Vista aerea de União das freguesias de Crasto, Ruivos e Grovelas
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Viana do Castelo · CULTURA

Crasto, Ruivos e Grovelas: três aldeias, um vale

União de freguesias em Ponte da Barca onde o tempo corre ao ritmo dos ribeiros e da pedra

768 hab.
283.6 m alt.

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Agosto
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ARTIGO

Artigo completo sobre Crasto, Ruivos e Grovelas: três aldeias, um vale

União de freguesias em Ponte da Barca onde o tempo corre ao ritmo dos ribeiros e da pedra

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O sino da igreja deixa três badaladas que se vão abaixo pelo vale, rasram nas searas de centeio e morrem junto ao cruz de pedra. Em Ruivos ninguém se assenta à janela para ouvir: já se sabe que é a hora das três. O silêncio que fica é grosso, do tamanho da encosta, partido só pelo melro que se bebe no moinho abandonado e pelo rangido da porta do Celestino quando ele vai buscar lenha. Cheira a lenha verde de carvalho e, se o vento vira, traz o pão que a D. Rosa tira do forno às quintas.

Crasto, Ruivos e Grovelas juntaram-se no papel em 2013, mas quem cá anda sabe que o vale sempre foi só um: o mesmo ribeiro serve as três aldeias, o mesmo caminho de Santiago leva os peregrinos, o mesmo vento leva o cheiro do esterco para todo o lado. São 954 hectares, dizem os mapas; para nós é o tempo que se leva a ir a pé da capela de Nossa Senhora da Paz até ao cruzeiro do Crasto, contando com paragem para beber água na fonte da Póvoa.

Pedra, água e o que sobrou

Crasto nasceu onde o ribeiro fazia ressaca: as casas colam-se ao xisto como lembra-te-de-mim, umas por cima das outras, para não roubar terra às searas. Os moinhos ainda estão de pé, mas as rodas partidas ficaram presas ao eixo e o pêndulo não anda há anos. No entanto, quando descem as chuvas de janeiro, o raio do ribeiro enche-se e o moinho do Pimenta dá meia-volta, só para lembrar que já moveu engrenagens.

A igreja de Ruivos tem um portal manuelino que parece feito com uma faca de cortar pão: talhado fino, tão fino que a pedra parece dobrar-se. Quando o sol bate ao meio-dia, o granito clareia e dá para ver o buraco da bala que os franceses deixaram em 1809. Dentro, o cheiro é a cera derretida e a madeira que o tempo foi escurecendo. A talha dourada de Grovelas perdeu folha, mas ainda se vê o anjo que falta um olho e a Virgem com o menino ao colo, sorrindo como quem sabe que o restauro nunca chega.

Gado que marca o relógio

As Cachenas saem às sete da manhã, sozinhas, pela estrada acima. Não precisam de ninguém: sabem o caminho das branas como quem sabe ir às traseiras de sua casa. Em junho sobem, em outubro descem; no meio tempo, pastam onde querem. A carne, depois de três dias no fumeiro de carvalho, fica com um cheiro que se mete na roupa e não sai. O ensopado leva tomilho bravo que se arranca ao lado da cisterna e um fio de azeite tão verde que arde na garganta.

Nas tasquinhas não há ementa: pergunta-se o que há, serve-se o que aparece. Pode ser lampreia quando o Lima traz, pode ser torresmos quando mata o porco. O vinho é branco, servido em canecas de barro que deixam a boca com giz.

O trilho que sobe e não castiga

O PR3 começa junto ao moinho de Crasto e sobe por um carreiro de xisto solto. A primeira paragem é o souto do costume: castanheiros que deram fruto antes da nossa avó nascer. A seguir, a levada que levava água ao moinho; a água sumiu, mas a levada aguenta-se como antiga promessa. No alto, o miradouro é só uma laje maior, mas dá para ver o Lima a fazer a curva do Gaio e a serra a perder-se em nome de aldeia que já ninguém habita.

Desce-se por Grovelas entre muros de pedra onde cresce tomilho e onde as crianças escrevem nomes com pedra de grafite. A praia fluvial é um recanto de areia fina que o ribeiro trouxe de noite; em agosto cheira a protetor solar e a sardinha assada, mas em setembro fica só o cheiro a reuma da água que já não aquece.

O que fica

Quando o sol se põe atrás do cruz de Ruivos, o vale fica em sombra e o vento traz o cheiro a estrela-do-cobre, flor que só abre à noite. A D. Rosa recolhe o linho que pôs ao sol, o Celestino fecha a porta do curral e o sino não badala mais: é dia de semana, não há missa. Fica o silêncio, o cão que ladra longe, o cheiro a lenha que arde na chaminé de alguma casa e a certeza de que, no dia seguinte, as Cachenas voltam a subir sozinhas, o ribeiro leva mais uma pedra e o pão será outra vez tirado do forno às três.

Dados de interesse

Distrito
Viana do Castelo
Concelho
Ponte da Barca
DICOFRE
160626
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 22.6 km
SaúdeHospital a 6.4 km
Educação4 escolas no concelho
Habitação~759 €/m² compra · 3.33 €/m² rendaAcessível
Clima15.1°C média anual · 1738 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

50
Romance
50
Familia
30
Fotogenia
50
Gastronomia
55
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Crasto, Ruivos e Grovelas

Onde fica União das freguesias de Crasto, Ruivos e Grovelas?

União das freguesias de Crasto, Ruivos e Grovelas é uma freguesia do concelho de Ponte da Barca, distrito de Viana do Castelo, Portugal. Coordenadas: 41.7537°N, -8.4428°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Crasto, Ruivos e Grovelas?

União das freguesias de Crasto, Ruivos e Grovelas tem 768 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de União das freguesias de Crasto, Ruivos e Grovelas?

União das freguesias de Crasto, Ruivos e Grovelas situa-se a uma altitude média de 283.6 metros acima do nível do mar, no distrito de Viana do Castelo.

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