Vista aerea de União das freguesias da Madalena e Samaiões
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Vila Real · CULTURA

Madalena e Samaiões: onde o fumeiro guarda memórias

Freguesia transmontana entre Terra Quente e Fria, cruzada por caminhos de Santiago e tradições

2416 hab.
376.2 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias da Madalena e Samaiões

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Chaves

Fevereiro
Feira de São Faustino Fevereiro feira
Junho
Festa de São João 24 de junho festa popular
Agosto
Festival Internacional de Folclore Primeira quinzena de agosto festa popular
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ARTIGO

Artigo completo sobre Madalena e Samaiões: onde o fumeiro guarda memórias

Freguesia transmontana entre Terra Quente e Fria, cruzada por caminhos de Santiago e tradições

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O fumo sobe das chaminés como quem não tem pressa nenhuma — cheira a carvalho, sim, mas também a chouriça que a vizinha está a estourar para o jantar. Às nove da manhã, quando o nevoeiro ainda não decidiu se fica ou se vai, ouve-se o mesmo barulho de sempre: o tractor do Zé que parte no primeiro arranque e o cão do costume a reclamar distância. São 376 metros de altitude, mas o que importa é que aqui a Terra Quente e a Terra Fria se cumprimentam na esquina, trocam umas impressões e ficam à conversa.

Onde o caminho se bifurca — e ninguém se perde

Dois caminhos de Santiago cruzam-se na estrada municipal: o Interior e o Nascente. Os peregrinos aparecem com aquela cara de quem já leva 20 km nas pernas e ainda lhe faltam 150. Param no café da Adelaide pedir uma bica e a pergunta de sempre: “Isto aqui é ainda Chaves?” É. Mas não é a cidade — é a aldeia que lhe empresta o nome e guarda a diferença. Não há monumentos para fazer fila; há antes um cruzeiro de granito que o pessoal chama “a pedra grande”, uma capela onde se vai à missa no domingo e se acende uma velinha quando o neto vai para a tropa, e muros de xisto que se desfazem devagar, como nós.

O fumeiro como arquivo — e como jantar

Na sala de jantar de cada casa há um buraco no tecto: é a boca do fumeiro. De lá pendura o presunto que o António matou em Dezembro, a alheira que a Emília amassou com pão de ontem e o salpicão que o sogro diz que “este ano ficou mais picante”. Tudo leva o selo IGP, mas o selo que interessa é o da tia Rosa: se ela diz que está bom, está. Come-se com vinho tinto da cooperativa — não é para analisar, é para despir — e, se houver sorte, sobra um pastel de Chaves que ainda está quente do forno da padaria. Deixa cair as migalhas na camisola: é sinal de respeito.

Paisagem de transição — ou seja, subida e descida

O terreno não é de filmar, é de caminhar. Sobem-se dois degraus, desce-se um; tropeça-se numa videira que decidiu nascer no meio do caminho e ri-se do cão que veio ver se a gente traz biscoito. A água corre aos sábados, quando chove. O resto do tempo, o ribeiro leva-se a sério e guarda-se para as ocasiões. Não há placas a dizer “miradouro”, mas se se sentar na pedra em frente à cisterna consegue-se ver a aldeia toda — e o vizinho a regar o nabiçal em chinelos.

Quotidiano sem artifício — e com hora de fecho

São 2416 almas, mas na prática são menos: 887 já pediram a reforma, 224 ainda vão à escola e o resto divide-se entre quem trabalha em Chaves e quem trabalha no estrangeiro e aparece no Verão com matriga nova. Há 20 casas para alugar — umas boas, outras que só têm vista para a eira, mas tudo se arranja. Às segundas-feiras a mercearia abre até às duas; às terças só se for preciso leite. O café fecha quando o Zé se cansa de aturar o jogo de sueca, o que costuma ser por volta das onze. A missa é às dezasseis horas, mas chegue cinco minutos antes para arranjar lugar na banca da frente — senão vai para trás com os miúdos e não ouve a homilia do padre que fala baixo, como quem tem medo de incomodar.

Quando o sol se põe atrás do outeiro, o fumo sobe outra vez. É o mesmo de sempre: cheira a lenha queimada, a toucinho que estalou e a dia que acabou. Ninguém marca hora para jantar; ouve-se a porta a bater e sabe-se que é a hora. Aqui não se parte nem se chega — vai-se dando a volta, como quem regressa a casa e encontra tua avó na cozinha a dizer que o prato é o de sempre.

Dados de interesse

Distrito
Vila Real
Concelho
Chaves
DICOFRE
170354
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 47.3 km
SaúdeHospital no concelho
Educação28 escolas no concelho
Habitação~887 €/m² compra · 4.51 €/m² rendaAcessível
Clima14°C média anual · 1018 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
55
Familia
30
Fotogenia
70
Gastronomia
40
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias da Madalena e Samaiões

Onde fica União das freguesias da Madalena e Samaiões?

União das freguesias da Madalena e Samaiões é uma freguesia do concelho de Chaves, distrito de Vila Real, Portugal. Coordenadas: 41.7152°N, -7.4622°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias da Madalena e Samaiões?

União das freguesias da Madalena e Samaiões tem 2416 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de União das freguesias da Madalena e Samaiões?

União das freguesias da Madalena e Samaiões situa-se a uma altitude média de 376.2 metros acima do nível do mar, no distrito de Vila Real.

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