Vista aerea de São José da Lamarosa
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Santarém · CULTURA

São José da Lamarosa: Arroz e Lezírias no Coração do Ribatej

Freguesia de Coruche onde os arrozais IGP dominam a várzea do Sorraia e a vida segue o ritmo agrícol

1464 hab.
77.5 m alt.

O que ver e fazer em São José da Lamarosa

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Coruche

Julho
Feira Nacional do Cavalo Último fim de semana de julho feira
Agosto
Festa de São Bartolomeu 24 de agosto festa popular
Setembro
Romaria de Nossa Senhora da Atalaia Primeiro domingo de setembro romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre São José da Lamarosa: Arroz e Lezírias no Coração do Ribatej

Freguesia de Coruche onde os arrozais IGP dominam a várzea do Sorraia e a vida segue o ritmo agrícol

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O cheiro a arroz acabado de colher paira no ar húmido da várzea. Aqui, onde o Sorraia alarga o passo antes de se entregar ao Tejo, a terra estende-se plana e fértil, cortada por valas de rega que espelham o céu. São José da Lamarosa vive do ritmo lento das lezírias, desse pulso agrícola que marca as estações não pelo calendário, mas pela cor dos campos — verde intenso na primavera, dourado no verão, castanho no outono quando a terra descansa.

A freguesia espalha-se por mais de onze mil hectares de planície ribatejana, uma imensidão onde a densidade populacional mal chega aos treze habitantes por quilómetro quadrado. Não há multidões, nem pressa. O que há são caminhos de terra batida entre arrozais, cavalos soltos nas pastagens, o silêncio denso das tardes de verão quando o calor trava tudo. A elevação média de setenta e sete metros e meio permite avistar longe — o horizonte aqui não se esconde atrás de montes, desenrola-se sem cerimónias até onde a vista alcança.

Arroz que é arroz

O Arroz Carolino das Lezírias Ribatejanas IGP não é aqui apenas um produto certificado — é identidade. Os campos alagados reflectem o céu de Inverno, transformam-se em tapetes verdes na Primavera, amadurecem sob o sol inclemente de Agosto. Quem passa pela estrada vê a geometria perfeita dos talhões, as comportas que regulam a água, os tractores que avançam devagar sobre a lama. Este arroz, de grão solto e sabor delicado, nasce da combinação exacta entre o solo aluvial e a água doce que desce do interior. Nas cozinhas locais, é a base de tudo — do arroz de tomate ao arroz de cabidela, pratos que pedem pouco mais do que tempo e paciência.

A Carnalentejana DOP também marca presença, embora aqui o gado se cruze mais com a tradição ribatejana do que com a alentejana propriamente dita. As vacas pastam nas lezírias, aproveitam os restolhos do arroz, engordam devagar sob o sol do Ribatejo. A carne, de fibra curta e gordura entremeada, chega às mesas em ensopados que cozinham horas a fio, libertando aromas que impregnam as casas.

O peso dos anos

Mil e quinhentos habitantes? Não, são mil e quatrocentos e poucos — o suficiente para encher a igreja no domingo mas deixar os bancos vazios na missa das sete. A escola primária tem dezasseis alunos em três turmas; o professor de serviço conhece os avós de metade deles. Os cafés abrem às sete para o pessoal do campo tomar o café com aguardente antes de ir para os arrozais, fecham às dez e meia quando o último reformado se levanta para ir para casa almoçar. É um ciclo que se repete há décadas, só que agora o anoitecer chega mais cedo e os jovens fogem logo que podem — Lisboa, Setúbal, até França ainda, como no tempo dos nossos pais.

Geografia do silêncio

Não venhas aqui à procura de monumentos. O que tens é uma planície que parece não ter fim, caminhos de terra que afundam na lama depois da primeira chuva de Outubro, e o som do vento a raspar os salgueiros. Leva óculos de sol — mesmo em Janeiro o reflexo do céu na água dos arrozais cega quem não está habituado. E leva também tempo: o tempo de parar no meio do caminho, acender um cigarro, ouvir as rãs a cantar nas valas. Às seis da tarde, quando o sol se põe atrás do Montejunto, o céu torna-se cor de laranja queimado — é o espectáculo diário que ninguém paga bilhete para ver.

Dados de interesse

Distrito
Santarém
Concelho
Coruche
DICOFRE
140903
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 21.3 km
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola básica
Habitação~889 €/m² compra · 4.97 €/m² rendaAcessível
Clima16.8°C média anual · 707 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
30
Familia
25
Fotogenia
55
Gastronomia
30
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre São José da Lamarosa

Onde fica São José da Lamarosa?

São José da Lamarosa é uma freguesia do concelho de Coruche, distrito de Santarém, Portugal. Coordenadas: 39.0668°N, -8.5336°W.

Quantos habitantes tem São José da Lamarosa?

São José da Lamarosa tem 1464 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de São José da Lamarosa?

São José da Lamarosa situa-se a uma altitude média de 77.5 metros acima do nível do mar, no distrito de Santarém.

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