Artigo completo sobre Couto: onde a concertina marca o ritmo das romarias
Entre antas milenares e capelas de granito, a freguesia guarda memórias de coutos medievais
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O som da concertina não é cenário — vem da casa do Sr. Albano, às 21 h quando a RTP1 acaba. No Couto, a música resume-se às festas: Lapa (15 de agosto), Porta (primeira domingo de setembro) e mais nada. As ruas entre Selim, Pinheiro e Aldeia são as mesmas desde 1950; a calçada só foi alcatroada em 2004.
Terra de isenções fiscais
Couto foi couto d'Ázere em 1125: isenção de portagens e foros. Serviu durante 400 anos, depois perdeu-se. As antas da Chã do Torrão são três pedras no meio do mato; não há placa nem acesso. A igreja de São Pedro tem porta aberta das 9 h às 18 h; o crucifixo de António da Costa Torres está à direita do altar, sem iluminação. O pelourinho foi trasladado para junto da câmara em 1940; o original está partido ao meio.
Festas com custo
Festa da Lapa: missa às 11 h, procissão às 16 h, arraial com sardinha a 8 € e vinho a 1,50 €/copo. A Porta acrescenta leilão de bolo rei no domingo. Ninguém vem de fora a não ser parentes. As lendas contam-se no café, ao balcão: a imagem de Nossa Senhora das Dores apareceu no regato em 1932; o padre guardou-a no sacristão para evitar peregrinação.
O que se come
Carne cachena só em novembro-dezembro: 18 €/kg no talho da cooperativa. O restaurante "O Vez" serve rojões com sangue (10 €); fecha segunda. Vinho verde tinto da Quinta do Couto: 3,50 € garrafa na Padaria Central. Cavacas: 1 € cada, compram-se de manhã antes de esgotar.
Rios e caminhos
O Vez tem praia fluvial marcada com bandeira azul em julho-agosto; bar de praia abre só aos fins de semana. Trilho PR 15 "Entre Vez e Ázere": 8 km, placas com QR-Code, começa atrás da igreja. O Caminho de Santiago passa ao lado do cemitério; há chafariz com água potável. Estacionamento: largo da igreja, 15 lugares, grátis.