Vista aerea de Quinta do Conde
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Setúbal · CULTURA

Quinta do Conde: entre vinhas antigas e subúrbio jovem

Uma freguesia que cresceu junto à N10 e mantém o cheiro a terra entre as moradias de Sesimbra

28 089 hab.
54 m alt.

O que ver e fazer em Quinta do Conde

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Áreas protegidas

Festas e romarias em Sesimbra

Março
Procissão dos Passos Sexta-feira Santa festa religiosa
Junho
Festas de São João 23-24 de junho festa popular
Agosto
Festa de Nossa Senhora do Cabo 15 de agosto romaria
Setembro
Festa da Nossa Senhora da Boa Viagem Primeiro domingo de setembro festa religiosa
ARTIGO

Artigo completo sobre Quinta do Conde: entre vinhas antigas e subúrbio jovem

Uma freguesia que cresceu junto à N10 e mantém o cheiro a terra entre as moradias de Sesimbra

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O autocarro pára junto à rotunda e entra pela porta aberta um cheiro que não combina com as lojas de fraldas e os electricistas — é terra de horta, fresca como a que a tua avó trazia no cabaz quando vinha do campo. Mistura-se com o asfalto quente e, se o vento está de serviço, traz uma pitada de matagal lá da Arrábida. Dizem que vivem aqui quase trinta mil pessoas em catorze quilómetros quadrados; parece mentira, mas há ruas onde o silêncio é tão grosso que dá para ouvir o relógio do vizinho atrasado.

O nome de um conde, a estrada de um país

O sítio chama-se Quinta do Conde porque aqui houve uma quinta de um conde — simples como um prato de sopa. Vinhas e hortas ocupavam o terreno até a Nacional 10 chegar, lá para os anos 20, e abrir uma ferida larga entre Lisboa e o Sul. Aí o burgo cresceu: primeiro devagarinho, depois aos molhos nos anos 80, quando quem não podia com as rendas da capital descobriu que aqui se comprava casa com quintal e ainda sobrava dinheiro para o cartão do Continente. Em 97 separaram-se de Alfarim, como quem sai de casa dos pais: trouxeram os móveis e a conta bancária e fundaram freguesia.

Censos dizem que há tanto miúdo como velho — diferença de uns cento e poucos. Traduzindo: os parques têm bichos, os bancos têm conversa.

Entre o asfalto e a Arrábida

A serra fica ali ao lado, tão perto que parece que a qualquer momento se vai sentar à mesa. Quando o dia está limpo, vê-se o recorte dela como se fosse um cartão-postal posto no parapeito da varanda. Ir à Arrábida aqui não é programa de domingo — é como ir ao café da esquina: sais à noite, fazes a volta e voltas a tempo de jantar. Em Agosto, quando o termómetro já arrebenta os trinta antes das dez, é o sítio onde o ar ainda sabe a azul.

Entre as casas sobraram pedaços de terra que parecem esquecidos: uma horta encostada a um muro, uma figueira que cai para cima do passeio, uma videira que decidiu subir à pergunta como quem sobe à tromba do autocarro. A freguesia continua dentro da região dos vinhos de Setúbal — e isso nota-se: há cheiro a uva nos fins-de-tarde de setembro e sempre um vizinho que se lembra de fazer umas garrafas para a mesa.

Queijo de Azeitão e o mapa dos sabores

Azeitão fica a três passos, por isso o queijo é como o pão: aparece em todas as mesas. É pequeno, mole, e quando o cortas ao meio escorre como se estivesse a chorar por saudades. Pão escuro, um fio de azeite e um copo de tinto da terra — nem precisas de travete; o teu joelho serve de tábua. O segredo é o cardo, dizem os da serra; o segredo é comer devagar, diz eu.

Uma periferia que se lê ao contrário

Não é só dormitório. Claro que há carrinhas a sair às sete para Lisboa, mas também há vida durante o dia: miúdos com mochila atrasada, velhos com o cão que pára em cada árvore, a merceira que ainda pesa o queijo na balança de pratos. Há vinte e oito sítios para ficar — nada de mega-resorts, mas quartos arranjados, casas de férias que alugar não custa mais que um jantar para quatro no Bairro Alto. Vens de carro, estacionas sem cirurgia, e em meia hora estás em Setúbal; em quarenta, em Lisboa — contando com o engarrafamento de queixa, que é como quem conta com a sardinha no pão de verão.

O som que fica

Quando a luz cai, ouve-se o que não sai nos folhetos: o ferro do portão a ranger, o sapato a arrastar no mosaico, a voz lá de dentro — “Vem, que a sopa está fria!” É a cena que se repete desde que o lugar era só umas casas ao lado da estrada. E se prestares atenção, ainda ouves a tesoura a podar a vinha: alguém insiste em fazê-lo todos os Invernos, porque “isto já se fazia antes de haver nomes para as freguesias”.

Dados de interesse

Distrito
Setúbal
Concelho
Sesimbra
DICOFRE
151103
Arquetipo
CULTURA
Tier
vip

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola secundária e básica
Habitação~2086 €/m² compra · 7.97 €/m² renda
Clima17.3°C média anual · 559 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

40
Romance
75
Familia
30
Fotogenia
45
Gastronomia
35
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Quinta do Conde

Onde fica Quinta do Conde?

Quinta do Conde é uma freguesia do concelho de Sesimbra, distrito de Setúbal, Portugal. Coordenadas: 38.5544°N, -9.0555°W.

Quantos habitantes tem Quinta do Conde?

Quinta do Conde tem 28 089 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Quinta do Conde?

Quinta do Conde situa-se a uma altitude média de 54 metros acima do nível do mar, no distrito de Setúbal.

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