Vista aerea de Covas do Barroso
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Vila Real · RELAXAMENTO

Covas do Barroso: vale entre serras e memória gótica

Igreja com túmulo de leões, fumeiro protegido e lameiros entre a Serra da Sombra e do Pinheiro

191 hab.
621.5 m alt.

O que ver e fazer em Covas do Barroso

Património classificado

  • IIPCruzeiro de Covas do Barroso
  • IIPIgreja de Santa Maria (Covas do Barroso)

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Boticas

Janeiro
Festa de São Sebastião Dia 20 festa popular
Julho
Romaria ao Santuário do Senhor do Monte Último domingo romaria
Agosto
Festa de Nossa Senhora da Livração Dias 23 e 24 festa popular
Romaria de S. Salvador do Mundo Dias 23 e 24 romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Covas do Barroso: vale entre serras e memória gótica

Igreja com túmulo de leões, fumeiro protegido e lameiros entre a Serra da Sombra e do Pinheiro

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O fumo sobe direito da chaminé do forno comunitário, desenhando um traço vertical sobre o vale encaixado. É meio da manhã e o granito das casas ainda segura a humidade da noite, pedra escura onde o musgo cresce nas juntas mais sombrias. Ao fundo, a ribeira de Covas murmura por baixo da ponte de arco único — não medieval, reconstruída após a cheia de 1909 que arrastou a ponte antiga levando embora o moiniro António da Ribeira. Quem olha do Alto do Castro compreende o topónimo: a povoação repousa numa depressão natural entre a Serra da Sombra e a Serra do Pinheiro, a 621 metros de altitude.

A sepultura sobre leões

No interior da Igreja Matriz de Santa Maria, o silêncio é denso como água parada. A abóbada de pedra do altar-mor absorve qualquer eco, e sobre o chão da capela-mor ergue-se a sepultura gótica de Afonso Anes Barroso, escudeiro da Casa de Bragança falecido em 1409. Dois leões de pedra sustêm o túmulo — raridade em Trás-os-Montes, gesto de poder que atravessou seis séculos. Os retábulos barrocos dourados contrastam com o granito cinza das paredes quinhentistas; lá fora, junto ao adro, o cruzeiro manuelino aponta para o céu com as suas volutas gastas pelo tempo. Ambos classificados como Imóveis de Interesse Público (Decreto n.º 43 980, de 8 de Janeiro de 1960), guardam memória de um território onde o achado de uma ara romana no Poio, em 1973, confirmou ocupação desde o século I.

Fumeiro e mel de montanha

Na mercearia do Zé Manel, os enchidos pendem do tecto como estalactites de carne: presunto de Barroso DOP, salpicão, chouriça de carne, chouriço de abóbora, sangueira — fumados sobre cinza de carvalho até adquirirem aquela casca acobreada. O cabrito e o cordeiro de leite pastam nos lameiros onde o gado maronês, introduzido em 1902 pelo veterinário Augusto Lima, desenha trilhos seculares entre as cortinhas de pedra seca. Ao almoço, o borrego assado no forno de lenha chega à mesa com a pele estaladiça — receita que D.ª Emília, nascida em 1924, garante ser igual à da avó: apenas sal, alho e louro. O vinho tinto da região, elaborado com as castas Bastardo e Mourisco, equilibra a gordura da carne; no final, o mel de Barroso DOP, colhido nos três colmeares que o Joaquim mantém em Romeínho, escorre dourado sobre a broa de centeio ainda morna do forno da Dona Rosa.

Água, pedra e silêncio

O Trilho dos Moinhos desce até à ribeira onde dois moinhos de rodízio dormem entre silvas e fetos. O do Penedo, construído em 1892 pelos irmãos Augusto, moeu até 1963 quando o moinheiro António "o Cotovio" partiu a rodízio a caminho da eira. Nas levadas que alimentam os lameiros, o reflexo do céu multiplica-se em fractais de luz — águas que correm desde que o abade Francisco de São Torcato mandou abrir o canal em 1784. O caminho sobe depois até Romaínho, aldeia onde a capela de São José guarda a festa de 19 de Março e onde as casas de granito se agarram ao declive. No cabeço do Penedo, a 812 metros, uma águia-de-asa-redonda nidifica desde que o último tiro de caça ecoou em 1978. O território integra a Reserva da Biosfera do Barroso desde 2021, mas aqui ninguém precisa de certificados — a paisagem mede-se nos 47 campos de solha que o Adérito ainda trabalha como o pai e o avô.

Quando a noite cai sem poluição luminosa, as estrelas acendem-se uma a uma sobre o vale. O eco do sino da igreja propaga-se devagar — fundido em 1924 com o bronze de dois canhões da Grande Guerra — batendo nas encostas e voltando transformado, como se o granito guardasse cada som para o devolver mais tarde, quando já ninguém espera.

Dados de interesse

Distrito
Vila Real
Concelho
Boticas
DICOFRE
170208
Arquetipo
RELAXAMENTO
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 45.5 km
SaúdeCentro de saúde
Educação2 escolas no concelho
Habitação~471 €/m² compraAcessível
Clima14°C média anual · 1018 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

70
Romance
45
Familia
45
Fotogenia
70
Gastronomia
40
Natureza
30
Historia

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Perguntas frequentes sobre Covas do Barroso

Onde fica Covas do Barroso?

Covas do Barroso é uma freguesia do concelho de Boticas, distrito de Vila Real, Portugal. Coordenadas: 41.6161°N, -7.8040°W.

Quantos habitantes tem Covas do Barroso?

Covas do Barroso tem 191 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Covas do Barroso?

Em Covas do Barroso pode visitar Cruzeiro de Covas do Barroso, Igreja de Santa Maria (Covas do Barroso). A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Covas do Barroso?

Covas do Barroso situa-se a uma altitude média de 621.5 metros acima do nível do mar, no distrito de Vila Real.

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