Artigo completo sobre Vila Verde: Vinhas, Castro e Silêncio no Douro
A maior freguesia de Alijó guarda castro da Idade do Bronze, altares romanos e tradições medievais
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O cruzeiro do Freixo fica num largo sem sombra. Às 18h, quando o sol desce atrás da serra, a pedra ainda queima. É o único sinal de vida num lugar onde o silêncio pesa: 547 pessoas, 37 crianças, 210 idosos. Faz as contas.
O castro do Freixo está a 708 m. Subam pelo carreiro ao lado do cemitério - 15 minutos. As duas linhas de muralhas vêem-se bem no Google Earth, mas no terreno é só pedra solta e urzes. Nada está sinalizado. Levem água: não há café nem fonte.
A igreja de Santa Marinha abre às 7h30 para a missa dominical. O resto do tempo está fechada. A chave está com o Sr. Armindo - mora na casa branca em frente, porta com rododendro. Batem duas vezes, ele vem de chinelo.
A romaria do Senhor de Perafita é no primeiro domingo de maio. Começa às 6h na igreja, sobe até ao cruzeiro do C outo, desce por Madorras. Traga sapatos que aguentem 8 km de estrada de terra e lama se choveu na véspera.
As vinhas são todas de table wine. O Quinta do Freixo vende garrafas a 3€, mas só se souberem onde bater - é a quinta com portão verde e caixa de correio partida, 500 m depois do cruzeiro. Não aceita MB.
O único sítio para dormir é a Casa do Brigadeiro (booking refere-se a "moradia"). Tem 3 quartos, cozinha equipada, mas o supermercado mais próximo fica em Alijó - 12 km. Marquem com antecedência: a senhora dona só vai limpar a casa no dia da chegada se lhe ligarem com 24h.
Quando escurecer, as luzes que se vêm são Favaios e o parque eólico. O resto é escuro total. Tragam lanterna: os candeeiros da estrada apagam-se à meia-noite.