Vista aerea de União das freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Setúbal · CULTURA

Santiago do Cacém: cal branca, montado e ruínas romanas

Entre castelo medieval e lagoa, três aldeias fundiram-se numa freguesia de oito mil almas

7892 hab.
198.5 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra

Património classificado

  • MNCastelo de Santiago do Cacém
  • MNIgreja matriz de Santiago do Cacém
  • IIPMiróbriga
  • IIPPelourinho de Santiago do Cacém
  • IIPPousada de Santiago do Cacém

E mais 4 monumentos

Produtos com Denominação de Origem

Áreas protegidas

Festas e romarias em Santiago do Cacém

Julho
Feira de Santiago Fim de semana mais próximo de 25 de julho feira
Festa de Santiago 25 de julho festa religiosa
Agosto
Romaria de Nossa Senhora da Graça Primeiro domingo de agosto romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Santiago do Cacém: cal branca, montado e ruínas romanas

Entre castelo medieval e lagoa, três aldeias fundiram-se numa freguesia de oito mil almas

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O sino bate às onze e o eco rola pela encosta abaixo, ressaltando nas muralhas do castelo antes de se perder entre os telhados de Santiago do Cacém. Lá em cima, onde a cumeada calcária da Serra de Santiago rasga o horizonte, o vento empurra o cheiro quente da esteva misturado com o perfume mais suave dos sobreiros centenários — há tantos aqui que o concelho regista uma das maiores concentrações do país. Cá em baixo, na rua estreita que desce do Largo do Município, a cal branca das fachadas absorve a luz da manhã com uma intensidade que obriga a semicerrar os olhos. É neste declive, entre o granito das muralhas e o montado que se estende para sul, que três aldeias se fundiram em 2013 numa só freguesia - 7 892 pessoas que nem sempre se cruzam, espalhadas por mais de duzentos quilómetros quadrados onde ainda se encontram moinhos de água em funcionamento e olivais onde se planta em socalcos que seguram a terra quando chove de mais.

O castelo que abriu o Alentejo

O Castelo de Santiago do Cacém é anterior à nacionalidade: erguido no século VIII sobre fundações que já eram muçulmanas — o próprio nome Cacém descende de Qaççim -, foi o primeiro ponto de paragem da Ordem de Santiago após a conquista do Alentejo. Quem sobe a rampa de acesso sente o calor acumulado na pedra sob a palma da mão, e ao chegar ao adarve depara-se com um panorama que explica toda a estratégia: a serra a nordeste, o litoral a poente, a planície cerealífera a perder de vista para sul. No interior do recinto, a estação arqueológica revela camadas sobrepostas — cerâmica islâmica, silhares romanos, alvenaria quinhentista — como se o solo fosse um livro aberto. D. Afonso III concedeu foral à vila em 1255, e desse tempo ficou o padroeiro, S. Tiago, cuja romaria a 25 de Julho ainda enche de procissão, feira e música tradicional as ruas que circundam a Igreja Matriz - construção onde o estuque recente esconde o que restou do goticoe do manuelino depois do terramoto de 1858.

Três aldeias, três temperamentos

Descendo para leste, Santa Cruz guarda a sua personalidade na Igreja onde o teto de madeira ainda mostra o buraco feito pela granada que caiu em 1847 sem explodir. A Festa de 3 de Maio junta gente que se conhece de escola, antiga ou nova - quando o cortejo florido percorre o adro antes da missa campal, os mais velhos ainda se lembram quando se levava o gado para o campo através da porta que dava para a Ribeira de Santiago. Mais adiante, no sopé da serra, São Bartolomeu da Serra conserva um ritmo mais lento: a Igreja onde o padre António marcou baptismos durante cinquenta anos, o Moinho de Vento que o Joaquim ainda faz rodar aos domingos para mostrar aos netos - e onde se guardam os caretos de Inverno que saem apenas uma vez por ano, quando o frio aperta e se justifica beber um aguardente no largo. Foi em São Bartolomeu que Manuel da Silva Gaio, etnógrafo nascido no lugar do Meio, passou décadas a recolher cantigas ao desafio - as mesmas que ainda se ouvem quando duas vozes se cruzam nos olivais durante a vindima, sobre o ruído seco das varas a bater nos ramos.

Montado, lagoa e trilhos entre moinhos

O Trilho dos Moinhos — oito quilómetros entre Santiago e São Bartolomeu — atravessa olivais centenários e passa por moinhos abandonados cujas velas de pano desapareceram quando os netos do moleiro emigraram para Lisboa. O caminho sobe e desce entre montado de sobro e azinheira, e no Inverno a Ribeira de São Bartolomeu enche-se de água que forma pequenas cascatas temporárias - um rumor que se ouve antes de se ver. Para quem prefere a planura, a Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha abre-se a poente: lagoas costeiras onde, entre Outubro e Fevereiro, garças, flamingos e outras espécies se concentram em números que justificam os doze quilómetros da Rota da Lagoa. Há quem diga que a lagoa de Santo André chegou a servir como porto interior - antes de a barra de Sines se formar e fechar o acesso ao mar, os barcos subiam pela ribeira dentro. Na serra, outro percurso — a Rota do Petróglifo, cinco quilómetros — conduz a gravuras rupestres que precedem em milénios qualquer castelo ou ermida. No entanto, o mais procurado é o trilho das Pias — onde a água escavou piscinas naturais na rocha, e onde se vai aos domingos de Verão quando o calor torna insuportável a praia de areia preta.

À mesa com o Alentejo dentro do prato

No Mercado Municipal, aos sábados, a bancada de queijos exibe rodas de Queijo de Serpa com a casca alaranjada e a pasta semilíquida que escorre ao corte - mas é o queijo fresco de cabra, embrulhado em folhas de cortiça, que desaparece primeiro. Ao lado, peças de Carne de Porco Alentejano e mantas de Borrego do Baixo Alentejo esperam destino. A açorda alentejana — de bacalhau ou de tomate, conforme a estação — chega à mesa em terrina de barro com o pão embebido até ao tutano, o azeite a brilhar à superfície, um ovo escalfado ao centro. As migas com carne de porco têm a textura densa de quem amassou o pão com gordura quente, e o ensopado de borrego traz o travo do louro e do coentro fresco - ervas que crescem no quintal atrás da casa. Nos doces, cada aldeia reivindica o seu: tibornas de Santiago, queijadas de Santa Cruz, bolo de mel de São Bartolomeu - mas são os bolinhos de amor, vendidos na padaria central depois das nove da manhã, que se comem ainda quentes, a queimar a língua. Para acompanhar, os tintos de casta Periquita e os brancos de Moscatel da região da Península de Setúbal — provam-se na Adega Cooperativa de Santiago, onde a madeira das barricas impregna o ar com um aroma adocicado e tânico em simultâneo.

O som que fica

Ao fim da tarde, quando a luz rasante transforma a cal das fachadas num tom de âmbar e o vento abranda na serra, há um instante em que o único som é o ranger de uma portada de madeira velha algures na encosta do castelo. Depois, lá ao fundo, duas vozes cruzam-se numa cantiga ao desafio — verso contra verso, rima contra rima, como se Gaio ainda andasse por ali a gravar num cassete que hoje ninguém tem leitor para ouvir. É esse duelo cantado, frágil e teimoso, que se cola à memória muito depois de se ter deixado Santiago do Cacém para trás.

Dados de interesse

Distrito
Setúbal
DICOFRE
150912
Arquetipo
CULTURA
Tier
vip

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 20.5 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola secundária e básica
Habitação~1549 €/m² compra · 6.84 €/m² renda
Clima17.3°C média anual · 559 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

60
Romance
70
Familia
45
Fotogenia
65
Gastronomia
40
Natureza
45
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra

Onde fica União das freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra?

União das freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra é uma freguesia do concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal, Portugal. Coordenadas: 38.0141°N, -8.6528°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra?

União das freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra tem 7892 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em União das freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra?

Em União das freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra pode visitar Castelo de Santiago do Cacém, Igreja matriz de Santiago do Cacém, Miróbriga e mais 6 monumentos classificados. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de União das freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra?

União das freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra situa-se a uma altitude média de 198.5 metros acima do nível do mar, no distrito de Setúbal.

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