Vista aerea de Chancelaria
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Santarém · CULTURA

Chancelaria: onde dinossauros deixaram pegadas no Ribatejo

Freguesia de Torres Novas guarda fósseis jurássicos e acolhe peregrinos no Caminho de Santiago

1428 hab.
74.6 m alt.

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Festas e romarias em Torres Novas

Março
Festas em Honra de Nossa Senhora da Anunciação 25 de março festa religiosa
Junho
Feira Franca Medieval Último fim de semana de junho feira
Dezembro
Romaria de Nossa Senhora da Conceição 8 de dezembro romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Chancelaria: onde dinossauros deixaram pegadas no Ribatejo

Freguesia de Torres Novas guarda fósseis jurássicos e acolhe peregrinos no Caminho de Santiago

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O sol da tarde aquece o calcário das paredes caiadas e, ao longe, o murmúrio de água corrente atravessa a planície. Chancelaria desenha-se na paisagem do Ribatejo como aquilo que de facto é — um lugar que não se decide entre a planície e a serra, a 74 metros de altitude, onde os campos se estendem até onde a vista alcança e a luz muda de cor três vezes antes do jantar. Aqui, o silêncio não é ausência: é preenchido pelo canto dos pássaros, pelo vento nos olivais e, às quartas-feiras, pelo sino da igreja que marca o fim das aulas na escola primária.

Terra de Pegadas Antigas

Sabe-se que o Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios de Ourém/Torres Novas se estende por aqui, mas nenhum de nós os viu. O que vimos foram pedreiros a extraírem blocos de calcário para construir as casas, e alguns voltavam com histórias de "marcas estranhas" na pedra. Só mais tarde se percebeu o que eram. Caminhar por estas terras é pisar sobre história, sim — mas é também pisar o chão onde o Joaquim plantou os seus amendoeis e onde a Ilda perdeu o sapato no lodo, há cinquenta anos, quando os campos ainda eram arrozais.

A Rota dos Peregrinos

Chancelaria integra o Caminho Interior da Via Lusitana, mas aqui ninguém chama assim. É "o caminho de Santiago" e pronto. Os peregrinos aparecem sobretudo em maio e setembro, com aquela cara de quem já andou demasiado. Param na fonte da vila para encher as garrafas, perguntam se há café — e há, mas só se a Dona Amélia estiver acordada. O traçado passa mesmo ao lado da casa do Manel, que já se habituou a ver estranhos com bordões a olharem confusos para o GPS que o diz ir para norte, quando o caminho parece querer ir para sul.

Azeite, Pêra e Vinho

O azeite é mesmo daqui — das oliveiras que o meu avó plantou antes de eu nascer. Árvores retorcidas, sim, mas não pelo tempo: pela poda mal feita e pelas máquinas que hoje não sabem desviar-se. O azeite tem cor dourada e deixa um picar na garganta que os estrangeiros acham "intenso". A Pêra Rocha apareceu há uns anos, quando o meu primo experimentou plantar umas mudas no terreno que era da avó. Resultou. Não é como as do Oeste, mas vendem-se bem na feira de Torres, especialmente se forem embaladas em caixas de madeira. O vinho é mesmo do Tejo — aliás, a Adega do Cartaxo fica a vinte minutos, e quem quiser levar garrafas é só deixar o dinheiro no saco de plástico que a vizinha deixa à porta.

O Quotidiano Sem Pressa

Dizem que há 1428 habitantes, mas isso deve incluir os que se foram e ainda não foram dados baixa. Às tantas da tarde, a rua é só cães e sombras. As pessoas aparecem depois das cinco, quando o calor afrouxa e a televisão já deu a sétima reprise. Há três casas que alugam quartos — uma é da Dona Lurdes, que faz bolos de laranja para os hóspedes; outra é do Zé, que comprou a casa do pai e pintou de azul; a terceira é uma moradia nova, mas está sempre vazia porque o dono vive no Porto e se esquece de responder aos emails. Não há pressa. O destino é mesmo este: a conversa à porta da mercearia, o cheiro a lenha queimada que sai da chaminé do Sequeira, o pão que ainda é levado de triciclo da padaria de Lapas todos os dias, menos ao domingo.

A noite cai e as luzes acendem-se uma a uma — mas não muitas, porque o ordenado não dá para deixar tudo ligado. O céu, limpo, mostra estrelas que em Lisboa só se veem no planetário. E no meio do silêncio, ouve-se o regato que nunca seca, mesmo em agosto. Corre lá em baixo, atrás das casas, como um animal que conhece o caminho de cor.

Dados de interesse

Distrito
Santarém
Concelho
Torres Novas
DICOFRE
141904
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 6.8 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~812 €/m² compra · 4.96 €/m² rendaAcessível
Clima16.8°C média anual · 707 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
45
Familia
25
Fotogenia
55
Gastronomia
50
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Chancelaria

Onde fica Chancelaria?

Chancelaria é uma freguesia do concelho de Torres Novas, distrito de Santarém, Portugal. Coordenadas: 39.5530°N, -8.5495°W.

Quantos habitantes tem Chancelaria?

Chancelaria tem 1428 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Chancelaria?

Chancelaria situa-se a uma altitude média de 74.6 metros acima do nível do mar, no distrito de Santarém.

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