Vilar de Mouros
sergei.gussev · CC BY 2.0
Viana do Castelo · CULTURA

Vilar de Mouros: o Woodstock português nasceu aqui

Festival histórico de 1971, pontes medievais e romarias na serra do Coura

725 hab.
220.2 m alt.

O que ver e fazer em Vilar de Mouros

Património classificado

  • MNPonte de Vilar de Mouros

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Caminha

Julho
Festa de São Bento Dias 10 a 13 festa popular
Agosto
Festas em honra de Santa Rita de Cássia Dias 23 e 24 festa popular
Romaria de São João D’Arga Dias 23 e 24 romaria
Setembro
Festa em honra de Nossa Senhora da Bonança Durante o mês de Setembro, realizam-se as seguintes Romarias e Festas Populares em Portugal:Finais de agosto a 9 de setembro festa popular
ARTIGO

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Festival histórico de 1971, pontes medievais e romarias na serra do Coura

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O ruído das guitarras eléctricas calou-se há décadas, mas a relva do recinto ainda tem o relevo dos pés descalços de 1971. No fundo do vale, onde o Coura faz a curva antes de desaguar, o ar ainda carrega um fio de incenso e gasolina. Foi ali que o Dr. Barge — que todos conhecem pelo “médico dos cães”, porque trata os animais quando o veterinário está em Vila Nova — decidiu armar o primeiro festival do país. Levou com a excomunhão e com contas que o seu ordenado de clínico geral demorou anos a pagar, mas conseguiu que os miúdos de Lisboa soubessem onde ficava Vilar de Mouros.

O vale que os mouros deixaram

Villa de Mouros, diz o cartório. Os mais velhos ainda chamam “a aldeia debaixo da ponte”, como se a pedra fosse um guarda-chuva. A ponte românica não é só postais: às sete da manhã, quando a nevoa sobe do rio, os camionistas de Espanha cortam a curva a toda a pastilha e os pescadores ameaçam-atirar-lhes as varas à cabeça. A igreja tem um sino que se ouve em Lanhelas quando o vento é norte; dentro, o ouro dos retábulos cheira a cera de vela e a roupa guardada. Nas malhadas, as casas em minhota têm a madeira pintada de azul escuro — não por regra municipal, mas porque o tintureiro da vila faz sempre sobrar desse lote.

Quando a serra se enche de romeiros

São Bento é o dia em que o aldeão leva o burro à missa. O padre benze tudo o que muge, ladr ou relincha, enquanto as crianças se escondem atrás das saias para não apanhar com a água benta. A subida a São João D’Arga começa às quatro da manhã com os clarins da espadatilha e o cheiro de bagaço que aquece o estômago. No cume, o sol nasce em cima da Galiza e o chouriço assado na lata de conserva faz fumo azul que se perde no mesmo sítio onde os peregrinos do Santo Sudário acendiam fogueiras no século XVI.

Truta do Coura e lampreia em caldeirada

A truta tem de ser comida no prato quente que o rio lavou há meia-hora. O restaurante “O Moinho” serve-a com uma colher de arroz de forno — o dono diz que é para “enxugar” o que o peixe molha. Quando vem a lampreia, são três dias de vinho tinto escuro que ferve na panela de ferro; o arroz fica tinto que até mancha os dentes. Nos dias de feira, a tasca da Dona Alda faz rojões com toucinho fumado na chaminé; o pão de milho vai num saco de pano e o molho é misturado com a borra do vinho que sobra das garrafas do jantar.

Entre o Coura e a Serra de Arga

O trilho do “Caminho dos Moinhos” começa no lugar onde o ribeiro desaparece debaixo de uma casa — há quem jurar que ouve as rodas das azenhas a ranger quando o nível da água sobe. A subida à Arga é feita de ripas de madeira pregadas na terra mole; a meio caminho, o carvalho do “Corno do Boi” tem uma corrente enferrujada onde os pastores amarravam os cães para não perderem as ovelhas nos despenhadeiros. No cume, o vento traz o sal do Atlântico e, se for dia claro, vê-se o farol de Caminha a piscar.

A água que leva o nome da aldeia

A fábrica da “Água de Vilar de Mouros” fechou há vinte anos, mas ainda há garrafas com o rótulo desbotado no café do Sr. Aníbal. A nascente fica mesmo à entrada de Sopo; os habitantes dizem que “a água é nossa, só o sítio é que é deles”. Em Agosto, o festival regressa com palcos mais pequenos e filas para a bifana que ainda mete molho de mostarda caseira. Quando os concertos acabam, os rapazes deixam as latas de cerveja nos muretes da ponte e o rio leva-as em silêncio, como se guardasse as tampas como recordação.

A última luz apanha o granito da ponte e o dente de alho que alguém esmagou no parapeito. Do outro lado, o pescador do Zé da Tília enrola o nylon à volta da lata de sardinha vazia — guarda a truta de quinhentos gramas para o pequeno-almoço. O Coura desce, indiferente, mas há quem jurar que, nas noites sem vento, se ouve ainda o eco de uma guitarra desafinada que nunca mais parou.

Dados de interesse

Distrito
Viana do Castelo
Concelho
Caminha
DICOFRE
160218
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola básica
Habitação~1318 €/m² compra · 4.74 €/m² renda
Clima15.1°C média anual · 1738 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

55
Romance
60
Familia
40
Fotogenia
35
Gastronomia
40
Natureza
35
Historia

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Perguntas frequentes sobre Vilar de Mouros

Onde fica Vilar de Mouros?

Vilar de Mouros é uma freguesia do concelho de Caminha, distrito de Viana do Castelo, Portugal. Coordenadas: 41.8807°N, -8.7821°W.

Quantos habitantes tem Vilar de Mouros?

Vilar de Mouros tem 725 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Vilar de Mouros?

Em Vilar de Mouros pode visitar Ponte de Vilar de Mouros. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Vilar de Mouros?

Vilar de Mouros situa-se a uma altitude média de 220.2 metros acima do nível do mar, no distrito de Viana do Castelo.

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