Artigo completo sobre Penso: onde o rio Mouro dita o ritmo da vinha
Freguesia serrana entre moinhos de água, terraços de Alvarinho e fumeiro tradicional
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O rio Mouro ouve-se antes de se ver. Corre entre pedras escuras, move ainda três moinhos em serviço e separa as vinhas do mato. Penso fica a 231 m de altitude, agarrada aos terraços que sobem do vale. Cada muro de pedra seca demorou duas gerações a fechar; cada socalco recebe sol da manhã e vento da serra, a receita mínima para o Alvarinho que aqui nasce com acidez de navalha.
A igreja de S. Tiago existe desde 1118, mas os nomes em ‑oso (Penso, Penedo) dizem que já havia gente antes dos romanos. Do tempo restam pontes de laje, espigueiros de madeira sem tinta e cruzeiros onde se cruza sem olhar. A população fixa são 445 habitantes, 195 com mais de 65 anos. Vivem em grupos de três casas, sem lugar próprio: a junta fica na escola primária fechada desde 2009.
Na cozinha económica curam-se presuntos IGP que só estarão prontos no ano seguinte. Servem-se às fatias, com pão de centeio e vinho verde servido em copo de 200 ml. O arroz de sarrabulho leva sangue de porco, pimenta, cominhos e três horas ao lume; aparece nas festas, nunca ao almoço de domingo. A Festa de São Bento, 13 de agosto, é o dia em que os emigrantes regressam, pagam a promessa e comem cabrito assado no adro da igreja.
O Caminho de Santiago entra por Castro Laboreiro e sai para Melgaço em 12 km de terra batida. Há duas setas amarelas por quilómetro, uma fonte com água potável (GPS: 42.118, ‑8.218) e um bar que abre só ao fim-de-semana. Leve-se comida: entre Penso e o próximo café vão-se 14 km de subida.
Para chegar: seguir a EN202 até Gaveia, virar para a M537 em direção ao Parque Nacional. A estrama é estreita; em Agosto encontram-se vacas cachena no meio da via. Estaciona-se junto ao campo de futebol: é plano, árduo e sem serviços. O rio é público e tem poços onde se pode nadar; a água não passa dos 18 °C mesmo em Julho.