Vista aerea de União das freguesias de Poceirão e Marateca
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Setúbal · COSTA

Poceirão e Marateca: vinhas, sobreiros e silêncio

Entre o estuário do Sado e a planície alentejana, duas aldeias unidas por 28 mil hectares

8811 hab.
35.8 m alt.

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Artigo completo sobre Poceirão e Marateca: vinhas, sobreiros e silêncio

Entre o estuário do Sado e a planície alentejana, duas aldeias unidas por 28 mil hectares

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O primeiro sinal é o cheiro — não o da terra, ainda não, mas o da brisa que traz o sal do Sado misturado com o cheiro quente dos sobreiros. Estamos a menos de quarenta metros de altitude, numa planície que parece não ter fim, e o ar tem aquela transparência das manhãs de Setembro: seco, limpo, com aquela luz que faz cada folha de oliveira parecer cortada a tesoura. Ao longe, uma máquina agrícola que parece minúscula no meio de tanta vinha. Mais perto, o crepitar das folhas secas da videira sob os pés. É assim que se entra no Poceirão e na Marateca — não por uma porta grande, mas por ir desaparecendo aos poucos qualquer pressa.

28 mil hectares onde o silêncio é maior que as pessoas

São mais de 28 mil hectares — uma área maior que muitos concelhos inteiros — para 8811 pessoas. Dá trinta e tal habitantes por quilómetro quadrado, o que quer dizer que pode andar quilómetros sem ver ninguém. Os números dizem que há 2300 pessoas com mais de 65 anos e 1065 crianças. Traduzindo: há muita gente que conheceu os campos antes dos tratores, e poucos que vão ficar para os trabalhar.

"Poceirão" vem do latim pocerium, lugar de pastagem, e é isso que ainda é: chão aberto, rebanhos ao longe, ovelhas que parecen pontos brancos no meio do verde seco. "Marateca" ninguém sabe bem de onde vem, mas soa bem — e soa a terra. Juntaram-se oficialmente em 2013, mas quem cá vive sabe que a terra já os tinha juntado há muito.

Entre o Sado e a Arrábida

Por cá, o estuário do Sado não é coisa de ir ver num miradouro. É ali, a norte, e chega-se lá por caminhos de terra onde as garças te olham de esguelha como quem diz "o que é que vocês estão aqui a fazer?". Não precisa de binóculos — basta parar e esperar. Os flamingos aparecem, rosas contra o cinzento da lama, e fazem-se fotografias melhores que muitos cartões postais.

Para o sul, a Arrábida faz o favor de proteger disto tudo o mau tempo. Verões longos e secos, invernos que não castigam, uvas que têm tempo para pensar no que querem ser quando forem Moscatel.

O que se come e o que se bebe

Falem-se em provas de vinho lá na quinta, mas o que interessa é isto: o Moscatel de Setúbal não é para beber em copos grandes. É para copos pequenos, de preferência à sombra, enquanto se conversa sobre o tempo ou sobre o preço da uva. À volta do copo, a comida é a que sempre se fez: ensopado de borrego que o pão vai buscar, açorda de marisco porque o estuário está ali ao pé, sopa da panela que é reconforto em tigela. O Queijo de Azeitão chega à temperatura certa — corta-se o topo e faz-se pão descer no creme. O azeite põe-se em tudo, como deve ser. E no Outono aparecem as Maçãs Riscadinhas, essas que têm as riscas vermelhas e que fazem um estalo quando as mordes.

Quando chega a vindima

De Setembro a Outubro, é como se a planície acordasse. De repente há gente nas vinhas, caixas de plástico empilhadas, o som das tesouras. Participar na vindima é perceber porque é que há gente que vem cá para os alojamentos locais — não é para ver a paisagem de varanda, é para estar dentro dela. É para sentir a areia nos sapatos, o peso dos cachos na mão, a pele da uva quente de sol. É trabalho, mas é trabalho que se faz a conversar, com pausas para água ou para um café.

O fim do dia

Quando o sol começa a ir embora e o montado fica cor de ferrugem, há um gesto que resume o lugar: inclinar o copo de Moscatel contra a última luz e ver, através do dourado, a linha onde a vinha acaba e o estuário começa. É ali que a terra se entrega à água, sem drama, sem cerimónia — como quem diz "pronto, até amanhã".

Dados de interesse

Distrito
Setúbal
Concelho
Palmela
DICOFRE
150806
Arquetipo
COSTA
Tier
vip

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola secundária e básica
Habitação~1764 €/m² compra · 7.22 €/m² renda
Clima17.3°C média anual · 559 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

40
Romance
70
Familia
30
Fotogenia
70
Gastronomia
50
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Poceirão e Marateca

Onde fica União das freguesias de Poceirão e Marateca?

União das freguesias de Poceirão e Marateca é uma freguesia do concelho de Palmela, distrito de Setúbal, Portugal. Coordenadas: 38.6019°N, -8.6989°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Poceirão e Marateca?

União das freguesias de Poceirão e Marateca tem 8811 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de União das freguesias de Poceirão e Marateca?

União das freguesias de Poceirão e Marateca situa-se a uma altitude média de 35.8 metros acima do nível do mar, no distrito de Setúbal.

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