Vista aerea de Envendos
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Santarém · CULTURA

Envendos: onde o Tejo e o Ocreza abraçam o território

Entre dois rios e dezanove aldeias, a freguesia de Mação guarda pontes romanas e termas sulfúreas

804 hab.
321.7 m alt.

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Festas e romarias em Mação

Janeiro
Festa de São Sebastião 20 de janeiro festa religiosa
Agosto
Festas de Mação Segundo fim de semana de agosto festa popular
Romaria de Nossa Senhora da Assunção 15 de agosto romaria
ARTIGO

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Entre dois rios e dezanove aldeias, a freguesia de Mação guarda pontes romanas e termas sulfúreas

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O ar da manhã cheira ao Ocreza mesmo antes de o ver: mistura de xisto molhado e folhas de medronheiro pisadas. A primeira coisa que se ouve são os cães da Zimbreira a discutirem-se de porteira em porteira; só depois o sino da matriz, quando o sacristão acorda para a missa das sete. As casas de Envendos não “se agarram” às encostas — foram colocadas ali por quem percebeu que o soalho é mais plano no meio do vale e que, se o telhado for apontado a nascente, a ágida não entra pela porta.

As curvas que a estrada não conta

O mapa diz nove mil hectares, mas quem cá nasceu mede distâncias em curvas de nível: são três para cima desde o Ocreza até ao Alpalhão, depois duas para baixo até à Ladeira onde a água é quente e cheira a ovo cozido. A ponte romana não é “romana” — é medieval, feita de saibro local, e o miolo das pedras ainda guarda pegadas de quem ali passou com sapatos de sola de cortiça durante a colheita da amêndoa. A estrada municipal 1103 corta o concelho ao meio; quem segue pela 1103 vê sempre a mesma paisagem duas vezes: à ida e à volta, porque o olhar desce mais depressa do que sobe.

A igreja que perdeu o seu senhor

A matriz tem o tecto de madeira pintado de azul-celeste com estrelas douradas que se descascam. Dizem que foi o pintor de Sardoal que veio cobrar com uma galinha e dois alqueires de trigo; morreu sem ver o dinheiro. A cruz da Ordem de Malta, lá fora, serve de marcação aos motoristas de camião: quando a vêem, desaceleram porque sabem que a curva a seguir tem um buraco que rebenta o pneu traseiro direito. Dentro, o confessionário de madeira de carvalho cheira a cera de abelha e a roupa guardada; o padre só vem de terça a domingo, por isso as velas acendem-se sozinhas e apagam-se quando o vento traz a porta a bater.

Água que engorda e água que leva

As termas da Ladeira funcionam de segunda a sexta, das 8 às 18 h. Entrada: 3 €, toalha extra: 1 €. A água, a 34 °C, alivia a reumática da Dona Alda que lá vai de segunda-feira religiosamente desde 1987. O tanque de imersão é de cimento pintado de azul; o cheiro a sulfidrato disfarça-se com um galão de lixívia por semana. Quem não quer pagar, mete o pé na bica que serve a fábrica da Galão — a mesma água, só que fria, e dá para lavar o jeep. O Tejo, aqui, é de areia miúda e pedra plana; as gaivotas roubam os peixes-espada aos pescadores de linha que vêm de Carvoeiro. O Ocreza, dois quilómetros acima, tem um poço onde os miúdos se atiram de cabeça no Verão; o fundo é de lama e há uma bicicleta enterrada de que só se vê o guiador.

O que a boca sabe antes de pensar

O azeite é Galega, mas também se mistura com Cobrançosa quando o Outono é seco. A lagar da cooperativa fica ao lado do cemitério; quando as mós começam a ranger, as velas das campas tremem. O cabrito vai ao forno de lenha domingo de manhã; quem não tem lenha, vai buscar ao monte do Sr. Aníbal, que deixa desde que se devolva um saco de casca de castanha para a sua salamandra. O enchido de sangue leva cravejo da horta; a morcela leva cebola de Alpalhão, que é mais doce. O pão de testo faz-se em cima do tacho de ferro que a avó guarda dentro do forno; quando está pronto, marca-se com o garfo em forma de cruz para o “Santinho” não levar.

Oito e quatro, mas nem todos de cada vez

Oitocentos e quatro, mas na prática são menos: três emigraram para França em Janeiro, dois foram estudar para Lisboa e não voltaram, um morreu na sexta passada. Na taberna do Zé Manel cabem quinze pessoas; se forem mais, abre-se a porta da cozinha e põem-se a mesa das esquentadoras. Quando a EDP corta a luz, vai-se todos para a praça — há sempre alguém com gerador que carrega o telemóvel em troca de um copo de aguardente. O autocarro escolar passa às 7h42; se perder, é a mãe da Beatriz que desce de Renault 4L e leva os três mais pequenos. À noite, o céu é tão escuro que a Via Láctea deixa sombra; os cães ladram às estrelas, mas é só por hábito.

O sol esconde-se atrás do cabeço da Ameixoeira e a temperatura cai cinco graus em dez minutos. Acendem-se os candeeiros de mercurio, um a um, como se alguém os fosse acordando. Fica o cheiro a lenha de sobreiro queimada, o som do Ocreza a levar pedras pequenas, e o sabor de azeite novo na boca — amargo, porém doce, como a terra que o fez.

Dados de interesse

Distrito
Santarém
Concelho
Mação
DICOFRE
141305
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 6.3 km
SaúdeCentro de saúde
Educação4 escolas no concelho
Habitação~273 €/m² compraAcessível
Clima16.8°C média anual · 707 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

40
Romance
40
Familia
35
Fotogenia
50
Gastronomia
35
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Envendos

Onde fica Envendos?

Envendos é uma freguesia do concelho de Mação, distrito de Santarém, Portugal. Coordenadas: 39.5758°N, -7.8702°W.

Quantos habitantes tem Envendos?

Envendos tem 804 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Envendos?

Envendos situa-se a uma altitude média de 321.7 metros acima do nível do mar, no distrito de Santarém.

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