e desce como se alguém tivesse amassado a paisagem à mão, onde as vinhas dos Vinhos Verdes tentam fazer sentido às curvas da serra.
Onde o mel é mesmo de casa
Não é raro cruzar com o Zé das Colmeias na padaria, ainda com o fato de proteção sujo de cera. "Isto não é mel, isto é ouro que as abelhas fazem", diz-me enquanto compra o pão. E tem razão - o mel das Terras Altas do Minho DOP tem aquela cor que só existe cá, meio escura, meio dourada, como se o sol tivesse ficado preso dentro do frasco. Nas quintas, o Capão de Freamunde cisca à vontade - é aquele frango que leva meses a crescer, não semanas, e isso nota-se na textura quando vai para o forno da Ana da tasca.
A casa que aguenta
Há uma casa antiga - a única com estatuto de património - que o pessoal chama de "o casarão". Não é nenhum palácio, está ali mesmo à entrada da freguesia, com as suas paredes de granito que já viram tanto que até se calaram. As pedras estão lisas de tanta chuva e sol, encaixadas como um puzzle gigante feito por mãos que já não existem há séculos.
Festas onde toda a gente se conhece
Quando é altura de festa - seja em Rebordosa, Paredes ou Lordelo - Baltar inteiro desce à estrada nacional. São aquelas filas de carros estacionados em terceira fila, os miúdos a correr entre as tendas, o cheiro a sardinha que te faz salivar antes mesmo de veres a grelha. O vinho verde corre de copo em copo, aquele que ainda tem as bolhinhas a subir como se estivesse vivo.
Um sítio onde ainda se pode respirar
Quatro mil e setecentas pessoas - dá para conhecer metade no café e a outra metade no supermercado. Há quem diga que é muito, há quem diga que é pouco. A verdade é que às seis da tarde, quando a luz começa a pôr-se por trás das vinhas, Baltar tem aquele ritmo que não é de cidade mas também não é de aldeia abandonada. É ali no meio - um sítio onde se pode deixar o carro desligado no meio da estrão para cumprimentar o vizinho, sem ninguém buzinar atrás.