Artigo completo sobre Moledo: Serra, Caminho e Silêncio na Gralheira
Freguesia de Castro Daire onde o xisto aflora, peregrinos caminham e a serra dita o ritmo da vida
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O vento sobe do vale e traz o cheiro a terra molhada. Aqui, a 498 metros de altitude, as encostas estendem-se em ondulações que se perdem na névoa matinal. O silêncio só é interrompido pelo sino da igreja ou pelo latido de um cão pastor. Moledo tem 1049 habitantes em 49,5 km². A densidade é de 22 pessoas por km². São 461 pessoas com mais de 65 anos, apenas 68 crianças.
Entre o Caminho e a Terra
O Caminho de Torres, variante do Caminho de Santiago, atravessa estas terras sem alarde. Não há albergues modernos — apenas a calcada irregular que sobe e desce. Partilha-se a estrada com tractores e ovelhas. A experiência é física: suor na testa, peso da mochila, frio húmido nas manhãs de Outono.
A freguesia tem dois monumentos classificados como Imóveis de Interesse Público. O resto são casas dispersas, muitas abandonadas.
Sabor da Gralheira
O Cabrito da Gralheira IGP pasta nas encostas íngremes. A Vitela de Lafões IGP chega às mesas locais em assados lentos. Serve-se em cozinhas de pedra, onde o fumeiro ainda pende do tecto.
As vinhas existem em pequenas parcelas familiares. Produzem vinhos que raramente saem do concelho. Tintos de taninos firmes, acidez cortante.
Onde o Turismo Não Chegou
Há seis alojamentos registados. Todos moradias particulares em regime de casa completa. Não há hotéis boutique nem piscinas aquecidas. Acorda-se com o galo. As compras fazem-se em Castro Daire, a 11 km. Refeições preparam-se ou combinam-se com antecedência.
O território não serve para selfies. A beleza está na textura do musgo sobre o muro de xisto, no reflexo de luz sobre uma poça de água na estrada de terra.
O Inverno traz noites curtas e frio que corta. As luzes das casas espalham-se dispersas pelo vale. Não há ruído urbano. Apenas o vento e o cheiro a fumo de lenha.