Artigo completo sobre Sopo: entre azenhas, ribeiras e sapos de massa folhada
Freguesia de quarenta lugares onde a água molda a paisagem e os caminhos rurais levam a Santiago
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O som da água é o primeiro sinal. Desce dos montes pela Ribeira de Real, mas não é cascata - é o ruído constante de água que corre entre pedras, dia e noite. São estas ribeiras que deram nome ao lugar. Sopam águas, diziam os antigos. Hoje vivem aqui 497 pessoas espalhadas por 40 lugares entre os 100 e 300 metros de altitude.
Pedra, cal e silêncio
A Igreja de São João Baptista está no meio. Branca, do século XVIII, abre às 9h aos domingos. As capelas de São Sebastião em Aboi e Santo André em Espinhosa são Imóveis de Interesse Público - podem visitar-se, mas levem lanterna: não há luz elétrica. As pontes de pedra sobre a ribeira ainda servem. O Caminho da Costa passa aqui - marcas amarelas nas paredes indicam o caminho para Santiago.
O trilho das azenhas
A Rota das Azenhas tem 4 km. Começa na estrada principal, junto ao restaurante O Moinho. São 90 minutos a pé, subida incluída. Leve água - não há cafés no percurso. As azenhas estão em ruínas, mas dá para ver as rodas de pedra. Na Mata de Sopo há mesas de piquenique. O trilho está sinalizado, mas o GPS ajuda: coordenadas 41.9134N, 8.6506W.
Sapos que não saltam
Os sapos são folhados de doce de ovos. Compram-se na padaria às quartas e sextas - saem do forno às 14h, acabam rápido. O pão de ló de Cimo de Vila leva 6 ovos por bolo. O cabrito assa nos fornos de lenha das três vilas: Sopo, Aboi e Espinhosa. Marque com antecedência - só há três fornos activos. O vinho verde é loureiro, vende-se na Adega Cooperativa de Vila Nova de Cerveira a 3,50€ garrafa.
Festa e memória
24 de junho: procissão de São João começa às 18h na igreja. Segue-se arraial na Escola Primária - sardinha assada 3€, vinho 1€. 16 de agosto: Festa de S. Roque em Espinhosa. 20 de janeiro: S. Sebastião em Aboi - missa às 11h, depois convívio com caldo verde. As Festas Concelhias mudam de data - confirmar na Junta de Freguesia.
Ao fim da tarde, o nevoeiro sobe do rio. São 40 lugares sem cafés, sem bombas de gasolina, sem supermercados. Mas há água a correr, pão acabado de fazer, e silêncio que não se encontra na auto-estrada.