Vista aerea de União das freguesias de Parada do Monte e Cubalhão
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Viana do Castelo · CULTURA

Parada do Monte: espigueiros de xisto e caminhos medievais

Freguesia de altitude em Melgaço onde pastam duas raças DOP e a história se conta em pedra

477 hab.
649.4 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de Parada do Monte e Cubalhão

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Julho
Festa de São Bento Dia 11 festa popular
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Freguesia de altitude em Melgaço onde pastam duas raças DOP e a história se conta em pedra

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O cheiro a lenha de castanheiro mistura-se com o fumo da broa no forno comunitário de Parada do Monte. São sete da manhã e o nevoeiro ainda cobre os espigueiros de xisto, trinta e sete no total, enfiados num hectare de terra batida sem um grama de argamassa a uni-los. O silêncio é denso, quase palpável, apenas quebrado pelo tilintar dos chocalhos das vacas cachenas que descem do planalto. Aqui, a 649 metros de altitude, o ar é diferente — mais fino, mais frio, com um travo a resina de medronheiro que gruda à garganta.

O monte que obrigava à paragem

Parada do Monte não é nome escolhido ao acaso. Na Idade Média, mercadores e peregrinos que subiam a serra do Peneda rumo a Santiago faziam aqui paragem obrigatória antes do último troço de montanha. A Capela de São Bento, ermida românica do século XIII, marca ainda hoje esse ponto de passagem do Caminho Português da Costa — a seta amarela pintada no granito cinza aponta para o vale onde corre o rio Peneda. Em Cubalhão, nome que vem do latim «cubăl(l)ĭānum» (pequena cuba ou abrigo), o cruzeiro manuelino do início do século XVI ergue-se com inscrições latinas quase apagadas pelo vento e pela chuva de quinhentos invernos.

Durante as Invasões Francesas, os habitantes esconderam os bens litúrgicos da igreja matriz em covas junto ao rio. A 21 de março, na Festa de São Bento, a imagem do santo sai em procissão coberta de ex-votos de prata — mãos, pernas, corações — e no adro parte-se o folar enquanto as tecelãs competem no tear de lã barrosã. Maria da Luz Pereira, falecida em 2008 aos 87 anos, foi a última a dominar o tear de 4 pedais que a avó lhe deixara em 1953. Hoje, o tear guarda-se na casa onde viveu, na rua da Igreja, e a Câmara de Melgaço classificou a técnica como Património Imaterial em 2017.

Carne com dois nomes DOP

A freguesia é o único lugar em Portugal onde pastam em liberdade duas raças bovinas com Denominação de Origem Protegida: a barrosã e a cachena. Nos planaltos que sobem até aos 900 metros, os touros negros e pequenos da cachena dividem pasto com as reses mais robustas da barrosã. O caldo de nabos com fumeiro de boi barrosã ferve devagar nas panelas de ferro das casas de pedra. Os rojões à moda de Melgaço chegam à mesa com arroz de sarrabulho, e o bucho recheado de carne de cachena e hortelã solta um vapor denso que embacia os vidros das janelas.

Na Quinta da Peneda, o Alvarinho cresce a 650 metros — altitude que lhe empresta uma frescura acentuada e notas cítricas mais vincadas. As vinhas agarram-se ao xisto escuro, e as caves guardam garrafas que nunca saem do concelho sem antes passarem pela prova dos locais. O engenheiro agrónomo José Morais, que plantou as primeiras vinhas em 1993, ainda marca a prova com o punho cerrado: «Se o Alvarinho não aguentar três voltas no copo, não sai daqui.»

Trilho até à cascata

O PR6 «Caminho do Monte» sobe doze quilómetros até à cascata da Peneda, com 550 metros de desnível acumulado. O trilho atravessa carvalhais onde o musgo cobre tudo — pedras, troncos caídos, raízes expostas. No miradouro do Cruzeiro, a vista estende-se sobre o vale do Minho e a serra do Soajo, e nas noites sem lua o céu abre-se num manto de estrelas classificado como «Dark Sky» pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês. O abutre-do-ventre-branco risca o azul em círculos largos, e o melro-azul canta escondido nos bidoeiros.

Quando o nevoeiro desce denso sobre Cubalhão, os habitantes dizem que «o Monte está a fumar» — crença de que São Bento acende fogueira para guiar os viajantes perdidos. O eco dos chocalhos de madeira na Chocalhada de Natal ainda ressoa nas ruas desertas, e o granito das casas guarda o frio húmido da madrugada mesmo quando o sol já nasceu.

Dados de interesse

Distrito
Viana do Castelo
Concelho
Melgaço
DICOFRE
160321
Arquetipo
CULTURA
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 14.6 km
SaúdeHospital no concelho
Educação4 escolas no concelho
Habitação~404 €/m² compra · 3.67 €/m² rendaAcessível
Clima15.1°C média anual · 1738 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

60
Romance
45
Familia
40
Fotogenia
65
Gastronomia
65
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Parada do Monte e Cubalhão

Onde fica União das freguesias de Parada do Monte e Cubalhão?

União das freguesias de Parada do Monte e Cubalhão é uma freguesia do concelho de Melgaço, distrito de Viana do Castelo, Portugal. Coordenadas: 42.0420°N, -8.2490°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Parada do Monte e Cubalhão?

União das freguesias de Parada do Monte e Cubalhão tem 477 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de União das freguesias de Parada do Monte e Cubalhão?

União das freguesias de Parada do Monte e Cubalhão situa-se a uma altitude média de 649.4 metros acima do nível do mar, no distrito de Viana do Castelo.

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