Vista aerea de Santa Maria Maior
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Vila Real · CULTURA

Santa Maria Maior: granito romano e águas termais em Chaves

No centro histórico de Chaves, a Ponte de Trajano atravessa o Tâmega há dois mil anos

11 408 hab.
381.3 m alt.

O que ver e fazer em Santa Maria Maior

Património classificado

  • MNCastelo de Chaves
  • MNForte de São Francisco de Chaves
  • MNForte de São Neutel
  • MNPonte de Trajano
  • MNTermas Medicinais Romanas de Chaves

E mais 3 monumentos

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Chaves

Fevereiro
Feira de São Faustino Fevereiro feira
Junho
Festa de São João 24 de junho festa popular
Agosto
Festival Internacional de Folclore Primeira quinzena de agosto festa popular
Romaria de Nossa Senhora da Livração 15 de agosto romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Santa Maria Maior: granito romano e águas termais em Chaves

No centro histórico de Chaves, a Ponte de Trajano atravessa o Tâmega há dois mil anos

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O vapor ergue-se do chafariz da Praça de Camões antes de o sol sequer tocar as fachadas. Não é bruma matinal — é água sulfurosa, quente, que brota de um chafariz renascentista construído em 1551 e que ainda hoje oferece o seu líquido mineral a quem estenda a mão. O cheiro acre do enxofre mistura-se com o ar frio dos 380 metros de altitude, e há qualquer coisa de ancestral neste gesto de beber água medicinal no centro de uma cidade, como se o corpo da terra se abrisse ali, no meio do granito, para lembrar que o vale do Tâmega guarda calor nas entranhas.

Santa Maria Maior é o coração urbano de Chaves — não a sua periferia amável, mas o núcleo denso, amuralhado, onde vivem 11.408 pessoas em 5,25 km². A densidade nota-se: nos passos que ecoam na calçada estreita da rua Direita, nas vozes que escapam pelas janelas das casas senhoriais setecentistas, no ranger de uma porta de madeira que se abre para um pátio interior onde a roupa seca ao vento transmontano.

A ponte que o império deixou sobre a água

A Ponte Romana de Trajano é o primeiro monumento que se impõe a quem chega ao rio. Dois mil anos de existência, pedra sobre pedra desde o século I ou II d.C., e o Tâmega ainda corre por baixo dos seus 12 arcos com a mesma indiferença líquida. A luz da manhã incide lateralmente nos silhares de granito, revelando o desgaste das juntas, o musgo verde-escuro que coloniza a base dos pilares onde a humidade é permanente. Atravessá-la a pé é sentir sob os sapatos a ligeira ondulação da superfície — dois milénios de rodas de carros, cascos de cavalos e solas de peregrinos moldaram a pedra com uma suavidade que nenhum canteiro planeou.

Do outro lado do rio, olhando para trás, a Torre de Menagem do castelo — 1139, o único vestígio visível da fortificação medieval — recorta-se contra o céu com a verticalidade seca de uma sentinela. Lá dentro, um pequeno museu militar guarda memórias das passagens de tropas que marcaram esta fronteira: as guerras liberais do século XIX, quando o Dr. João de Meira participou na defesa da vila em 1832, e a I Guerra Mundial, período em que Chaves acolheu refugiados e hospitais de campanha entre estas muralhas.

Azulejo, ouro e osso de mártir

A Igreja Matriz de Santa Maria Maior, cuja invocação mariana deu nome à própria freguesia quando esta se desanexou a 6 de Abril de 1836, é um edifício de camadas. A estrutura do século XIII sobrevive sob a remodelação profunda de 1759, e o interior revela-se em tons de azul e dourado: painéis azulejares de 1731 cobrem as paredes com cenas narrativas, enquanto o retábulo barroco concentra toda a luz disponível na talha dourada de 1744. Há um detalhe que escapa à maioria dos visitantes — um relicário discreto que guarda fragmentos ósseos atribuídos a Santa Auta, mártir do século III em Lisboa, uma presença silenciosa e improvável neste canto do nordeste transmontano.

A poucos passos, o edifício da Misericórdia abre a sua capela tardo-renascentista de 1585, e mais adiante o Convento e Igreja de São Francisco — fundação de 1289, hoje Museu da Região Flaviense desde 1980 — completa um percurso que se faz inteiramente a pé, sem pressa, cruzando a Praça de Camões onde as fachadas reflectem a luz da tarde num tom de cal e granito cinzento.

O folhado que Eça provou

O Pastel de Chaves chega à mesa quente, e o primeiro gesto é sempre o mesmo: partir a massa folhada com os dedos e deixar escapar o vapor do recheio de vitela temperada. Este folhado tem certificação IGP desde 2008 e uma genealogia literária — Eça de Queirós mencionou-o em 1871 quando visitou as águas termais da cidade. Comê-lo aqui, no lugar de origem, é diferente: a massa estala com uma leveza que o transporte destrói, e o interior mantém aquela humidade justa entre o suculento e o firme.

A mesa transmontana, porém, não se esgota no pastel. Os fumados de Barroso ocupam tábuas inteiras: alheira IGP desde 1996, chouriço de abóbora IGP desde 2017, salpicão IGP desde 1997, presunto IGP — cada um com o seu grau de fumo e gordura. O cabrito assado no forno de lenha chega com o aroma da esteva queimada, e o cozido transmontano é uma arqueologia de sabores empilhados. A Castanha da Padrela DOP desde 1996 e a Castanha da Terra Fria DOP desde 1994 aparecem nos doces outonais, e os vinhos da região de Chaves — brancos leves, tintos aveludados — acompanham tudo com uma acidez fresca que corta a gordura dos enchidos.

Do rio ao alto, a pé

O Tâmega desenha o eixo da freguesia. Os passeios ribeirinhos que acompanham as margens conduzem até ao Parque de Tabolado, onde a vegetação ripícola cria uma sombra densa mesmo nos dias mais quentes de Julho — os mesmos dias em que as Festas de São Tiago enchem as ruas de música e procissões. Em Junho, é São João que acende a noite. Em 8 de Setembro, a Romaria de Nossa Senhora da Lapa leva a procissão até à capela de 1655 que lhe dá nome, e a feira que a acompanha espalha-se pelas ruas com o ruído das bancas e o cheiro a chouriça grelhada.

Para quem procura altitude, os trilhos da Serra de Santa Maria sobem desde o centro histórico até ao miradouro do Alto da Queimada, onde o olhar se abre sobre as montanhas do Gerês e do Marão — um horizonte de serras sucessivas, cada uma mais azulada que a anterior, até se confundirem com o céu. É também por aqui que passa o Caminho de Santiago interior, a Via Lusitana, cruzando a freguesia como tantos peregrinos a cruzaram desde 1325, seguindo a lógica do vale e da ponte.

A feira de terça-feira

Há um ritual que se repete quinzenalmente desde 1278: a feira de Chaves, às terças-feiras, ocupa parcialmente o território da freguesia com bancas de hortaliça, queijo amarelo da terra, mel de Barroso DOP e ferramentas agrícolas. O som é inconfundível — o arrastar de caixotes de plástico no empedrado, os pregões sobrepostos, o tilintar das balanças. É o momento em que a freguesia mais se parece consigo mesma: densa, viva, com 28% de idosos (Censos 2021) mas com uma energia que não pede licença.

Quando a feira desmonta e a praça se esvazia, fica o chafariz. O vapor sulfuroso continua a subir da pedra quinhentista, e o cheiro a enxofre — esse cheiro que nenhuma outra freguesia de Portugal replica exactamente desta forma, nesta temperatura de 73°C, nesta altitude — é a última coisa que se leva daqui na roupa e na memória.

Dados de interesse

Distrito
Vila Real
Concelho
Chaves
DICOFRE
170350
Arquetipo
CULTURA
Tier
vip

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 46.4 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola secundária e básica + Universidade
Habitação~887 €/m² compra · 4.51 €/m² rendaAcessível
Clima14°C média anual · 1018 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

65
Romance
65
Familia
50
Fotogenia
70
Gastronomia
40
Natureza
50
Historia

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Perguntas frequentes sobre Santa Maria Maior

Onde fica Santa Maria Maior?

Santa Maria Maior é uma freguesia do concelho de Chaves, distrito de Vila Real, Portugal. Coordenadas: 41.7363°N, -7.4822°W.

Quantos habitantes tem Santa Maria Maior?

Santa Maria Maior tem 11 408 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Santa Maria Maior?

Em Santa Maria Maior pode visitar Castelo de Chaves, Forte de São Francisco de Chaves, Forte de São Neutel e mais 5 monumentos classificados. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Santa Maria Maior?

Santa Maria Maior situa-se a uma altitude média de 381.3 metros acima do nível do mar, no distrito de Vila Real.

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