Vista aerea de Loureiro
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Vila Real · CULTURA

Loureiro: vinhas em socalco e pedra antiga no Douro

Igreja matriz de 1793, amendoais em flor e vinhedos em patamares junto à Ribeira Teja

892 hab.
357.3 m alt.

O que ver e fazer em Loureiro

Património classificado

  • IIPMarco granítico 11
  • IIPMarco granítico 12
  • IIPMarco granítico 13

Festas e romarias em Peso da Régua

Agosto
Festa em honra de Nossa Senhora do Socorro festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Loureiro: vinhas em socalco e pedra antiga no Douro

Igreja matriz de 1793, amendoais em flor e vinhedos em patamares junto à Ribeira Teja

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O cheiro a lenha queimada não engana: é dia de pão. Às terças e sextas, António acende o forno com serrim de carvalho antes das cinco da manhã. Às oito, o ar já pesa com o perfume das amendoeiras em flor e o pão cai quente nas mãos de quem espera com o chápeu na cabeça. Socalcos acima, a encosta parece um livro aberto: cada muro de xisto é uma frase, cada vinha uma vírgula. Loureiro fica a 357 metros, mas sobe-se mais alto quando se carrega uma cesta de uvas no verão.

Pedra, talha e devoção

A Igreja Matriz não tem campainha. Bate-se com a mesma palmada que o avô ensinou: duas vezes, pausa, uma terceira. Dentro, o banco da frente rangerá sempre no mesmo sítio – terceiro lugar à esquerda, onde a madeira apodreceu de tanto ser o último a sair. No altar-mor, a talha dourada perdeu um anjo: partiu-se numa queda durante a missa do galo de 1983. Ninguém o reparou; dizem que ainda lá está, entre o sacrário e a parede, a guardar a memória do que foi. A Capela de Santo António, ao lado, fecha às quartas para a dona Amélia varrer. Ela guarda a chave no avental e abre a quem bater com jeito.

Vinhas que sobem, amêndoas que descem

As vinhas começam onde acaba o quintal. Subem tão rentes às casas que, em Agosto, os cachos tocam nas janelas das crianças. A flor da amêndoa dura o tempo de um café: aparece de noite, em Fevereiro, e já caiu quando o pão de ló sai do forno. A Ribeira Teja leva água só depois da chuva; no verão é um fio de pedras polidas onde os miúdos apanham lagartixas. No Cabeço dos Mouros, o miradouro é um banco de xisto com vista para o lugar de onde se saiu. Senta-se lá quem quer fazer as contas ao que ficou para trás.

Fumeiro, amêndoa e memória

Na casa da dona Elvira, o fumeiro está pendurado tão baixo que se esbarrar com a cabeça leva com um chouriço no olho. Ela salga em Dezembro, abre em Maio, e entre um mês e outro vai lá de tempos a tempos para “dar uma voltinha ao fumo” – empurrar o fumo com uma vara de medronheiro, como aprendeu com a mãe. Os figos secos não se cortam com faca: partem-se com as unhas e comem-se com queijo de ovelha quando o vinho é tinto. O azeite é de seis oliveiras que sobreviveram à geadas de 1991; dá para um ano, talvez dois, se a filha não levar para Lisboa.

O caminho que atravessa

O Caminho de Santiago entra por cima, junto ao cruzeiro partido, e sai por baixo, na ponte das Poldras. Quem vem de fors pergunta sempre se é aqui que se come bem. Aponta-se para a esplanada do Zé – é só uma mesa de plástico e uma máquina de café, mas o caldo verde é servido com a colher de pau que o Zé fez ao domingo. As Poldras são três lajes de xisto que escorregam quando a água sobe. Atravessam-se depressa, a olhar para o lado, porque quem tropeça leva os pés molhados e a vergonha de quem nisso nasceu.

Festa e permanência

A Festa da Senhora do Socorro é no domingo mais perto de 15 de Agosto. Antes da missa, os homens arrastam bancos para a rua e as mulheres põem toalhas de linho nas mesas de madeira. Às onze, a banda toca o mesmo marchão de sempre; os mesmo acordes, as mesmas notas falsas. A procissão desce até à ponte e sobe outra vez, parando em frente à casa do Joaquim para ele ver a imagem da janela – está há três anos sem sair, mas ninguém lhe diz que já não pode. À noite, os jovens que vieram de fors bebem imperiais no café e falam alto, como se a aldeia fosse grande. Depois regressam às cidades, deixando os pais a guardar as cadeiras dentro de casa, para a chuva não estragar.

Quando o sol se põe, o rio fica de laranja e as vinhas parecem de fogo. O silêncio é tão grosso que se ouve a voz do vizinho a contar o dia, do outro lado da parede. Loureiro não pede visitas – pede que se fique o tempo de um pão, de uma história, de um copo de vinho que não se bebe sozinho.

Dados de interesse

Distrito
Vila Real
Concelho
Peso da Régua
DICOFRE
170805
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~995 €/m² compra · 4.12 €/m² rendaAcessível
Clima14°C média anual · 1018 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

60
Romance
40
Familia
55
Fotogenia
45
Gastronomia
35
Natureza
45
Historia

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Perguntas frequentes sobre Loureiro

Onde fica Loureiro?

Loureiro é uma freguesia do concelho de Peso da Régua, distrito de Vila Real, Portugal. Coordenadas: 41.1838°N, -7.8087°W.

Quantos habitantes tem Loureiro?

Loureiro tem 892 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Loureiro?

Em Loureiro pode visitar Marco granítico 11, Marco granítico 12, Marco granítico 13.

Qual é a altitude de Loureiro?

Loureiro situa-se a uma altitude média de 357.3 metros acima do nível do mar, no distrito de Vila Real.

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