Artigo completo sobre Merufe: vinhas, capelas e ecos da serra de Anta
Freguesia de Monção onde o sino de São Pedro marca o tempo entre socalcos, açudes e memória benediti
Ocultar artigo Ler artigo completo
O sino da igreja bate às seis e o eco sobe a encosta até à serra de Anta. Abaixo, o Mouro leva a água das vinhas para o Minho. Em Merufe, a luz de Junho racha os muros de granito das sete capelas espalhadas pela freguesia. Cheira a terra regada e a lenha queimada.
O que ficou da história
O nome vem do árabe, mas o que importa é que Merufe foi senhorio dos Abreus e deu um convento beneditino ao rei D. João II em 1461. A igreja de São Pedro manteve-se: três naves, colunas redondas, talha dourada. A porta lateral dá para o vazio onde estava o convento. As imagens de São Pedro e São Paulo estão lá desde sempre.
O que se vê
Vinhas em socalcos até ao rio. Açudes que seguram o Mouro. Caminhos de terra ligam Mosteiro Parada a Sernados, passando por espigueiros de pedra. Na Portela do Alvite, dias 12 e 28, há feira de gado. Vêm-se 20 vacas, 50 ovelhas e três velhos a discutir preços. Dos 864 habitantes, 386 têm mais de 65 anos. Apenas 50 têm menos de 14.
O que se come
Cabrito à moda de Merufe: assado em forno de lenha com alho, vinho branco e colorau. Serve-se com batatas coradas na gordura. Acompanha-se com branco leve da quinta ao lado. Se não houver cabrito, há sempre Carne Barrosã ou Cachena da Peneda.
Quando se vai
29 de Junho: São Pedro e festival folclórico. Último domingo de Julho: procissão do Senhor dos Passos sobe a rua da Igreja. 25 de Abril: Festa da Pica com sardinha e vinho a 1,50 € o copo.
Quando o sino bate de novo, já é noite. O frio sobe do rio e as chaminés largam fumo contra o céu. Merufe não tem hotéis nem vistas panorâmicas. Tem cabrito no forno, vinho verde na garrafa e o silêncio de quem fica.