Vista aerea de Gemieira
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Viana do Castelo · CULTURA

Gemieira: planícies do Lima entre lagoas e vinhas

Freguesia de zonas húmidas e Vinhos Verdes junto ao Monumento Natural das Lagoas de Bertiandos

602 hab.
78.9 m alt.

O que ver e fazer em Gemieira

Património classificado

  • IIPCasa do Outeiro

Produtos com Denominação de Origem

Áreas protegidas

Festas e romarias em Ponte de Lima

Julho
Festa da Senhora da Boa Morte Último fim-de-semana festa popular
Festa do Senhor do Socorro Primeiro fim-de-semana festa popular
Agosto
Festa do Senhor da Saúde Dias 23 e 24 festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Gemieira: planícies do Lima entre lagoas e vinhas

Freguesia de zonas húmidas e Vinhos Verdes junto ao Monumento Natural das Lagoas de Bertiandos

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O ar húmido da manhã cheira a terra pisada e a relva que o tractor do Sr. Joaquim acabou de cortar. Nas margens das lagoas, a neblina sobe como fumo — é o cheiro das canas a grelhar ao sol. As garças levantam-se devagar, com aquela preguiça de quem conhece o sítio como as próprias unhas. Gemieira acorda aos poucos, ao ritmo das águas que lhe marcaram a vida — planícies que o Lima inunda quando lhe apetece, deixando lama boa para os milhos e para as batatas.

A freguesia cabe numa palma de mão: quatrocentos hectares, setenta e oito metros de altitude, mais nada. Seiscentas e duas pessoas, mas destas, cento e quarenta e três já têm idade para receber a pensão na Casa do Povo. As crianças são setenta e nove — dá para uma escola primária que fecha de dois em dois anos. Ainda assim, há vida: quem trabalha em Ponte de Lima, quem vai ao Porto ao fim-de-semana, quem se agarra às vinhas como quem se agarra a um parente velho.

Onde a água manda

As lagoas de Bertiandos são aquilo que restou quando o Lima decidiu mudar de caminho. No Inverno enchem-se e parecem mar — há dias em que os patos-tecelões fazem mais barulho que o pessoal na tasca. Na Primavera, o reflexo dos choupos é tão limpo que dá para ver o ventre das nuvens. Caminhar ali é ir com cuidado: o chão é esponja, há buracos onde o pé se perde até ao joelho. O silêncio é outro — é o silêncio que faz cócegas, aquele que leva a pessoa a tossir só para confirmar que tem voz.

A água que mantém as lagoas é a mesma que desce das vinhas. As videiras estão pregadas aos postes como rendas velhas — umas em ramada, outras em espaldeira, conforme a preguiça do dono. Em Agosto, a ualheira cheira a sumo prestes a rebentar. A colheita é um correr: mulheres de chapéu de palha, homens com facas na cintura, crianças a roubar uvas antes de irem para a escola. O vinho é verde mesmo — azedo como um limão, leve como água de poço. Bebe-se em copos pequenos, com tremoços e conversa de horta.

Três festas, três desculpas para comer

A Senhora da Boa Morte (que nome, meu Deus) é em Agosto. O Senhor da Saúde em Setembro, e o Senhor do Socorro quando a romaria de S. Bento já passou. São três domingos em que a aldeia engorda: chouriça de carne de porco caseiro, feita no dia do São Martinho do ano passado; salpicão que o Zé Manel fuma na chaminé durante três semanas; carne de Barrosã que o Sr. Albano traz de Lamaçães — não é do Barroso, mas tem a gordura no sítio certo. As mesas estendem-se sob as latadas das festas, os netos comem pudim de leite até lhes doer a barriga, e há sempre um tio que canta "Ó Minho, Minho meu" depois do terceiro copo.

O único monumento classificado é a cruz de pedra junto à igreja — tem uma cara de santo desgastada pela chuva e um nicho onde as velas se apagam com o vento do Lima. Gemieira não tem castelos nem conventos, mas tem o Caminho. Os peregrinos passam com as mochilas aos saltos, perguntam onde se bebe água, e nós apontamos para a fonte da Praça — água de nascente, fria como o desprezo de uma sogra. Há oito casas para turistas: antigas eiras convertidas em quartos com aquecimento, onde se serve pão de milho com doce de abóbora e se fala do tempo como se fosse notícia.

Quando o sol se põe atrás das lagoas, a água fica dourada como o mel do Sr. António. A garça-real fica parada, uma estátua com olhos de vidro. Às seis badaladas, o sino da igreja lembra que é hora de jantar — o som abafa-se nos choupos, como quem não quer incomodar. Gemieira não pede nada, só deixa estar. Quem pára, fica. Quem fica, entende que o tempo aqui é como o Lima: vai devagar, mas vai todo.

Dados de interesse

Distrito
Viana do Castelo
Concelho
Ponte de Lima
DICOFRE
160727
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 19.1 km
SaúdeHospital no concelho
Educação25 escolas no concelho
Habitação~1128 €/m² compra · 4.93 €/m² renda
Clima15.1°C média anual · 1738 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

50
Romance
60
Familia
35
Fotogenia
45
Gastronomia
50
Natureza
25
Historia

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Perguntas frequentes sobre Gemieira

Onde fica Gemieira?

Gemieira é uma freguesia do concelho de Ponte de Lima, distrito de Viana do Castelo, Portugal. Coordenadas: 41.7754°N, -8.5269°W.

Quantos habitantes tem Gemieira?

Gemieira tem 602 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Gemieira?

Em Gemieira pode visitar Casa do Outeiro. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Gemieira?

Gemieira situa-se a uma altitude média de 78.9 metros acima do nível do mar, no distrito de Viana do Castelo.

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