Vista aerea de Olival
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Santarém · CULTURA

Olival: onde os dinossauros deixaram pegadas na pedra

Freguesia de olivais centenários e fósseis jurássicos entre as encostas de Ourém

1368 hab.
169.9 m alt.

O que ver e fazer em Olival

Património classificado

  • IIPOs dois frescos de Santo Ambrósio e de Santo Agostinho na Capela de Nossa Senhora da Conceição
  • MIPIgreja de Nossa Senhora da Purificação, paroquial do Olival

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ARTIGO

Artigo completo sobre Olival: onde os dinossauros deixaram pegadas na pedra

Freguesia de olivais centenários e fósseis jurássicos entre as encostas de Ourém

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A luz da manhã entra rasgada pela veneziana do café Central, onde o Joaquim já serviu o terceiro bica ao Sr. Domingos. A borra de ontem ainda fica nos copos, misturada com o cheiro do pão que a Amélia tira do forno às sete e meia em ponto — ela abre a padaria antes do cão do Adelino ladrar pela primeira vez. Olival acorda assim: com o ranger da porta do café e o murmúrio dos tractores a aquecer. Mil e trezentos habitantes, sim, mas aqui contam-se pelos apelidos: os Carvalhos na encosta do sol-poente, os Martins no Largo da Igreja, os carros brancos dos Dias que parecem todos iguais.

Sob os pés dos gigantes

As pegadas não estão assinaladas com setas luminosas. O Sr. Artur tem de destrancar a cancela da herdade para mostrar a placa gastina onde se lê "Pegadas de Dinossáurios - 150 000 000 anos". A rocha está lisa de tanta gente a passar os dedos, tentando sentir o relevo que parece um calcanhar humano, só com garras. Nenhum visitante acredita que isto foi lama de praia antes de haia praia. Caminhar ali é pisar lama que endureceu quando aqui havia lagostos do tamanho de vacas. Ninguém leva guide audio; leva-se o neto do Artur que explica como é que o avô encontrou a primeira pegada a lavrar a vinha em 1978.

A pedra do património não é monumental — é o muro que separa a minha terra da tua, feito de xisto que corta os dedos se o pegares sem luvas. É a alminha da Nossa Senhora do Caminho onde se acendem velas de plástico azul porque as de cera derretem no Verão. É a capela de S. Sebastião que só abre no dia 20, quando o padre de Caxarias vem dizer missa e as velhas disputam os bancos da frente como se fossem lugar marcado no autocarro.

Azeite e encosta

O azeite é galego — não o dizemos alto, mas é. A maioria das oliveiras são da cultivar galega, plantadas pelos nossos avós quando o azeite valia o mesmo que o vinho do Porto. Hoje o lagar do Zé Manel funciona só no fim-de-semana, com a filha a fazer a contabilidade no laptop enquanto o pai regula a máquina com um desvio de canivete. O ouro verde tem gosto de pimenta preta e deixa a garganta arranhada — é esse o sinal que os compradores de Lisboa procuram. Quando o lagar trabalha, cheira-se azeite na aldeira toda: entra pelas janelas, agarra-se às cortinas, fica nos casacos pendurados.

Caminho e alojamento

O Caminho de Fátima passa, mas os peregrinos vão pela estrada municipal porque o trilho fica lodoso depois de três dias de chuva. Param no café para pedir água e ouvem o Zé a dizer que vai por ali abaixo até ao cruzamento, depois é sempre em frente. Há três quartos na casa da D. Amélia — ela serve pequeno-almoço com doce de abóbora feito pela nora e pão de milho que esfarela na toalha. Os albergues municipais ficaram vazios depois de fecharem o restaurante do Sr. Albano; hoje são casas de família com placa pintada à mão que diz "Quartos - perguntar dentro".

Aritmética do quotidiano

O autocarro escolar passa às oito e vazia a aldeia em dez minutos. Depois só se ouvem as máquinas da fábrica de molduras do outro lado da ribeira e o ventilador do café que o Zé nunca desliga porque "gasta menos que o ar condicionado". Às tantas da tarde chega a carrinha da Goucha com pão de leite para a mercearia, a Maria do depósito abre meia hora só para ela. Os velhos jogam sueca sob o plátano, contando as cartas em voz alta porque o Sr. Jaime já não ouve bem. Quando o sol se põe atrás do olival do Crispim, as folhas parecem de alumínio e a terra solta um calor que sobe pelos tornozelos. É então que cheira a lenha de sobreiro queimada na lareira da D. Odete — ela acende sempre às seis, inverno ou verão, porque "a casa precisa de cheira a fim de dia".

Dados de interesse

Distrito
Santarém
Concelho
Ourém
DICOFRE
142127
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola básica
Habitação~960 €/m² compra · 5.46 €/m² rendaAcessível
Clima16.8°C média anual · 707 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
50
Familia
35
Fotogenia
30
Gastronomia
50
Natureza
30
Historia

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Perguntas frequentes sobre Olival

Onde fica Olival?

Olival é uma freguesia do concelho de Ourém, distrito de Santarém, Portugal. Coordenadas: 39.7083°N, -8.5999°W.

Quantos habitantes tem Olival?

Olival tem 1368 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Olival?

Em Olival pode visitar Os dois frescos de Santo Ambrósio e de Santo Agostinho na Capela de Nossa Senhora da Conceição, Igreja de Nossa Senhora da Purificação, paroquial do Olival. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Olival?

Olival situa-se a uma altitude média de 169.9 metros acima do nível do mar, no distrito de Santarém.

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