Vista aerea de União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Setúbal · COSTA

União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena

Três freguesias unidas no Barreiro, entre estaleiros históricos, memória operária e o pulsar urbano

41 296 hab.
43.3 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena

Património classificado

  • IIPIgreja Paroquial de Palhais
  • IIPPórtico da antiga igreja (gótico floreado) de Palhais

Festas e romarias em Barreiro

Junho
Festa de São João 24 de junho festa popular
Julho
Festas do Barreiro Último fim de semana de julho festa popular
Outubro
Festa de Nossa Senhora do Rosário Primeiro domingo de outubro festa religiosa
ARTIGO

Artigo completo sobre União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena

Três freguesias unidas no Barreiro, entre estaleiros históricos, memória operária e o pulsar urbano

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O vento que sobe do Tejo cheira a sal e a algo mais — um cheiro metálico, de navios e de contentores, que se cola à roupa como recordatório. Desço a Rua Vasco da Gama, passo pelo Café Aviz e pelo Santander, e o cheio vai comigo. Na estação do Barreiro, os cacilheiros entram e saem com a pontualidade de um relógio Suíço. A brisa empurra-se pela Rua Almirante Reis acima, raspa nas fachadas da Alves Redol, do Liceu Almeida Garrett, até ao planalto onde o Hospital Nossa Senhora do Rosário domina a paisagem. São 43 metros de altitude — pouco para quem vem de Lisboa, mas aqui chega para que, nas manhãs de inverno, o nevoeiro fique preso entre os prédios do Centro e as palmeiras do Jardim do Sapal. Quando o sol rompe, ilumina tudo de uma vez: o Intermarché, o Pingo Doce, as gaivotas em cima do Celeiro da Praça, a Nesga de Tejo que se vê desde o miradouro do Alto do Seixalinho.

Esta é a União das Freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena, no miolo do Barreiro. Não é um postal. São 41 296 pessoas esmagadas em 7 km² — 5 900 hab./km², mais densidade que no Porto — onde a fábrica da Quimigal, a refinaria da Petrogal, a Siderurgia Nacional e os armazéns da Lisnave deixaram feridas que a cicatrizou com blocos de cinco andares, escolas básicas, jardins públicos e cafés com televisão ligada ao desporto. A história industrial fica no ar, nas ruas chamadas Alfredo César Torres, Camilo Castelo Branco ou Antero de Quental. A vida ribeirinha fica no cheiro, no choco frito do restaurante O Pescador, na Caldeirada do Taska d’Avó, no peixe-espada com arroz de tomate que o Zé da Tasca serve às sextas sem precisar de escrever na porta.

As naus que partiram da Telha

Antes do betão, antes da CP, antes da A33, havia a Quinta da Telha, onde hoje dormem os contentores da Sadoport. Documentos do Arquivo Nacional da Torre do Tombo falam em “esteiro da Telha” em 1535. Ali cortava-se madeira de pinho do Pinhal do Rato, ali se calafatavam naus que iam para Índia com azulejos de Bacalhau na despensa. Caminhar hoje pela Rua João de Deus, entre o Centro de Saúde e o supermercado Minipreço, é pensar na ironia: quem um dia mandou caravelas agora apanha o barco para o Cais do Sodré em 20 minutos — se o Swell não avariar.

O Alto do Seixalinho cresceu em redor do Caminho do Meio, onde o pessoal vinha de bicicleta das hortas da Verderena vender couves ao Barreiro. A viragem foi mesmo o caminho-de-ferro: 1 de Maio de 1861, estação inaugurada por D. Pedro V, ligação ao Alentejo, comboios a vapor a apitar que nem desesperados. A Quimigal chegou em 1908, a Lisnave em 1937, trouxerem operários de Beja, de Évora, de Cuba e de Aljustrel. Nasceram as ruas de palavras cruzadas: Gilberto n.º 4, Rosa n.º 18, Manuel n.º 42 — casas de quatro portas, água no poço, latrina no fim do corredor. Ainda hoje, quem viveu na Bairro 1º de Maio diz “vou ali ao quarteirão” e toda a gente sabe que é ao bloco G-H.

Verderena guarda o nome da antiga quinta e da ermida de São Marcos, onde hoje fazemos piqueniques no dia de S. Martinho. O arquitecto Raul Lino desenhou ali, em 1913, uma casa de verão para o Dr. Sousa Martins — hoje é o Centro Escolar de Verderena, onde as crianças almoçam sopa de legumes e fazem teatro com a professora Sofia.

Dois monumentos, seis séculos de sedimento

O Pelourinho de Santo André (séc. XVI) está encostado ao Posto de Abastecimento da Galp, na Rotunda do Feijó. Poucos sabem que ali se julgavam escravagens e dividiam-se terras de semeadura. Passas de carro, vês a pedra lascada, lês “...DD...1637” e segues para o trabalho. A Igreja Paroquial de Santo André, mandada construir por D. Manuel I em 1514, tem campanário em estilo manuelino e azulejos de Tapada da Ajuda do século XVIII. O altar-mor é de madeira de carvalho que chegou em barco pela Ribeira do Barreiro. Do lado de fora, a obra de restauro de 2023 deixou andaimes até Dezembro; dentro, a missa das 11h de domingo ainda enche as 120 cadeiras de madeira.

A cidade que respine entre gerações

Censos 2021: 5 013 miúdos até aos 14 anos, 11 457 velhos com mais de 65. A freguesia envelhece, mas as escolas aguentam-se: três básicas (Santo André, Verderena, Dona Berta), duas secundárias (Alves Redol e JI da Verderena). Sábado às 9h, o parque de estacionamento do Pingo Doce é uma festa de pais com crianças no carrinho, o avô a guardar o lugar, o café no Balla ou no O Girassol. Na esplanada do Café Avenida, o António, reformado da Lisnave, conta que “o Sapal era sapal mesmo, cheio de rãs; hoje é jardim e tem wifi”. A Câmara plantou palmeiras e pôs bancos de madeira; os velhos jogam sueca, os novos correm 5 km com aplicativo no telemóvel.

Alojamento? 44 unidades registadas, zero resorts. Há T1 no Alto do Seixalinho por 550 €/mês, T2 na Rua Almirante Reis por 750 €, quarto para estudante na Verderena por 200 € com pequeno-almoço incluído. O Airbnb mais barato fica na Rua Dona Berta, tem vista para o pátio interior e para a igreja, e o dono chama-se Vítor: “Há estacionamento, mas tem de deixar o carro apertado, senão o Camião do lixo não passa.”

O sal no ar e o vinho na margem

Moscatel de Setúbal, casta única, 10 000 hectares entre Palmela, Azeitão e o Barreiro. Bebe-se em copo de ⅛ no Tasquinha do Manel, acompanha amêijoas à Bulhão Pato do Mercado Municipal. A garrafa do produtor José Maria da Fonseca custa 6 € no supermercado; a do Hetemann, da Quinta do Anjo, 9 € na loja Casa do Concelho. Quando sopra nortada, o cheiro do estuário mistura-se com o fermento das caves: é a combinação que diz “estás em casa”.

O som que fica

Às 18h45, o ferry “Cidade do Barreiro” apita duas vezes, larga do cais 2, deixa escapar um ronco de diesel e abre vão até Lisboa. O som reverbera nas fachadas da Câmara, na freguesia, no Jardim das Comemorações, sobe a Rua Hintze Ribeiro e perde-se no Campo da Bola. Quem nasceu aqui deixou de ouvir; quem visita leva-o no bolso, como o bilhete de 2,50 € que ainda cheira a ozono.

Dados de interesse

Distrito
Setúbal
Concelho
Barreiro
DICOFRE
150409
Arquetipo
COSTA
Tier
vip

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteMetro
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola secundária e básica
Habitação~1687 €/m² compra · 9.01 €/m² renda
Clima17.3°C média anual · 559 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

50
Romance
65
Familia
40
Fotogenia
35
Gastronomia
20
Natureza
30
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena

Onde fica União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena?

União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena é uma freguesia do concelho de Barreiro, distrito de Setúbal, Portugal. Coordenadas: 38.6434°N, -9.0579°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena?

União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena tem 41 296 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena?

Em União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena pode visitar Igreja Paroquial de Palhais, Pórtico da antiga igreja (gótico floreado) de Palhais.

Qual é a altitude de União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena?

União das freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena situa-se a uma altitude média de 43.3 metros acima do nível do mar, no distrito de Setúbal.

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