Artigo completo sobre Tronco: aldeia de azenhas e fumeiros na serra
Quatro moinhos do século XIX ainda moem centeio junto ao Ribeiro da Pulga, em Chaves
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O fumo sobe das chaminés antes de ver a aldeia. Tronco fica a 820 m, agarrado ao granito, e o cheiro a pinheiro queimado avisa que chegou a altura de fumar enchidos. Nas cozinhas, as alheiras e os salpicões de Barroso-Montalegre IGP pendurados sobre brasas vão escurecendo sem pressa. O Ribeiro da Pulga leva água suficiente para as quatro azenhas ainda funcionarem; a mais usada é a do meio, onde Rosa marca farinha às quartas e sábados, 9 h-12 h. Basta bater à porta.
Água que mói
O ribeiro nasce na Padrela e desce 5 km até à ponte de 1758. O trilho tem início na azenha Nova: siga as marcas amarelas, 1 h30 ida e volta, sapato com aderência. A meio encontra um lagar escavado na rocha e, pouco depois, uma ara romana a Júpiter encostada à parede do moinho. Leve 50 cêntimos para o caixote de manutenção.
Nome que ninguém explica
Tronco não tem árvore com esse nome. A teoria do cárcere itinerante da extinta comarca de Monforte é a que os mais velhos repetem, mas não há registo escrito. A igreja de Santiago abre só para missa (domingo 11 h) ou se o Sr. Albano, o sacristão, estiver no café O Padrão, à porta ao lado. O órgão de tubos trazido do Brasil em 1952 ainda funciona; toca-se apenas no dia 25 de Julho, quando se distribui pão-de-ló e alheira a quem aparecer.
Mesa sem carta
Não há restaurante. Há Eira da Susana: marca 24 h antes (926 443 111). Serve cabrito de Barroso IGP para 4 pessoas, €18 por pessoa, inclui vinho da casa. Sobremesa é o bolo de São Tiago com doce de gila – leve se quiser, não faz sempre. Fora disso, compre pão no carrinho da Zulmira (terças e sextas, 10 h30) e enchidos no fumeadouro comunitário: alheira €8 o par, salpicão €9, pague no CTT.
Passar a noite
Casa da Eira tem 2 quartos, cozinha com lenha, €60/noite, mínimo 2. Chaves ficam dentro do livro de visitas na portinhola. Não há Wi-Fi; rede móvel só MEO.
Miradouro sem nome
Do adro, siga a estrada de terra acima da igreja por 1,8 km. Chega ao Coto do Freixo: placa inexistente, mas é o único lugar com banco de madeira. Vista sobre o Tâmega, sobretudo ao fim da tarde quando o milhafre sobe termal. Volte antes de escurecer; não há iluminação.