Artigo completo sobre Queimadela: onde a serra dita o tempo da castanha
Entre soutos centenários e vinhas em socalco, esta aldeia de Armamar vive ao ritmo das estações
Ocultar artigo Ler artigo completo
Às 7h15, o café da Maria abre portas. Atrás do balcão, o espresso custa 0,65 € e vem acompanhado de um "bom dia" que vale por um postal. São 208 habitantes, mas a Maria conhece os nomes de 300 - conta os mortos e os que partiram para França.
O nome vem de um incêndio florestal nos anos 40. O velho António, 89 anos, ainda se lembra: "Ardeu três dias. O céu estava vermelho até Vila Seca." Hoje, os soutos de castanha substituíram os pinhais. A castanha tem DOP desde 1996 - prova que vem dos soutos da Lapa, não de Espanha. Em outubro, o kg paga 2,50 € aos produtores. O comprador aparece às 6h na esplanada do café, com uma carrinha de Portalegre.
O que há para fazer
Caminhar: O trilho do Xares começa junto ao cemitério. São 4,3 km, 200 metros de desnível, marcações amarelas pintadas pelo Clube de Montanhismo de Lamego. leva 1h30, leva água - não há fontes.
Comer: O restaurante O Cimo tem posta mirandesa (12 €) e vinho da casa servido em jarro de barro. Abre só fds, marca 254 856 123. Na sexta-feira, há caldo verde com enchidos - senta-te na mesa comum, pagas o que comeres.
Dormir: A Casa da Ti' Rosa tem dois quartos, 35 €/noite. Não tem net, tem lareira e lenha incluída. Estrada Nacional 222, km 84.
Quando ir
- Maio: as romarias começam. A de Nossa Senhora das Dores junta 500 pessoas no domingo mais próximo de 15. Há bancas de ferramentas usadas e bolos de queijo feitos pela D. Alda.
- Outubro: a castanha é colhida. O forno comunitário acende sábados, traz a tua massa - 2 € para cozer pão, 5 € para leitão.
Como chegar
Vem pela EN222. Quando vires o cartaz "Queimadela - 3 km", desce. A estrada faz 8 curvas, algumas a 180 graus. Lá em baixo, o café da Maria tem a parede amarela - é o GPS local.