Artigo completo sobre Candemil e Gondar: sinos, granito e festas do Minho
União de freguesias em Vila Nova de Cerveira onde a memória rural resiste a 395 metros de altitude
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O sino da Igreja de Candemil toca às 7h, 12h e 19h. Três vezes, como manda o costume. O som chega-lhe ao pé em 30 segundos; ao campo de milho mais próximo, em dois minutos. A 395 metros de altitude, o ar da manhã traz lenha queimada e, quando o vento vira, o cheiro dos eucaliptos que substituíram os carvalhos.
Doações e roubos
D. Mendo Moniz recebeu estas terras em 1147. Ninguém sabe ao certo onde ficava a tal Capela do Espírito Santo — dizem que era em Gondar, mas o lugar chama-se agora Pego do Sino. A talha dourada da igreja de Candemil veio dali, mas o registo diz apenas "trasladada em 1894". A Capela do Amparo guarda um altar que, segundo o livro de tombo, "foi retirado do Convento de São Paio em 1834". Ninguém assinou por baixo.
Festas com hora marcada
1 de agosto: procissão de São Félix às 16h, missa às 17h. Três ranchos folclóricos, nenhum com menos de 60 anos. 24 de junho: fogueira na praça de Gondor acesa às 22h30, bacalhau às 23h. 8 de setembro: romaria do Amparo. Missa, bifanas e vinho de garrafa reutilizada. Acaba às 20h porque o padre vem de Vila Nova de Cerveira e tem que regressar.
O que se come
No café "O Candemil" servem sarrabulho à quinta-feira — é quando matarem o porco. Em Gondar, a "Tasca do Jorge" faz rojões às quartas, quando o talho tem carne fresca. As trutas vêm da piscicultura de Melgaço; os ribeiros locais há décadas que não as têm. O vinho é Loureiro ou Trajadura, 3 euros o copo.
Por onde se anda
O Caminho da Costa marca 17,3 km até Caminha. Passa em Candemil aos 12 km, depois de Vila Praia de Âncora. Tem seta amarela na rotunda da igreja. O trilho de Gondar a Castro é 5 km ida e volta — segue a marcação vermelha e branca do PR1. Leve água: não há cafés no percurso.
Ao final do dia, o último autocarro para Vila Nova de Cerveira parte às 19h15. Perdeu-o? Tem táxi: 15 euros.