Vista aerea de União das freguesias de São Facundo e Vale das Mós
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Santarém · CULTURA

São Facundo e Vale das Mós: olivais e xisto no interior

Mais de 10 mil hectares entre Abrantes e o silêncio: terra de azeite DOP e vinhas do Tejo

1265 hab.
183.7 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de São Facundo e Vale das Mós

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Abrantes

Junho
Feira de São João 24 de junho feira
Festas de Abrantes 10 a 14 de junho festa popular
Agosto
Romaria de Nossa Senhora da Boa Viagem Segundo domingo de agosto romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre São Facundo e Vale das Mós: olivais e xisto no interior

Mais de 10 mil hectares entre Abrantes e o silêncio: terra de azeite DOP e vinhas do Tejo

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O xisto escuro aflora nas encostas e a luz da tarreirinha de Abrantes desenha sombras compridas sobre os olivais que descem até ao vale. Aqui, entre São Facundo e Vale das Mós, a paisagem organiza-se em patamares de pedra — terra lavrada, mato denso, céu largo. O silêncio tem peso, interrompido pelo vento que varre os caminhos de terra batida e pelo ladrar distante do cão do Sr. Joaquim.

A medida do território

Caminhar por aqui é perceber distâncias reais. A elevação média ronda os cento e oitenta metros, mas o relevo ondula sem piedade — sobe-se o "lombo" de Vale das Mós, desce-se para o Carrascal, volta-se a subir até à Portela. Os olivais dominam a paisagem — não é por acaso que o azeite de cá tem DOP. O chão é pobre, o sol queima no verão, e a azeitona só se colhe em Dezembro, quando o fruto já tem três pingos de água por dentro. Nas quintas da Figueira e do Alviobeira, a apanha ainda se faz à mão: varas de sobreiro, redes no chão, crianças de férias a ajudar os avós.

O vinho do Tejo chegou mais tarde. As vinhas do Sr. Albano, no Cabeço da Mãe, nascem em solo de xisto — "terra que faz dor de dentes", diz ele — e dão uvas que sabem a pedra moída. São poucas parras, mas cada cacho carrega o sabor destas ravinas onde até o ar parece mais fino.

Viver no limite do equilíbrio

Cento e três jovens para quatrocentos e oitenta e quatro idosos. A escola de Vale das Mós fechou há três anos — as crianças vão agora para Abrantes de autocarro às sete da manhã. O café do Zé Manel, na esquina da Igreja, abre às seis e meia para servir o "bica" aos campones. São duas as casas de alojamento local: uma no Carvalhal, outra no Lamegal. Quem fica pernoita acorda com o canto do galo do Sr. Aníbal e o cheiro do pão que a D. Rosa ainda vai buscar ao forno do Carrascal aos sábados.

A estrada nacional 118 corta a freguesia, mas é estreita — quando encontram um tractores, é um de nós que tem de dar ré até ao primeiro desvio. O autocarro escolar demora vinte minutos a chegar a Abrantes, mas no Inverno, quando o Tejo transborda, pode levar uma hora. "É o preço da paz", dizem os mais velhos.

O que resiste

Não há monumentos. Há é o cruzeiro de pedra do século XVI, encostado à cancela do cemitério de São Facundo, onde as mães deixam flores aos domingos. A festa da padroeira é em 28 de Agosto — há arraial na escola primária vazia, serve-se sardinha assada com pão de milho, e o Rancho Folclórico da aldeia dança até às duas da manhã. O forno comunitário do Carrascal acende-se cinco vezes por ano: no dia de S. Martinho, na semana da Páscoa, e quando alguém faz anos e quer levar bolo de laranja aos vizinhos.

O fumeiro do Sr. João fica numa cave escura, cheira a terra e a louro. A morcela leva sangue de porco, cebola do seu quintal e pimentão da Horta da D. Odete. É preta como o xisto das encostas, e quando frita na frigideira de ferro, a gordura fica dourada como o sol de Agosto.

A tarde cai sobre os olivais e o vento acalma. Fica o cheiro a lenha que o Sr. Joaquim atira para a lareira, o fumo branco que sobe direito no ar parado, e a certeza de que amanhã será igual — até que a D. Rosa já não consiga ir ao forno, até que o último olival seja vendido a um alemão que nunca pisou estes caminhos.

Dados de interesse

Distrito
Santarém
Concelho
Abrantes
DICOFRE
140123
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 6.2 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~625 €/m² compra · 4.3 €/m² rendaAcessível
Clima16.8°C média anual · 707 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
35
Familia
25
Fotogenia
45
Gastronomia
30
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de São Facundo e Vale das Mós

Onde fica União das freguesias de São Facundo e Vale das Mós?

União das freguesias de São Facundo e Vale das Mós é uma freguesia do concelho de Abrantes, distrito de Santarém, Portugal. Coordenadas: 39.3826°N, -8.0753°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de São Facundo e Vale das Mós?

União das freguesias de São Facundo e Vale das Mós tem 1265 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de União das freguesias de São Facundo e Vale das Mós?

União das freguesias de São Facundo e Vale das Mós situa-se a uma altitude média de 183.7 metros acima do nível do mar, no distrito de Santarém.

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