Artigo completo sobre Gaifar: vinhas, nevoeiro e caminhos de Santiago
Entre o vale do Lima e os trilhos de peregrinação, uma freguesia onde o tempo segue o sino
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O granito da igreja está húmido. Não é romance — é o vale do Lima. Gaifar tem 162 metros de altitude, 2 km² e duas dezenas de habitantes. O sino toca às 7h e às 19h. Quem vem de fora perde-o no nevoeiro de Outubro.
Dois caminhos, zero cafés
O Central e o Nascente cruzam aqui, mas não há setas amarelas. Segue a fita cintilhante que o José pôs no poste; depois do muro de pedra seca, vira à direita. Quem quiser selo tem de bater à casa do padre — se ele estiver no horto, espere.
As três romarias (Boa Morte, Saúde, Socorro) ainda se fazem, mas já ninguém vai a pé. Serve-se sopa no pátio da igreja e leva-se o tupperware para casa.
Onde dormir e onde ir
Só há um sítio: casa do Adérito (Rua do Cruzeiro, nº 14). São dois quartos, cozinha partilhada, 45 € o casal. Marca com antecedência; ele trabalha no porto de Viana e só passa à noite.
Aqui não há padaria nem café. Para comer, leve garrafa de água e sandes. A trilha para Bertiandos começa atrás do cemitério: 5 km de lama até às lagoas. Leve botas; nos dias de chuva o trilho é um regato.
Vinha e pasto
As vinhas são pequenas parcelas familiares; a uva vai para a cooperativa de Ponte de Lima. Quem quiser comprar vinho bate à porta da D. Fernanda — ela vende o litro a 2 €, garrafeira de plastico.
Gado Barrosão há pouco; os terrenos são demasiado pequenos. Vê-se mais vaca nos campos de milho do que nos lameiros. Para carne certificada vá ao talho Oliveira na vila (aberto 2.ª a 6.ª até às 18h).
O que levar
- Lanterna: não há iluminação pública.
- Trocos: o Adérito não aceita MB.
- Repelente: as lagoas são fábrica de moscas.
Quando o nevoeiro levanta, vê-se a serra de Arga. É o único postal possível — e não há lugar para selfie stick.