Artigo completo sobre Fráguas: Vida Serena Entre Salinas e Olivais
Uma freguesia de Rio Maior onde o sal-gema emerge da terra e 817 habitantes preservam tradições
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O sino toca às 19h30. Quem vive na Rua da Igreja já sabe que são sete badaladas e não precisa de relógio. O sal que se sente no ar não vem do mar: vem das salinas de Rio Maior, a 7 km, onde a água brota a 26% de salinidade e o trabalho é igual ao de há 900 anos.
817 habitantes, 229 com mais de 65 anos
A escola tem 54 alunos. Fecha quando faltam três. O café do Zé abre às 7h, serve bica por 60 cêntimos e só fecha quando o último cliente sai. O médico vem três vezes por semana; nas outras, é para o Centro de Saúde de Rio Maior. O espaço entre casas serve para guardar trator, lenha ou galinhas. Ninguém paga vista para o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros — está lá, é só virar a cabeça.
O que a terra dá
Maçã de Alcobaça e Pêra Rocha vendem-se na quinta do Seixal, 1,20€/kg se forem descalçadas. O azeite sai do lagar cooperativo em Janeiro: leva garrafa própria, paga-se 4€/litro. O sal de Rio Maior compra-se nas salinas: 2€/kg, saco de papel. Serve para curar presunto, temperar sopa de castanhas ou conservar azeitonas — cada um faz como aprendeu com a mãe.
Passar por cá
O Caminho de Torres marca 27 km até ao Cartaxo. Quem o faz dorme no quarto da D. Lurdes (20€, pequeno-almoço incluído) ou no albergue da Juventude (15€, levar saco-cama). A seta amarela está pintada na rotunda; perde-se depois do cemitério, pergunte à senhora do pão.
Onde ficar
São quatro casas no Booking, mas ligue antes. A de São Mamede tem piscina, mas só em Julho e Agosto; a da Bica tem lareira e cobra 15€ extra se forem mais de quatro. Em alternativa, há quarto na casa da Fátima: 25€, entrada independente, aceita-se cão.
Às 22h o café fecha. Às 22h15 apagam-se as luzes da igreja. O que se ouve é o cão do Adolfo e, se for noite sem vento, o trator do Joaquim a aquecer antes das 5h.