Vista aerea de União das freguesias de Pensalvos e Parada de Monteiros
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Vila Real · CULTURA

Relógio de sol e 350 espigueiros em Pensalvos

Freguesia transmontana onde canastros superam habitantes e o tempo marca-se em sombras de aço

288 hab.
647.9 m alt.

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Freguesia transmontana onde canastros superam habitantes e o tempo marca-se em sombras de aço

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O relógio de sol digital projeta números frios no chão da praça. Aço corten que enferruja depressa nestas chuvas — já está mais ferrugem que aço — lança sombras que ninguém olha. São onze e meia, não meio-dia: a escultura veio de Braga em 2012 e nunca acertou na hora. À volta, os espigueiros de madeira — trezentos e cinquenta, mais do que os duzentos e oitenta e oito habitantes — guardam agora ferramentas enferrujadas e ninhos de andorinhas. A freguesia nasceu da fusão administrativa de 2013, mas o território respira séculos mais antigos.

Pedra, brasão e ex-voto

A Igreja Matriz de Santa Eulália cheira a cera queimada e roupa molhada. O retábulo barroco perdeu dourado para o tempo; os azulejos setecentistas têm rasgos onde as crianças encostam dedos pegajosos. Foi o padre Joaquim Augusto Borges de Carvalho, primo dos Borges Montalvão, quem mandou pôr as torres mais altas — diziam que era para os mortos ouvirem melhor as campainhas. Ao lado, o Solar dos Borges Montalvão tem pedras de armas que o tempo amaciou até parecerem seixos. A linhagem acabou em Lisboa, mas aqui ficaram as janelas partidas e o cheiro a raposa nos celeiros. Em Parada de Monteiros, a Capela de Nossa Senhora dos Aflitos foi erguida em 1918 por promessa contra a gripe espanhola. Os ex-votos de cera — braços, pernas, corações — derretem-se no verão e pegam-se ao chão de madeira.

Caminhos entre canastros

O trilho PR4 sobe por entre silvas que roçam nas pernas. Passa pela fonte onde as mulheres levavam a roupa até há dez anos — agora só vêm cães beber. Os canastros estão rotos, as ripas soltas fazem ranger na ventania. No Cimo do Pão, o miradouro tem uma bancada de cimento onde os rapazes fumam finos à noite. Vê-se o Planalto de Santa Eulália — seiscentos e quarenta e sete metros onde o vento corta a cara — e os soutos que os velhos já não vão limpar. A ribeira de Pensalvos corre entre pedras lisas de tanta gente se sentar. No Poço Negro, os miúdos saltam de cabeça nos dias de agosto, quando a água não está gelada. Ao entardecer, junto ao açude, os abutres sobem em círculos aproveitando as correntes de ar quente — não são do Egipto, são os nossos.

Fumeiro, mel e borrego de leite

A feijoada transmontana leva castanhas cortadas à faca pela Maria do Céu. O fumo do forno de lenha entranha-se na roupa e faz chorar os olhos. O borrego de leite vem do Zé Manel, que mata aos domingos de manhã — a pele estala na grelha e a gordura cai para as brasas. Na tasquinha da Festa da Vila, última semana de Agosto, o António serve chouriço de ossos que ainda escorre quando se corta. O mel de Barroso é escuro, quase preto, e tem sabor a esteva — as abelhas não têm muito mais onde ir. Os bolinhos de Santa Eulália são massa frita que a Avó Albertina faz às três da manhã, antes da missa de 10 de Fevereiro. O pão de centeio de Pensalvos pesa um quilo e faz cócegas na garganta se não se beber água. O vinho tinto do ano passado ainda está aferroado, mas aquece o estômago.

Memória viva nas mãos

Maria da Conceição Borges, a Tia Zefa, morreu em 2015 aos noventa e um anos. Fiandeira que punha os netos a cardar enquanto cantava loas que ninguém percebia. As Fiandeiras de Soutelo de Matos encontram-se quando há telefonemas — sobreturistas alemães que querem ver "tradição". Sentam-se à roda da lareira, as mãos grossas movem-se rápidas por costume, não por vontade. A lã vem de ovelhas que já não são daqui. Lá fora, o relógio de sol continua a errar a hora — mas ninguém precisa dele para saber quando é hora de jantar.

Dados de interesse

Distrito
Vila Real
DICOFRE
171320
Arquetipo
CULTURA
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 43.9 km
SaúdeCentro de saúde
Educação6 escolas no concelho
Habitação~569 €/m² compra · 3.31 €/m² rendaAcessível
Clima14°C média anual · 1018 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

60
Romance
35
Familia
35
Fotogenia
70
Gastronomia
40
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Pensalvos e Parada de Monteiros

Onde fica União das freguesias de Pensalvos e Parada de Monteiros?

União das freguesias de Pensalvos e Parada de Monteiros é uma freguesia do concelho de Vila Pouca de Aguiar, distrito de Vila Real, Portugal. Coordenadas: 41.5683°N, -7.6962°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Pensalvos e Parada de Monteiros?

União das freguesias de Pensalvos e Parada de Monteiros tem 288 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de União das freguesias de Pensalvos e Parada de Monteiros?

União das freguesias de Pensalvos e Parada de Monteiros situa-se a uma altitude média de 647.9 metros acima do nível do mar, no distrito de Vila Real.

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