Vista aerea de Fontoura
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Viana do Castelo · CULTURA

Fontoura: Cruzamento de Três Caminhos para Santiago

Freguesia minhota onde convergem rotas de peregrinação, capelas centenárias e arquitectura rural

685 hab.
40.2 m alt.

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Freguesia minhota onde convergem rotas de peregrinação, capelas centenárias e arquitectura rural

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O sino da Igreja Matriz de São Gabriel soa sobre os campos de milho e as vinhas baixas. Três peregrinos sobem a encosta, bordões a bater na calçada irregular, mochilas às costas, seguindo as setas amarelas pintadas nas ombreiras de granito. Fontoura é um dos raros lugares onde convergem três rotas oficiais do Caminho de Santiago — o Central Português, o da Costa e o Nascente — transformando esta freguesia de 685 almas num nó silencioso de caminhantes que atravessam o Minho rumo à Galiza.

Cinco capelas, uma ribeira

A paisagem desenrola-se em suaves ondulações a quarenta metros de altitude, campos intercalados por bosques de carvalho-alvarinho e sobreiro. A Ribeira de Fontoura serpenteia entre os vales, criando pequenas manchas de verdura onde crescem salgueiros e o som da água se mistura com o canto dos chapins. Percorrer o circuito das cinco capelas — São Gabriel, do Pópulo, São José, Senhor dos Aflitos, Casa Alta — é seguir os passos das "chapeladas", romarias a pé que as comunidades locais ainda mantêm, deslocando-se aos nichos religiosos em dias de novena.

Na capela do Senhor dos Aflitos, ex-votos de barcos em miniatura pendem do tecto, recordação da ligação antiga ao rio Minho e aos pescadores que aqui pediam protecção antes de lançar as redes. A devoção materializa-se em madeira pintada de azul e branco, réplicas de traineiras que nunca navegaram mas guardam a memória das que o fizeram.

Talha dourada e casas senhoriais

A Igreja Matriz, reconstruída no século XVIII, ergue-se no centro da freguesia com o seu retábulo barroco em talha dourada. A luz da tarde entra pelas janelas altas e incendeia os anjos esculpidos, os ramos de videira entalhados, as volutas que sobem até ao tecto. Ao lado, a Quinta de São Gabriel mantém a fachada senhorial de pedra lavrada, portão de ferro forjado, jardim murado onde crescem hortênsias e cameleiras.

A Casa do Gonçalo, exemplar de arquitectura rural minhota, exibe o alpendre largo, o forno de lenha ainda em uso, o espigueiro de granito onde o milho seca ao vento. São 417 edifícios para menos de setecentos habitantes — números que revelam a dispersão do povoamento, pequenos aglomerados de casas baixas separados por campos de cultivo e caminhos de terra batida.

A broa que acorda a aldeia

É ao sábado, por volta das sete da manhã, que o cheiro da broa a cozer escapa do forno da Dona Alda. O aroma vai-se abrir caminho pelas ruas de terra batida, desliza pelas frestas das janelas de madeira pintada de verde, acorda até o cão do Sr. Arménio que ladra três vezes antes de se rolar de volta ao sol. Quem passa à porta da padaria — que é só um balcão na cave da casa — ouve o estalo da massa a bater na bancada de madeira, o som seco do milho a moer-se.

A broa de Fontoura não é doce como na cidade. É salgada, densa, com a crosta dura que parte em lascas quando a partes ao meio. A Dona Alda enrola-a num papel de estrada, ainda fumegante, e entrega-a a quem chega com as mãos frias. "Comam enquanto está quente", diz ela, "que o milho é nosso e o forno é de pedra que o meu avô construiu".

Nos dias de festa, são os rojões que tomam conta das cozinhas. O colorau tingido de vermelho-alaranjado frita-se no azeite da terra, junta-se o alho espremido na pedra, o louro do quintal. O fumo sobe pela chaminé de barro e deixa o casco do chapéu do Sr. Joaquim a cheirar a fogo durante três dias.

Festa de São Gabriel e Senhora do Faro

No domingo seguinte a 29 de Setembro, a Festa de São Gabriel traz a procissão pelas ruas estreitas, missa cantada, arraial com danças tradicionais e comes e bebes que se estendem pela noite. Em Agosto, a Festa da Senhora do Faro ilumina a capela homónima com velas e lanternas de papel, a procissão nocturna avançando devagar entre os campos, rezas murmuradas, silêncio apenas quebrado pelo arrastar dos pés na terra seca.

Quando os peregrinos partem ao amanhecer, levam consigo o eco do sino de São Gabriel, o sabor do Alvarinho, a imagem dos barcos de madeira suspensos na capela — três caminhos que aqui se cruzam, três rotas que seguem para norte, deixando Fontoura novamente só com as suas vinhas, a sua ribeira, o granito das ombreiras marcado pelas setas amarelas que apontam sempre em frente.

Dados de interesse

Distrito
Viana do Castelo
Concelho
Valença
DICOFRE
160805
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeCentro de saúde
Educação10 escolas no concelho
Habitação~945 €/m² compra · 4.3 €/m² rendaAcessível
Clima15.1°C média anual · 1738 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
45
Familia
30
Fotogenia
35
Gastronomia
40
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Fontoura

Onde fica Fontoura?

Fontoura é uma freguesia do concelho de Valença, distrito de Viana do Castelo, Portugal. Coordenadas: 41.9576°N, -8.6432°W.

Quantos habitantes tem Fontoura?

Fontoura tem 685 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Fontoura?

Fontoura situa-se a uma altitude média de 40.2 metros acima do nível do mar, no distrito de Viana do Castelo.

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