Artigo completo sobre Vilarandelo: pedra romana e sino no vale do Tâmega
Igreja românica, via antiga e chafariz classificado marcam esta aldeia transmontana a 637 metros
Ocultar artigo Ler artigo completo
O sino da Igreja de São Vicente bate três vezes. O som sobe à torre românica, desce o vale e morre nos soutos. A 637 metros, o frio corta mas o sol de inverno aquece as paredes caiadas.
Pedra
A via romana Chaves-Norte passou aqui. Hoje são valas cobertas de urze. Vilarandelo aparece em 1258 nas Inquirições, território régio entre Portugal e Leão. As muralhas de pedra seca ainda marcam os lameiros.
O cruzeiro manuelino do adro tem inscrição de 1521, letras gastas. Dentro, talha dourada e retábulos barrocos. Na Capela de São Sebastião, pintura mural do século XVIII mostra promessas feitas durante a peste.
O chafariz classificado verte água na praça. Servia para encher cântaros; agora é ponto de encontro. 961 habitantes, 379 com mais de 65 anos. Espigueiros de madeira guardam milho. Eiras comunais esperam por trigo que já não vem.
Mesa
Na mercearia: Terrincho curado, mel da Terra Quente, presunto bísaro de Vinhais, enchidos Maronesa. No O Torgal, na EN 213, cabrito assa na lenha de carvalho. Vem com batata cozida ou papas de sarrabulho. Folar de Valpaços para sobremesa. Aguardente velha queima a garganta.
Trilhos
Circular de 5 km: igreja, cruzeiro, chafariz, capela. Souto comunitário tem castanhas esmagadas por pássaros. Trilho ao Tâmega — 3 km ida e volta — atravessa lameiros com Maronesas. À beira-rio, garças levantam voo.
Pedras gastas no mato marcam caminho medieval não-oficial a São Bento da Porta Aberta. Cruzes de granito nas encruzilhadas.
Ao fim da tarde, Vilarandelo fecha-se. Só passos na calçada e o ribeiro.