Vista aerea de Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega
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Vila Real · CULTURA

Codessoso, Curros e Fiães: três aldeias no Tâmega

União de freguesias a 819 metros, entre pontes romanas, caretos de entrudo e cânticos do século IX

257 hab.
819.3 m alt.

O que ver e fazer em Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Boticas

Janeiro
Festa de São Sebastião Dia 20 festa popular
Julho
Romaria ao Santuário do Senhor do Monte Último domingo romaria
Agosto
Festa de Nossa Senhora da Livração Dias 23 e 24 festa popular
Romaria de S. Salvador do Mundo Dias 23 e 24 romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Codessoso, Curros e Fiães: três aldeias no Tâmega

União de freguesias a 819 metros, entre pontes romanas, caretos de entrudo e cânticos do século IX

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O som chega primeiro: o eco metálico de água a bater na roda de madeira — lembra aquele barulho do liquidificador quando ainda era sua avó a bater os legumes no almofariz. Depois o murmúrio do Tâmega lá em baixo, como quem conversa ao ouvido. Só depois é que se ouve o estalo da lenha: alguém acende o lume para o café. Fiães acorda assim, a 819 metros, com a paisagem sonora de quem ainda marca a vida pela água que entra no moinho e pela fome que saiu do fogão.

A ponte romano-gótica, com os seus dois arcos escuros, guarda no segundo uma marca de 1755 — a escala das cheias. Dizem que foi o dia em que o Tâmega se levantou da cama do lado errado. A pedra ficou tatuada, como quem leva uma cicatriz de guerra e não se importa de mostrar.

Três aldeias, um anfiteatro de xisto

Codessoso, Curros e Fiães juntaram-se em 2013 por decisão de quem nunca cá vem, mas cada um continua a sua vida. Codessoso é o vizinho que gosta de estar no alto — dá para ver a barba ao diabo. A Capela de Nossa Senhora da Livração tem azulejos que valiam fortunas em casa de leilão, mas aqui ficam sossegados. No primeiro domingo de maio descem os habitantes aos campos com a procissão; cantam uma ladainha em latim que ninguém percebe, mas que faz o milho crescer. Curros é o lugar onde os currais ainda têm o nome da família — e as ovelhas parecem saber. O Cruzeiro de granito está ali desde que os avós eram meninos; a Casa do Eirô, com a sua fachada caiada, lembra o tempo em que havia quem escrevesse "solar" no envelope. Fiães, mais baixo, agarra-se ao rio como quem não quer pagar a conta sozinho. A ponte, desde que os romanos a construíram, tem sido o único sítio onde o Tâmega não discute com ninguém.

Caretos, máscaras e fogachos na encosta

No Domingo Gordo, os caretos de Curros saem à rua com máscaras de freixo feitas na véspera — mais vale não perguntar onde é que o António arranjou aquele freixo tão jeitoso. As matrafonas fecham as janelas, mas deixam a porta entreaberta: ninguém quer perder o espetáculo. A 6 de agosto, na Romaria de S. Salvador, a encosta parece um presépio ao contrário: os fogachos descem em cascata e as vozes sobem em desafio. É como o futebol, mas sem bola — ganha quem improvisa melhor e não falha o tento.

Feijoada de maronesa e mel que guarda a serra

Aqui a comida não é inventada: é herdada. A feijoada de maronesa leva o tempo que leva — ponha a panela no forno às nove da manhã e vá à missa, à tertúlia e ao café. Quando voltar, a carne desce do osso sozinha, como quem pede desculpa por ter demorado. O salpicão corta-se à faca grossa, não se fia da máquina. O mel de Barroso, então, é um caso sério: cada colher é uma viagem ao bosque onde a urze e a giesta fazem o trabalho sujo. Quem leva um pote para casa tem de prometer que não vai misturar com nada — até o pão de centeio fica sem jeito se anda por perto.

O trilho que liga cinco rodas d'água

O PR 15 "Trilho dos Moinhos" é o percurso ideal para quem gosta de caminhar sem pressa e voltar com os sapatos limpos — o chão de xisto esculpe-se sozinho. Ao sábado, às dez, o Moinho do Pego abre as portas: o moleiro mostra como se faz farinha sem trapaça. O cheiro a cereal acabado de moer mistura-se com o húmido do ribeiro — é como entrar numa padaria subterrânea. Em Fiães, as lajes do Tâmega servem de espreguiçadeira de granito: o rio aquece ao sol da tarde e ninguém paga cama. A GR 38 corta a freguesia de lado a lado: de um extremo ao outro, são 14 km onde o corço aparece mais vezes que o autocarro.

O dia acaba quando a última luz bate na ponte e a marca de 1755 parece um relógio de pedra. Lá em cima, em Codessoso, o espigueiro circular — o único do concelho — ainda guarda o milho como em 1832, sem Instagram. O Tâmega continua a correr, indiferente, levando a água, a farinha e o fumo das chaminés. A aldeia fica pequena, mas ninguém se queixa: aqui o silêncio é tão grande que cabem todos.

Dados de interesse

Distrito
Vila Real
Concelho
Boticas
DICOFRE
170220
Arquetipo
CULTURA
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 49.6 km
SaúdeCentro de saúde
Educação2 escolas no concelho
Habitação~471 €/m² compraAcessível
Clima14°C média anual · 1018 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

60
Romance
45
Familia
40
Fotogenia
70
Gastronomia
45
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega

Onde fica Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega?

Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega é uma freguesia do concelho de Boticas, distrito de Vila Real, Portugal. Coordenadas: 41.6217°N, -7.6989°W.

Quantos habitantes tem Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega?

Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega tem 257 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega?

Codessoso, Curros e Fiães do Tâmega situa-se a uma altitude média de 819.3 metros acima do nível do mar, no distrito de Vila Real.

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