Artigo completo sobre Santa Comba: vinhas, olaria e três romarias no vale
Freguesia de Ponte de Lima onde o barro moldou história e as festas religiosas marcam o calendário
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O sino da ermida ouve-se às 7h30, quando ainda há nevoeiro no Lima. Serve para marcar o tempo dos poucos que vivem nas 70 casas dispersas pelas vinhas. A altitude não chega aos 40 m, mas o granito das habitações antigas — muitas abandonadas — mantém o frio dentro. O cheiro a terra molhada vem das hortas que ainda resistem junto às levadas medievais.
A cabana que virou freguesia
Sancta Comba significa "santa cabana". Ninguém sabe onde ficava a ermida original. Em 1527, eram 20 habitantes. Hoje, são 591 e a tendência é baixar. A olaria morreu há 30 anos: a última oleira, dona Alice, fechou o forno em 1994. O barro já não se extrai do Lima.
Três ermidas, três romarias
Três festas para 591 pessoas. A da Boa Morte, em setembro, junta os emigrantes que voltam. A do Senhor da Saúde, em maio, tem procissão com romeiros a pé desde Ponte de Lima. A do Senhor do Socorro, em julho, é a única com ranchos folclóricos — trazidos de freguesias vizinhas porque aqui já não há gente nova. A igreja matriz tem campanário de 1693 e retábulo barroco que precisa de restauro há duas décadas. A Câmara não tem dinheiro.
Sabores da despensa minhota
O restaurante "O Moinho" serve papas de sarrabulho à quinta-feira e no fim-de-semana. Antes era diário, mas os clientes escassearam. O bolo de Santa Comba só se encontra na padaria de Friastelas, 3 km fora, e é preciso encomendar com 24 h. O vinho verde loureiro vem da Quinta do Convento — 7 € garrafa directamente na adega.
Caminhos de pedra e água
O Central Português e o Nascente cruzam na estrada municipal 203, junto ao moinho de Valboa. A seta amarela está pintada no muro da antiga escola primária, hoje casa de apoio aos peregrinos com 8 camas — chave na taberna do Zé, que abre às 8h. Para as lagoas de Bertiandos, seguir a ciclovia por 5 km até à N201.