Vista aerea de União das freguesias de Alcanena e Vila Moreira
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Santarém · CULTURA

Alcanena: Calcário, Alviela e Memória Industrial

Terra de pedreiras e rio, onde a indústria papeleira deixou marca entre olivais e Pêra Rocha

4854 hab.
95.7 m alt.

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ARTIGO

Artigo completo sobre Alcanena: Calcário, Alviela e Memória Industrial

Terra de pedreiras e rio, onde a indústria papeleira deixou marca entre olivais e Pêra Rocha

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Al caer la tarde, cuando las canteras apagan las máquinas a las 17.30 y el polvo calizo se asienta, Alcanena gana una quietud casi mineral. La campana de la iglesia matriz (construida 1706-1723) da las seis badajadas y el sonido se propaga despacio, rebotando en las fachadas de ladrillo de la Rua Luís de Camões y en los hastiales encalados del Largo do Coreto. No es silencio: es pausa. Y en esa pausa, la parroquia respira hondo antes de encender las luces de la noche: primero el poste de la esquina del Sr. Joaquim, luego el farol de doña Albertina, hasta que la Rua da Amieira queda enteramente iluminada a las 20.15.

A luz da tarde entra oblíqua pelas janelas da antiga fábrica do Complexo Industrial do Casal dos Pretos, desenhando rectângulos de pó dourado no chão de cimento. Alcanena respira pelo ritmo daquilo que já foi — a memória da indústria papeleira ainda paira nas conversas do Café Central, na esplanada onde se fala do tempo em que o "Celbi" dava emprego a 1200 pessoas (1963-2001). Mas é o calcário que define a ossatura desta terra: extraído desde 1926 na pedreira do Carrascal, cortado nas serras do Olho do Bode, polido nas fábricas da Mota & Companhia. As pedreiras marcam a paisagem como anfiteatros invertidos — a maior tem 40 metros de profundidade e 12 hectares de área, cicatrizes geométricas que capturam a luz de forma estranha, quase lunar.

Entre o Rio e a Pedra

O rio Alviela corre discreto, mas é ele que explica a presença humana antiga neste território. A água permitiu moinhos como o do Carrascal (documentado em 1336), regou os campos de secano onde se plantava trigo até aos anos 70, e alimentou as fábricas que transformaram Alcanena num centro industrial. Hoje, as margens do Alviela são lugar de caminhada silenciosa no percurso "Rota do Alviela" (5,3 km), onde o murmúrio da corrente se mistura com o canto agudo dos melros. A união administrativa com Vila Moreira, formalizada em 28 de Janeiro de 2013, juntou duas freguesias que sempre partilharam a mesma bacia hidrográfica — o Alviela separa-as apenas na freguesia de Minde, aqui são vizinhas de quintal.

A população de 4854 habitantes distribui-se por 15,84 km², uma densidade de 306 hab/km² que se sente nas ruas do centro — a Rua Dr. Joaquim Tomé Ribeiro tem casas coladas umas às outras, número 47 à 73 num espaço de 50 metros. Mas basta subir para os 95 metros de altitude média e a paisagem abre-se: 180 hectares de olivais que produzem 450 toneladas de azeite anuais com DOP Ribatejo, pomares de Pêra Rocha onde 25 produtores conseguem 800 toneladas por ano, e ao fundo, sempre, o recorte irregular das pedreiras — são 8 activas no concelho, 3 na freguesia.

O Peso Demográfico do Tempo

Dos 4854 residentes (Censos 2021), 1221 têm mais de 65 anos — 25,1% contra os 639 jovens até aos 14 (13,2%). Esta proporção traduz-se no Jardim 1.º de Maio: o banco junto ao coreto ocupa-se às 9h15 com o grupo do "dominó" — Sr. António, 78 anos, ex-serralheiro da Sotér, traz as fichas de madeira desde 1997. As famílias mais novas concentram-se no Bairro Social da Cruz da Pedra (96 fogos construídos 2008-2010), onde os prédios de quatro andares substituíram as casas térreas de quintal. Ao fim de semana, os avós levam os netos à Praça de Toumas Pinto — o escorrega de metal aquece ao sol e as crianças gritam em português pontuado por "selfie" e "youtube", palavras que aprenderam no tablet da escola básica D. Dinis (298 alunos, 2023/24).

Comer a Terra

A gastronomia aqui não se inventa — herda-se. No restaurante "O Popular", a sopa de feijão com couve mantém a receita da Dona Alice (falecida 2018): 500g de feijão manteiga, couve-galega do quintal, louro do pé da porta. O bacalhau assado com batatas a murro vem do forno a lenha do "O Mengo", onde o Sr. Luís (3.ª geração) usa o mesmo carvalho que o avô comprava ao Sr. Faustino, lenhador do Olho do Bode. O azeite é do Lagar do Casal dos Pretos — 6 lagares em pedra ainda funcionam, prensam 20 toneladas por dia na campanha de Novembro. A Pêra Rocha aparece crua à sobremesa no "Café Central", onde a D. Lourdes a serve em calda com canela: 3 rochas médias, 200g de açúcar, 1 pau de canela da Avó Felismina.

Onde Ficar, Como Estar

Existe apenas um estabelecimento de hospedagem registado oficialmente — o "Hotel Alcanena", 22 quartos, aberto em 1991, renovado em 2019. Esta escassez não é falha — é sintoma de um lugar que recebe 1400 visitantes/ano, mas não se prepara para o turismo de passagem. A hospitalidade mede-se em gestos concretos: na mercearia "O Cantinho", a D. Alda indica "vire à esquerda depois do cruzamento dos Correios, é a 3.ª porta com portão azul"; no café "O 2000", o Sr. Manuel conta como era a procissão de Nossa Senhora da Conceição em 1965 "quando choveu tanto que o padre teve de subir ao altar molhado"; na padaria "O Pão Quente", a vizinha da D. Emília traz o pão de forma às 7h30, porque sabe que os netos vêm passar o fim-de-semana.


Ao cair da tarde, quando as pedreiras desligam as máquinas às 17h30 e o pó calcário assenta, Alcanena ganha uma quietude quase mineral. O sino da Igreja Matriz de Alcanena (construída 1706-1723) marca as seis badaladas, e o som propaga-se devagar, ricocheteando nas fachadas de tijolo da Rua Luís de Camões e nas empenas caiadas do Largo do Coreto. Não é silêncio — é pausa. E nessa pausa, a freguesia respira fundo antes de acender as luzes da noite — primeiro o poste da esquina do Sr. Joaquim, depois o candeeiro da D. Albertina, até a Rua da Amieira ficar completamente iluminada às 20h15.

Dados de interesse

Distrito
Santarém
Concelho
Alcanena
DICOFRE
140211
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 14.4 km
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola secundária e básica
Habitação~492 €/m² compra · 3.72 €/m² rendaAcessível
Clima16.8°C média anual · 707 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

30
Romance
40
Familia
25
Fotogenia
40
Gastronomia
20
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Alcanena e Vila Moreira

Onde fica União das freguesias de Alcanena e Vila Moreira?

União das freguesias de Alcanena e Vila Moreira é uma freguesia do concelho de Alcanena, distrito de Santarém, Portugal. Coordenadas: 39.4634°N, -8.6679°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Alcanena e Vila Moreira?

União das freguesias de Alcanena e Vila Moreira tem 4854 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de União das freguesias de Alcanena e Vila Moreira?

União das freguesias de Alcanena e Vila Moreira situa-se a uma altitude média de 95.7 metros acima do nível do mar, no distrito de Santarém.

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