Vista aerea de Cimo de Vila da Castanheira
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Vila Real · RELAXAMENTO

Cimo de Vila da Castanheira: aldeia de pedra e altitude

Igreja românica do século XIII vigia vales transmontanos a 850 metros de altitude em pleno planalto

338 hab.
851.4 m alt.

O que ver e fazer em Cimo de Vila da Castanheira

Património classificado

  • MNIgreja de São João Batista (Cimo de Vila da Castanheira)

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Chaves

Fevereiro
Feira de São Faustino Fevereiro feira
Junho
Festa de São João 24 de junho festa popular
Agosto
Festival Internacional de Folclore Primeira quinzena de agosto festa popular
Romaria de Nossa Senhora da Livração 15 de agosto romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Cimo de Vila da Castanheira: aldeia de pedra e altitude

Igreja românica do século XIII vigia vales transmontanos a 850 metros de altitude em pleno planalto

Ocultar artigo Ler artigo completo

O sino da torre sineira marca as horas sobre o planalto, mas aqui, a oitocentos e cinquenta metros de altitude, quem o ouve são sobretudo os cães e as galinhas. O vento atravessa os castanheiros que deram nome ao lugar, levanta folhas secas da calçada de xisto e traz o cheiro a lenha verde que ainda não queimou direito. Cimo de Vila da Castanheira ergue-se no cume, como o próprio nome anuncia, e a vista desce pelos vales adjacentes até onde a névoa matinal ainda não levantou.

Pedra que vigia

A Igreja Matriz de São João Baptista domina a aldeia desde que alguém se lembra de contar. Granito pardo, porta baixa que rangia na minha infância quando a avó me levava à missa das sete. Os cachorros esculpidos na fachada não são "modestos" - têm o focinho gasto por séculos de mãos de criança que os pegam para se pendurarem. A torre sineira, separada do corpo principal, ainda permite subir os degraus escorregadios e ver o que se vê há quinhentos anos: um mar de telhados de xisto onde Cimo de Vila se confunde com Sanfins, e só quem é daqui sabe onde acaba uma e começa a outra.

Na Capela de São Sebastião, o chão de lajes está sempre húmido, mesmo em agosto. Lá em baixo, junto à Fonte da Moura, a sepultura antropomórfica serve agora de banco aos velhos que descansam depois de subir a ladeira. A pedra tem o comprimento exacto de um homem - já lá deitaram muitos a brincar, poucos sabem que ali morreu alguém antes de haver papel para o registar.

O que a terra dá

Nos fumeiros, os enchidos ganham cor de tijolo entre outubro e abril. A Dona Aurinda ainda vai ao mato cortar alderno para fazer fumeiro - diz que o pinho dá sabor a resina e ninguém lhe discute. A batata que se planta no Campo do Outeiro é pequena, feia, mas quando a cozes até às dez da noite ainda está firme. A castanha, essa é colhida à mão pelos netos que vêm nos fins-de-semana, sacos de pano ao ombro, pés molhados pela orvalho da serra.

Na Tasquinha do Zeferino servem cabrito que foi ao pastel ontem, com grelos que a mulher dele cortou de madrugada. O pão é do forno do Soeiro - aquele que está encostado à parede da igreja e só abre aos sábados, quando o pároco vai lá abençoar a massa.

Romarias que não cessam

São Sebastião a 20 de janeiro é missa às nove, procissão que desce até à capela com o cortejo a escorregar no gelo, e depois caldo verde para todos no salão da junta. O Anjo da Guarda em agosto é quando os emigrantes chegam de França com matrículas sujas de pó, e as mulheres passam a tarde a comparar netos. São João é fogueira na pracinha, sardinhas que o Zé Manel traz de Chaves em cima do carro, e os rapazes a tentarem saltar a fogueira sem partir as botas novas.

O Carvalho da Missa ainda está lá, no cabeço. Dizem que quem lhe cortar um ramo fica doido, mas o que eu sei é que o meu avô cortou um galho para fazer enxadas e viveu até aos noventa e seis, sempre meio tolhido mas suficientemente são para me bater quando eu lhe roubava figos.

Silêncio acumulado

Trezentos e trinta e oito habitantes, mas isto é contar quem tem casa cá. Se fores à padaria às sete da manhã encontraste cinco pessoas, se fores ao café ao fim do dia encontraste as mesmas cinco. As casas vazias têm as portas encostadas com fita-cola, janelas pintadas de azul para fingir que há vida lá dentro. Ao fim da tarde, quando o sol pega no xisto e faz aquela loura que dá vontade de morder, o silêncio é tão grande que se ouve o leite a ferver na panela da Dona Emília. O sino toca, ninguém se move, os cães nem se dão ao trabalho de ladrar. Aqui não se mede o tempo - espera-se que ele passe, como se espera que a chuva pare ou que a neve derreta.

Dados de interesse

Distrito
Vila Real
Concelho
Chaves
DICOFRE
170309
Arquetipo
RELAXAMENTO
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 31.1 km
SaúdeHospital no concelho
Educação28 escolas no concelho
Habitação~887 €/m² compra · 4.51 €/m² rendaAcessível
Clima14°C média anual · 1018 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

65
Romance
35
Familia
45
Fotogenia
70
Gastronomia
60
Natureza
35
Historia

Descubra mais freguesias

Explore todas as freguesias de Chaves, no distrito de Vila Real.

Ver Chaves

Perguntas frequentes sobre Cimo de Vila da Castanheira

Onde fica Cimo de Vila da Castanheira?

Cimo de Vila da Castanheira é uma freguesia do concelho de Chaves, distrito de Vila Real, Portugal. Coordenadas: 41.8022°N, -7.2682°W.

Quantos habitantes tem Cimo de Vila da Castanheira?

Cimo de Vila da Castanheira tem 338 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Cimo de Vila da Castanheira?

Em Cimo de Vila da Castanheira pode visitar Igreja de São João Batista (Cimo de Vila da Castanheira). A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Cimo de Vila da Castanheira?

Cimo de Vila da Castanheira situa-se a uma altitude média de 851.4 metros acima do nível do mar, no distrito de Vila Real.

Ver concelho Ler artigo